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Gabriel nos mostra como perdemos joias


Artilheiro da Libertadores e do Campeonato Brasileiro, autor dos dois gols que deram ao Flamengo o título do torneio sul-americano, sábado, contra o River Plate. Gabriel Barbosa, 23 anos, é um dos principais jogadores do valorizado elenco do Rubro-Negro e passou despercebido pelos times do Grande ABC. Nascido em São Bernardo, disputou diversos torneios de base pela região, inclusive a Copa Diarinho, promovida e organizada pelo Diário, quando tinha 11 anos. Mas foi direto para o Santos, ao ser visto em ação pelo ex-volante Zito, olheiro do Peixe (morto em 2015), em partida de futsal. É mais um caso entre tantos outros de joias que nascem por aqui e vão brilhar lá fora.

Do Grande ABC, certamente, Gabigol não tem boas recordações. Ele morava com a família no bairro Montanhão, em São Bernardo, e seu pai, Valdemir Silva, em entrevista ao Portal UOL, em 2015, evidenciou a difícil rotina que levavam. “Moramos na favela e passamos necessidade. Pegávamos dinheiro emprestado para o Gabriel treinar. Já vimos gente morrer na nossa frente. Eram com frequência (as mortes), bandidos matando bandidos. Foi difícil no começo, mas depois fizemos muitos amigos e o bairro se tornou um lugar gostoso”, garante o pai.

Gabriel não é o único jogador que nasceu e morou no Grande ABC, mas nunca teve oportunidade de jogar por aqui. Quase toda temporada aparecem dois ou três casos assim. O mais recente é de outro atacante fisgado pelo Santos na região, Tailson, 20 anos, que mora em Santo André, chegou a passar em peneira no Grêmio Mauaense, mas desde os 14 anos está vinculado ao Peixe. Agora, recebendo oportunidades do técnico Jorge Sampaoli, teve a multa reajustada para 100 milhões de euros (cerca de R$ 444 milhões) para clubes do Exterior.

A falta de estrutura das equipes do Grande ABC explica bem esse êxodo de talentos para os clubes de São Paulo. Nenhum time tem, por exemplo, centro de treinamento adequado para avaliar e preparar os jogadores. O São Bernardo FC está perto de mudar essa história e promete anunciar ainda este ano instalações próprias para as categorias de base. O Santo André também está preparando o antigo Clube de Campo para esse fim, já construiu alojamentos e agora procura parceiros para fazer os campos de futebol. Digamos que é uma luz para que em futuro bem próximo consigamos segurar na região o que de bom é produzido por aqui.

BELO EXEMPLO
Mesmo ainda sem centro de treinamento, o Santo André tem colhido bons resultados entre os mais jovens. Depois do terceiro lugar no Paulista Sub-11 de 2018, esse mesmo grupo se credenciou para disputar sexta-feira, às 17h, a final do Paulista Cup Sub-12, contra o Red Bull, no Parque São Jorge, em São Paulo. Os bons resultados não deixam dúvidas de que o trabalho, que iniciou com Alexandre Seichi – que foi promovido ao elenco Sub-15 – e que agora é conduzido por Murilo Matheus, vai trazer bons resultados no futuro ao Ramalhão.

Isso não quer dizer que os grandes jogadores vão ficar aqui por muito tempo, nem é essa a ideia. O assédio dos clubes de São Paulo uma hora ou outra acaba pesando. E isso tem acontecido cada vez mais cedo. Deste time sub-12, por exemplo, o Santo André negociou um dos principais destaques, o atacante Felipe Goto, que agora defende o Palmeiras. Mas pelo menos o jogador, nascido em São Bernardo, encontrou no Ramalhão uma porta aberta e é assim que tem que ser.

TUDO RESOLVIDO?
Tenho tentado insistentemente conversar com o presidente do São Caetano, Nairo Ferreira de Souza. Quero dar espaço para que ele nos explique como o clube passou de exemplo nacional, com fama de bom pagador, para time inadimplente, sendo cobrado publicamente pelos próprios jogadores, algo incomum nos 30 anos de história, que serão completados no dia 4 de dezembro. Acho que o dirigente deve explicações não a mim, mas aos torcedores e toda a população de São Caetano.

O merecido título da Copa Paulista amenizou um pouco a crise financeira, mas não se sabe como está a situação no blindado ambiente do Azulão. Praticamente todo elenco tem contrato para a temporada 2020, mas se os jogadores já não estavam recebendo os salários em plena competição, como será agora nos meses de férias e preparação para a Série A-2? Sem uma receita nova ou a volta do empresário Saul Klein como investidor, temo pela continuidade do clube, que se mostrou insustentável financeiramente ao longo dos últimos anos.

PALPITÃO DO FATTORI
Esta é minha última coluna em 2019, já que entro de férias em dezembro. Antes dos tradicionais chutes semanais, quero dizer que sou muito mais Flamengo no Mundial de Clubes. O time carioca encontrou a junção perfeita da confiança e qualidade técnica. Apesar de reconhecer a grande força do Liverpool, que em 13 jogos do Campeonato Inglês tem 12 vitórias e um empate, aposto todas as fichas no Rubro-Negro. Brasileirão – Rodada 35: Corinthians 0 x 0 Avaí; Fluminense 1 x 1 Palmeiras; Fortaleza 1 x 2 Santos; e São Paulo 2 x 0 Vasco. Rodada 36: Palmeiras 1 x 3 Flamengo; