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'Blockbusters' dominam cinemas da região


Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

21/06/2005 | 08:37


Estava na cara que isso aconteceria, mais dia menos dia. O circuito de cinema da região, que atualmente contabiliza 35 salas de exibição, está todo dominado, conforme sentenciaria aquele funkeiro, pelos blockbusters norte-americanos. Faça a conta: 12 salas estão reservadas para o novo Batman Begins, nove para Sr. e Sra. Smith e outras cinco têm como atração Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith. Ou seja, 26 das 35 salas do Grande ABC encontram-se comprometidas com apenas três filmes, não por acaso arrasa-quarteirões.

Poderia ser um sintoma do advento de julho, mês de recesso escolar. Não só. Este ano, tal qual os três passados e provavelmente muitos futuros, há uma oferta considerável de filmes caça-níqueis. Alguns itens do cardápio de 2005: Madagascar (próxima sexta) e Guerra dos Mundos (dia 29); O Quarteto Fantástico, A Fantástica Fábrica de Chocolate e Sin City, em julho; e no segundo semestre, A Ilha, Stealth – Ameaça Invisível, A Feiticeira, V de Vingança, O Galinho, Harry Potter e o Cálice de Fogo, As Crônicas de Nárnia e King Kong. Ufa!

A alta concentração de obras milionárias nesta e nas próximas semanas do ano é o retrato do que se tem como inferno do cinema enquanto arte: a hegemonia de um modo de produção, cuja principal escora é a correnteza financeira por trás das campanhas de marketing, de tal modo evoluídas que hoje fazem parte do planejamento inicial de qualquer filme com ambições comerciais, não raro concebidas antes do roteiro, por exemplo.

Não se trata aqui de uma análise qualitativa do filme-produto – mesmo porque, hoje em dia, com a multiplicidade de discursos e dos meios para transmiti-los, seria tacanho demais menosprezar uma obra pelo simples fato de ela pertencer a uma leva desconjurada por certos círculos críticos. Isso é preconceito disfarçado de opinião. No âmago do blockbuster é que algumas vezes se esconde o cítrico do cinema atual, que jamais pode ser encarado como arte estanque, direcionado ao sabor básico, “sem sal”, de muito “filme de arte” que se contenta em reproduzir ousadias de outras estações que, passado o tempo, hoje se transformaram em regras.

Batman Begins e Star Wars III, muito em função da persona de seus autores, transcendem de alguma forma esse comodismo. Mas nada justifica que eles, praticamente sozinhos, dominem um circuito. Afinal, para se chegar à conclusão do real valor desses filmes, para além do senso comum e da dinheirama neles investida, é fundamental afogar o olhar em outras experiências que não sejam rescaldos como Eliana e o Segredo dos Golfinhos, Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida e O Expresso Polar. Senhores exibidores, alguém aí já ouviu falar em diversidade?



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