Memória

O executivo da memória do Futebol




Domingos não gosta de ser chamado de historiador. Também o é, mas prefere o termo ‘bibliófilo’, como outros colegas do Grupo Literatura e Memória do Futebol. Domingos também é conselheiro do São Paulo FC e foi perpetuado numa foto da revista Placar de 40 anos atrás. Formado em administração de empresas, ele tem uma ligação estreita com o mundo empresarial do Grande ABC.

Assim nasceu o Memofut.
O grupo de todas as torcidas

Depoimento: Domingos Antonio D’Angelo

Na infância e adolescência joguei futebol, em vários clubes de várzea no bairro onde resido, do Jabaquara à Cidade Vargas e no Colégio Mackenzie.
Cheguei a fazer parte do juvenil do Estrela da Saúde, no bairro da Saúde. Fui um razoável meio-campista e quarto zagueiro.
Neste mesmo período, frequentei o Pacaembu, levado pelo meu irmão Luiz e meu tio João, que fez minha cabeça para ser são-paulino.
Quando moleque, ao ir ao colégio, passava pela banca e pegava a Gazeta Esportiva. Meu pai pagava mensalmente a banca, que existe até hoje.
Com a inauguração do Morumbi, passei a frequentar o estádio. Sou proprietário de quatro cadeiras cativas, que acabaram servindo para mim e meus três filhos por muitos anos. Agora, com os netos, fazemos um revezamento. Atualmente, não vou mais ao estádio. Por gostar de futebol, comecei a me interessar pela literatura do futebol. O primeiro livro que chamou minha atenção foi <CF160>Drama e Glória dos Bicampeões</CF>, de Armando Nogueira e Araujo Neto, edição de 1962. Tenho uma biblioteca com 2.340 obras sobre futebol e espaço para mais 2.000. 

SÃO PAULO FC 
Sou sócio do Tricolor desde 1954. Em 1962 me tornei sócio olímpico, por ser proprietário de cadeira cativa. Por ser sócio há mais de 50 anos, sou sócio remido, conselheiro desde 1982 e conselheiro vitalício desde 2014.
Trabalhei voluntariamente como diretor adjunto do clube, nas gestões do Dr. Galvão, Marcelo Portugal Gouveia e Juvenal Juvêncio.

GRANDE ABC
Quando profissional de RH, fazia parte de um grupo de profissionais (Grupo Diógenes), que se reunia todo mês para uma troca de experiências, visando o desenvolvimento pessoal de seus participantes. Nesta época fui muitas vezes à GM de São Caetano (até hoje me lembro daqueles belíssimos portões), Volks na Via Anchieta, Chrysler, Firestone.
Quando trabalhei na Lacta fiz uma visita à Dulcora, (drops “embrulhados um a um”...) na Via Anchieta, linda fábrica, moderna.
Depois como consultor do Sindicato Patronal da Indústria de Chocolates e Balas, visitei a Chocolates Pan, em São Caetano, e Balas Juquinha, em Santo André.
Até hoje tenho na ‘cabeça’ a imagem da Cerâmica São Caetano, a caminho de Rudge Ramos.

RAÍZES E PRÓ-MEMÓRIA
Acompanho a história de São Caetano pela revista Raízes, publicada pela Fundação Pro-Memória. São Caetano é dos pouquíssimos municípios do País com uma entidade como esta, que cuida com tanto carinho da história.
Tenho a revista desde o número 51. Raízes dá atenção à história do futebol, tem sempre uma boa matéria, do Renato Donisete Pinto, grande são-paulino, Luiz Domingos Romano, palestrino emérito e colecionador, figura ímpar. Costumo chamá-lo de “Dom Luigi”, pela sua postura.
Em 2015, procurando obter uma edição de Raízes dedicada ao futebol, consegui meu primeiro exemplar, graças à gentileza da Paula Fiorotti. Edição especial em homenagem ao centenário do São Caetano EC. Estava reservada uma grande e alegre surpresa. Em artigo de Mário Porfirio Rodrigues, encontro uma foto onde estava meu pai, em 1946, em reunião de lançamento do Jornal de São Caetano.

