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‘Não dá para descartar aliança com PMDB’

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Eleita presidente nacional do PT, a senadora paranaense Gleisi Hoffmann (PT) conversou com o Diário


Humberto Domiciano

12/06/2017 | 07:00


A senadora paranaense Gleisi Hoffmann (PT) foi eleita presidente nacional do PT e espera concluir um processo de renovação da legenda. A parlamentar defende a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva e acredita que existe uma perseguição judicial contra o ex-presidente, tendo como objetivo a inviabilidade de sua candidatura ao Palácio do Planalto em 2018. Em entrevista exclusiva ao Diário antes de ministrar palestra na UFABC (Universidade Federal do ABC), a petista não descartou alianças eleitorais com o PMDB e usou como exemplo o Estado do Paraná, onde o PT possui afinidades com o senador peemedebista Roberto Requião. Gleisi também analisou o cenário de São Paulo e do Grande ABC. Na visão dela, o partido precisa se reaproximar da militância e da população. A nova dirigente destacou que ainda é cedo para debater nomes, mas o ex-prefeito de São Bernardo Luiz Marinho está entre os possíveis candidatos a governador do Estado.

Como estão os processos contra a sra. na Operação Lava Jato?

Estou me defendendo em um processo no STF (Supremo Tribunal Federal) e até agora só fui ouvida no inquérito. Quero ser ouvida no processo, já separei testemunhas de defesa, inclusive. Acho que foi um processo muito mais político de aceitar a denúncia, tinha sido ministra da ex-presidente Dilma Rousseff, estive na linha de frente contra o impeachment e forçaram a mão para aceitar. Disseram que recebi R$ 1 milhão para a minha campanha, mas não tem prova de nada, não conheço as pessoas que estão denunciando. Não recebi, não sei quem recebeu e espero que possa esclarecer isso. Os processos demoram muito e não sei se o STF dará agilidade a isso.

Como a sra. analisa o cenário nacional neste momento?

É uma crise com três dimensões: institucional, política e econômica. O País vive uma instabilidade grande, principalmente pelo fato do governo de Michel Temer não ter legitimidade e estar apostando em reformas que vão contra os trabalhadores. Além disso, as denúncias recentes atrapalham qualquer reação contra a crise econômica, que hoje é a que mais afeta os brasileiros. São 14 milhões de desempregados, situação de renda em queda e o governo está preocupado em se defender. Isso é péssimo. Por isso insistimos que ele tem que sair, convocar eleições diretas e eleger novos governos. Isso daria legitimidade a um governo.

E se for eleição indireta, o PT apoiaria algum nome?

O PT tirou do sexto congresso um entendimento de que não participará do colégio eleitoral. Em 1985 não participamos da disputa entre Tancredo Neves e Paulo Maluf, que era uma decisão para acabar com a ditadura. Hoje não haveria nenhuma intenção de participar de um processo para dar continuidade a um golpe.

Como a sra., como presidente do PT nacional recém-eleita, espera reestruturar o partido?

Estamos em um processo, mobilizamos a militância, já que mais de 300 mil filiados participaram do PED (Processo de Eleição Direta) e elegeram diretamente os dirigentes municipais e os delegados para as eleições estaduais e nacionais. O Congresso do PT debateu a conjuntura para que o partido construa uma grande unidade, que passa pela saída do Temer, pelas eleições diretas, pela não participação no colégio eleitoral e posicionamento contrário às reformas. Queremos também a formação de nova constituinte. Mas uma reforma popular da Constituição. Isso fornece as bases para a nossa atuação e passa as deliberações para a militância. Estamos em contato frequente com os movimentos sociais e, claro, estamos preparando a candidatura do presidente Lula.

Em qual estágio estão as conversas da candidatura de Lula? Já foi discutida alguma aliança?

