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Em seis dias, 371 carros desaparecem no ABC


Do Diário do Grande ABC

07/12/2002 | 17:51


Em seis dias, de domingo a sexta-feira da semana que passou, foram roubados ou furtados 371 carros no Grande ABC. Isso equivale a uma média de 62 carros roubados por dia ou mais de dois por hora. Em meia hora, enquanto alguém acorda, toma banho, prepara o café da manhã e lê o jornal, um carro já foi roubado.

A principal cidade da região onde foram roubados e furtados mais carros nesses seis dias é Santo André. Foram 159 veículos levados pelos assaltantes. Cerca de 26 por dia. Um auto roubado a cada hora.

Esses dados são parciais. O Diário não teve acesso aos boletins de ocorrência de dois distritos policiais. A delegada Telma Preto, do 2º DP de São Bernardo, e o delegado Fábio Sandrini, do 2º DP de Santo André, impediram que o jornal consultasse os BOs.

Na edição de domingo passado, o Diário deu início a uma série de reportagens sobre furto e roubo de carros na região. O jornal informou que, segundo levantamento do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, tendo como base 61 municípios com mais de 100 mil habitantes, seis cidades do Grande ABC estão entre as dez mais, no que se refere a furto e roubo de carro no Estado. Santo André é a campeã estadual dessa modalidade de crime e São Caetano fica com o vice-campeonato.

Na edição deste domingo, o Diário revela, com exclusividade, o esquema de funcionamento de um desmanche. Eleitos como os principais alimentadores da indústria do roubo de carro, os desmanches deveriam ser fiscalizados mensalmente pela polícia, mas o agente que deveria verificar se há peças roubadas estaria indo ao desmanche apenas para receber uma propina mensal.

A denúncia foi feita ao Diário por um policial da Seccional de Santo André e por um dono de desmanche. O delegado seccional, Dejar Gomes Neto, diz desconhecer o suposto esquema.

Mudanças – Na quarta-feira, a Secretaria Estadual de Segurança informou que os três delegados seccionais do Grande ABC serão substituídos. O objetivo da mudança, de acordo com a secretaria, é “oxigenar” a corporação. A substituição deve ocorrer nos próximos dias.

Ao longo da semana, o Diário informou que há 80 pontos principais onde os ladrões de carro costumam atuar. Os criminosos preferem as regiões próximas a faculdades, vias de tráfego intermunicipal e avenidas. Nesses dois últimos pontos, os ladrões atacam principalmente nos faróis.

O Diário tem publicado e atualizado diariamente um placar de roubo de carros. Houve – e continua existindo – resistência de alguns setores da Secretaria de Segurança, na tentativa de evitar que os delegados da região divulgassem os números de furtos e roubos de autos dos boletins de ocorrência.

Em visita de cortesia ao Diário, realizada na quinta-feira, o assessor de comunicação da Secretaria de Segurança, Carlos Alberto da Silva, reafirmou o compromisso de liberar o acesso da reportagem do Diário aos BOs de furto e roubo de carros.

Mesmo assim, neste sábado o Diário não pôde consultar os BOs de dois DPs. Um deles – o 2º de São Bernardo – onde se localizam algumas universidades da região, como a Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), um dos locais mais visados pelos ladrões.

Ainda dentro da série de reportagens, o jornal informou como os leilões de carros sinistrados esquentam carros roubados. Um ex-proprietário de concessionária revelou que quadrilhas especializadas compram autos batidos em leilões apenas para obter um espelho (documentação legal) e assim justificar peças de origem incerta, encontradas em desmanches.

Um ex-metalúrgico que comprou um carro em leilão descobriu que o veículo tinha todas as características de um dublê. Ele demorou dois meses e meio para receber o dinheiro de volta.



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