O MEMOFUT

Em 2005, quando a internet não tinha ainda o alcance que tem atualmente, sentindo a dificuldade em obter informações sobre livros que tivessem o futebol como tema, decidimos criar um grupo que tratasse do assunto. Esta decisão teve como base a nossa experiência profissional, em grupos informais, que se reúnem mensalmente, para a troca de experiências e informações, da área de recursos humanos.
Entre 2005 e 2006, passamos a contatar pessoas interessadas. Em paralelo, fruto de uma nossa entrevista concedida ao jornalista Celso Unzelte para o Programa Loucos Por Futebol da ESPN, conhecemos, via internet, Alexandre Andolpho Silva.
Na 19ª Bienal do Livro, em março de 2006, por coincidência nos encontramos em frente ao stand da Livraria e Editora Pontes, que serviu para consolidar a aproximação, frente ao interesse pela literatura do futebol e criar um grupo de estudos.
Feitos contatos e colhidas informações, convidamos cerca de 30 pessoas, para uma reunião que criasse o grupo e estabelecesse seus objetivos.
A reunião foi realizada em 31 de março de 2007, um sábado pela manhã, em salão alugado no Hotel Arcor Saint Lawrence, no bairro do Paraíso. Comparecimento de 16 interessados, que foram os fundadores do Memofut. Dos 16, permanecem no grupo eu, o Alexandre, o Gustavo Longhi Carvalho e o Celso Unzelte.
O Memofut me enriqueceu. Suas reuniões são aulas sobre a história e literatura do futebol. O relacionamento é cordial e alegre, o que facilita o convívio de torcedores de times diferentes. Deixamos a paixão de lado.

ÍDOLOS
Na vida, sem dúvida, meu pai; no futebol, Zizinho; na literatura do futebol, Ruy Castro; no Memofut, o Dr. Sergio Miranda Paz, pelo seu fair-play, conhecimento da história do futebol e cultura. Sempre que escrever um livro, vou pedir a revisão para o Sergio e o Gustavo. Craques.

EMOÇÕES
Muitas: o primeiro emprego na Lacta, o casamento há 56 anos, ser pai e avô. Mais recentemente, ter escrito dois livros sobre o futebol.

Troca de passes
Nascimento – São Paulo, 6-5-1938.
Filiação –  Domingos Antonio D’Angelo Neto e Alice Campana D’Angelo. O pai, jornalista e advogado, diretor do Palestra na década de 30 e diretor do jornal O Esporte, concorrente da Gazeta. “Sou filho de jornalista, irmão, pai, sogro e ainda resido na Rua dos Jornalistas”...
Esposa – Vera Alice Ferreira Prado D’Angelo.
Filhos – Marcello, Fábio e Renato
Netos – Sete homens e uma neta, Isabella, “primeira e única, todos são-paulinos...”.
Formação – Superior em administração de empresas, com especialização em administração de recursos humanos.
Atividades Profissionais – Prestador de serviços como consultor na área de negociações coletivas de trabalho, do setor alimentício, cacau e balas.
Pessoalmente – Depois de 26 anos nesta área de consultor e 58 anos de trabalho iniciado na juventude, pensa que talvez este seja o último ano. Em 2022, só vai cuidar da história e literatura do futebol.
O Autor – Livros que escreveu: <CF160>Bibliofut, a Literatura do Futebol Brasileiro (Jundiaí, editora In House, 2019, 388 p, em parceria com Ademir Takara); A Data de Fundação do São Paulo FC (São Paulo, DBA, 2020, 48 p., com o filho Marcello Antonio D’Angelo).

Diário há meio século

Quinta-feira, 6 de maio de 1971 – ano 13, edição 1528

Destaque – Prefeitura de São Bernardo doa terreno à Santa Casa de Misericórdia.

Em 6 de maio de...

1931 – Estava aberta a concorrência pública para o calçamento da Rua Marechal Deodoro, em São Bernardo, entre Largo Santa Filomena e a Rua Silva Jardim, em área de 14 mil m².

Santos do Dia

- Benta ou Benedita de Roma.
Viveu no sexto século e era uma freira de um convento fundado em Roma por Santa Galla.
- Savio

Hoje

- Dia do Cartógrafo 

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