Não. Esse não é momento. Nosso foco é a defesa da candidatura e enfrentar essa caçada que estão fazendo a ele. Vemos que existe uma ação judicial deliberada para inviabilizar a candidatura dele e temos dito que uma eleição direta sem o Lula não é eleição, é fraude. Atualmente tem 40% das intenções de voto. Se o estabilishment quer derrotá-lo, que o faça nas urnas.

Qual a avaliação do nome do ex-ministro Ciro Gomes?

Não conversamos com o PDT ainda sobre esse assunto. Temos muito respeito pelo Ciro Gomes, que foi ministro (da Integração Nacional) no governo Lula e responsável por projetos importantes, como a transposição do rio São Francisco. Mas ainda não tivemos qualquer conversa a respeito de uma composição.

De qual maneira será feita a renovação das lideranças partidárias?

Para a Presidência nosso nome é Lula. Ele é o plano A, B e C. Nos governos estaduais estão sendo discutidos os encaminhamentos das demandas partidárias, principalmente sobre a questão das eleições diretas. Um primeiro movimento neste sentido será feito na Paraíba, no dia 22.

Em 2014, as alianças entre PT e PMDB foram decisivas em diversos Estados. Como será em 2018?

Achamos que está cedo para discutir alianças partidárias. O processo eleitoral será consequência da estruturação do partido, principalmente a candidatura do Lula, que já está posta, mas será consolidada. As lutas sociais contra a reforma, pela melhoria da distribuição da renda, também devem ser levadas em consideração. Em relação ao PMDB, é partido grande, mas que não tem linha nacional de atuação, é federado. Então não dá para afirmar que vamos ou não vamos fazer aliança com o PMDB. Como exemplo, no meu Estado, o Paraná, quem comanda o PMDB é o Roberto Requião (senador), que é uma pessoa de esquerda, que sempre esteve junto nas lutas. Quando formos discutir o processo eleitoral no Paraná, o partido estará no nosso espectro de conversas. Isso depende do posicionamento dos partidos.

A ex-presidente Dilma pode ser candidata a algum cargo?

Ela tinha se colocado à disposição, poderia ser candidata a deputada ou senadora. Ainda não discutimos isso.

Caso a reforma política seja aprovada nos moldes que tramitam no Congresso, qual será a estratégia?

Sempre defendemos a lista fechada e financiamento público de campanhas. Para nós, seria um reforço programático. A política não se faz por pessoas, se faz por programas partidários. Para nós seria bom, isso garantiria um número maior de mulheres nos Parlamentos. Já temos uma questão de gênero muito forte, com paridade na formação das chapas.

Qual a avaliação sobre o PT em São Paulo? Qual a estratégia para derrotar o PSDB?

É uma disputa política forte, que precisa ser feita com reaproximação com os movimentos sociais, com a população, mostrar o que está acontecendo no País, o peso do governo do PSDB para todos. Hoje os tucanos são aliados do PMDB neste governo que está podre, caindo e que segue lá. O PSDB não tem compromisso com a maioria da população e sim com apenas alguns setores.

Como será a definição do candidato em São Paulo? O ex-prefeito de São Bernardo Luiz Marinho é um desses nomes?

Ainda não foi feita a discussão. O Luiz Marinho assumiu agora a direção do PT estadual, é um nome forte, tem possibilidade de ser candidato, mas faremos discussão.

Qual a avaliação do cenário no Grande ABC?

É importante o resgate das nossas bandeiras e da militância, de mostrar o plano alternativo que temos para o Brasil, o que foram as administrações municipais do PT na região e o que está acontecendo agora. O quanto o PT fez e quanto os outros partidos não fizeram. A gente perdeu aqui porque teve uma situação diferenciada, com as acusações da Operação Lava Jato, uma campanha sistemática contra o PT, dizendo que o partido era uma organização criminosa, houve uma desqualificação do partido. Isso estamos recuperando agora e nas pesquisas temos a maior preferência partidária e todo esse discurso não tinha base sólida. 



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