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Jovem perde visão ao ser atingido por bala de borracha da PM

Wellington Rodrigues Alves Pereira, 29, comemorava vitória do time querido em bar de Santo André quando houve confusão, há dois meses


Daniel Tossato
do Diário do Grande ABC

22/12/2016 | 07:08


“Terei de carregar essa cicatriz para o resto da vida”. É assim que Wellington Rodrigues Alves Pereira, 29 anos, resume episódio que mudou sua rotina para sempre. Pereira perdeu o globo ocular direito após ter sido atingido por um tiro de bala de borracha no rosto. O projétil de látex foi disparado por policial militar durante comemoração em um bar na Vila Lutécia, em Santo André. O caso ocorreu há dois meses, mas só ontem veio a público.

O acontecimento que marcou o destino do rapaz se deu no dia 16 de outubro. Pereira estava em um bar festejando a vitória do time de seu bairro, o Colorado, que conseguira alcançar a final de um campeonato. Junto da comemoração dos amigos do clube, um grupo de samba também tocava, o que contribuiu para que a rua ficasse intransitável devido ao grande número de pessoas.

“A polícia já chegou atirando bombas de gás lacrimogêneo. Foi tudo muito rápido. As pessoas começaram a correr”, contou Pereira. “Eu estava sentado dentro do bar, quando me levantei para ver o que estava acontecendo, um dos policiais atirou em mim. Ele atirou no primeiro lugar em que mirou.”

O andreense se lembra apenas que caiu quando perdeu os sentidos. Segundo Pereira, os policiais que estavam na ação não prestaram qualquer tipo de atendimento. Foram os amigos da vítima que levaram o rapaz até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Santo André, onde recebeu os primeiros socorros. Com medo de represálias dos agentes da PM, Pereira decidiu se dirigir até ao CHM (Centro Hospitalar Municipal).

“Hoje, tenho vergonha de sair de casa. Me sinto triste e não consigo mais fazer nada direito”, desabafa. Pereira tinha uma vida normal para pessoa de 29 anos. Trabalhava como eletricista de ponte rolante, frequentava a academia e saia com os amigos. O rapaz teme perder o emprego e já encontra dificuldade para receber o auxílio-doença, benefício que supre algumas necessidades básicas.

Pereira ainda terá de encarar duas cirurgias. A primeira servirá para reconstruir a pálpebra e a segunda, para inserção de prótese.

O caso está sendo investigado pelo 6º DP (Jardim do Estádio) de Santo André. O inquérito, que apura o crime de “lesão corporal de natureza gravíssima”, leva em conta fato registrado no boletim de ocorrência, de que os agentes de Segurança que atuaram na dispersão da festa naquela data teriam tentado persuadir amigos e parentes de Pereira a dizer que a vítima teria sido atingida por uma pedra.

Por meio de nota, a SSP-SP (Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo) informou que o caso é investigado pela Polícia Militar, pela Polícia Civil e que os agentes da PM serão ouvidos. Porém, o órgão não revelou quando isso irá acontecer.

Para a vítima, fica a indignação, somada à sensação de impunidade. “Os policiais que agiram naquela noite estão por aí, com saúde, com a visão. Só quero que a justiça seja feita e que os culpados arquem com a responsabilidade”, completou Pereira, que contratou advogado para mover ação contra o Estado.

Pereira, por sua vez, já foi ouvido e encaminhado para a realização de exames no IML (Instituto Médico-Legal) para comprovar se a lesão foi causada pela bala de borracha. O eletricista também prestou depoimento na Corregedoria da PM. “O fato está em fase de apuração tanto pela PM quanto pela Corregedoria”, destacou a SSP. 



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Jovem perde visão ao ser atingido por bala de borracha da PM

Wellington Rodrigues Alves Pereira, 29, comemorava vitória do time querido em bar de Santo André quando houve confusão, há dois meses

Daniel Tossato
do Diário do Grande ABC

22/12/2016 | 07:08


“Terei de carregar essa cicatriz para o resto da vida”. É assim que Wellington Rodrigues Alves Pereira, 29 anos, resume episódio que mudou sua rotina para sempre. Pereira perdeu o globo ocular direito após ter sido atingido por um tiro de bala de borracha no rosto. O projétil de látex foi disparado por policial militar durante comemoração em um bar na Vila Lutécia, em Santo André. O caso ocorreu há dois meses, mas só ontem veio a público.

O acontecimento que marcou o destino do rapaz se deu no dia 16 de outubro. Pereira estava em um bar festejando a vitória do time de seu bairro, o Colorado, que conseguira alcançar a final de um campeonato. Junto da comemoração dos amigos do clube, um grupo de samba também tocava, o que contribuiu para que a rua ficasse intransitável devido ao grande número de pessoas.

“A polícia já chegou atirando bombas de gás lacrimogêneo. Foi tudo muito rápido. As pessoas começaram a correr”, contou Pereira. “Eu estava sentado dentro do bar, quando me levantei para ver o que estava acontecendo, um dos policiais atirou em mim. Ele atirou no primeiro lugar em que mirou.”

O andreense se lembra apenas que caiu quando perdeu os sentidos. Segundo Pereira, os policiais que estavam na ação não prestaram qualquer tipo de atendimento. Foram os amigos da vítima que levaram o rapaz até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Santo André, onde recebeu os primeiros socorros. Com medo de represálias dos agentes da PM, Pereira decidiu se dirigir até ao CHM (Centro Hospitalar Municipal).

“Hoje, tenho vergonha de sair de casa. Me sinto triste e não consigo mais fazer nada direito”, desabafa. Pereira tinha uma vida normal para pessoa de 29 anos. Trabalhava como eletricista de ponte rolante, frequentava a academia e saia com os amigos. O rapaz teme perder o emprego e já encontra dificuldade para receber o auxílio-doença, benefício que supre algumas necessidades básicas.

Pereira ainda terá de encarar duas cirurgias. A primeira servirá para reconstruir a pálpebra e a segunda, para inserção de prótese.

O caso está sendo investigado pelo 6º DP (Jardim do Estádio) de Santo André. O inquérito, que apura o crime de “lesão corporal de natureza gravíssima”, leva em conta fato registrado no boletim de ocorrência, de que os agentes de Segurança que atuaram na dispersão da festa naquela data teriam tentado persuadir amigos e parentes de Pereira a dizer que a vítima teria sido atingida por uma pedra.

Por meio de nota, a SSP-SP (Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo) informou que o caso é investigado pela Polícia Militar, pela Polícia Civil e que os agentes da PM serão ouvidos. Porém, o órgão não revelou quando isso irá acontecer.

Para a vítima, fica a indignação, somada à sensação de impunidade. “Os policiais que agiram naquela noite estão por aí, com saúde, com a visão. Só quero que a justiça seja feita e que os culpados arquem com a responsabilidade”, completou Pereira, que contratou advogado para mover ação contra o Estado.

Pereira, por sua vez, já foi ouvido e encaminhado para a realização de exames no IML (Instituto Médico-Legal) para comprovar se a lesão foi causada pela bala de borracha. O eletricista também prestou depoimento na Corregedoria da PM. “O fato está em fase de apuração tanto pela PM quanto pela Corregedoria”, destacou a SSP. 

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