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Robôs invadem a FEI em feira aberta ao público
Por Thuane Ianelli
Do Diário do Grande ABC
25/10/2010 | 07:49
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Caio Arruda/DGABC


Ferramentas, porcas, parafusos, caixas e mais caixas de softwares e muita tensão. Esse era o clima que pairava sobre o ginásio de esportes da FEI (Fundação Educacional Inaciana), ontem, em São Bernardo.

Desde sábado, é lá que cerca de 800 jovens inscritos para a Joint Conference - um dos mais importantes encontros da América Latina nas áreas de robótica, inteligência artificial e redes neurais - permanecerão até quarta-feira.

Organizado pela professora de engenharia elétrica da faculdade Esther Colombini, dentro do evento acontecem, simultaneamente, o Encontro Nacional de Robótica Inteligente, a Competição Latino-Americana de Robótica, as finais da Olimpíada Brasileira de Robótica, o Simpósio Brasileiro de Inteligência Artificial e o Simpósio Brasileiro de Redes Neurais Artificiais.

Dentro de um universo ainda taxado de masculino, Esther não liga para rótulos e diz que tenta fazer de sua figura uma forma de chamar a atenção de garotas para a área.

Durante estes dias, aproximadamente 200 equipes do Brasil e países da América Latina, como Chile, Colômbia, México, Costa Rica e Venezuela, disputarão títulos. As competições mais aguardadas são as da Robocup, que tem oito categorias e da IEEE, com cinco modalidades.

Na tarde de ontem, enquanto algumas equipes jogavam futebol com seus robôs, outras corriam contra o tempo, aflitas, para que tudo ficasse pronto. Há situações de grupos inteiros que têm passado boa parte da noite no local, à base de lanches e café, tudo para não fazer feio na hora do ‘vai ou racha'.

Caso da equipe de Danilo Gomes, 22 anos, do Instituto Mauá de Tecnologia. Aluno do 2º ano de Engenharia de Controle e Automação, ele competirá na IEEE Open Category.

Neste ano, os que se inscreveram nessa categoria deveriam desenvolver robôs que transportassem materiais. "Esta é uma das áreas na qual poucas pessoas gostam de competir, pois as especificações mudam todo ano. Assim, o tempo para execução acaba sendo pequeno", explicou Gomes.

HUMANOIDES - Cochilos nas arquibancadas à parte - o que já virou corriqueiro na conferência -, uma das atrações de ontem, e que promete prender a atenção dos visitantes, foi o humanoide francês Nao, que reproduz movimentos de tai chi chuan. O robô de 13 mil euros, que recebeu até salva de palmas, foi levado pela equipe da USP de São Carlos, coordenada pela professora Roseli Aparecida Francelin Romero. Segundo a doutora em robótica, esse é o único exemplar no Brasil.

Ao fazer análise sobre a evolução tecnológica no País, ela conclui que dentro de 20 anos teremos robôs dentro de nossas casas, assim como a Rose de Os Jetsons, porém com funções diferenciadas. "Acredito que eles serão úteis para auxiliar pessoas na execução de fisioterapias sem sair de casa. Eles também poderão ser utilizados em terapias ocupacionais e na reabilitação de pessoas com depressão e câncer."

Questionada a respeito do quanto custariam estes equipamentos, Roseli afirmou que, com o barateamento de softwares, eles serão acessíveis.

E quanto ao temor de muitos que acreditam na tendência da substituição de pessoas por robôs humanoides em empresas, a coordenadora do evento, Esther Colombini, é enfática: "A ideia é que eles substituam pessoas em ocasiões de perigo ou insalubres. E também deve ser levado em conta a necessidade de profissionais que construam e cuidem da manutenção dessas máquinas. Certamente, eles não causarão desemprego".

 




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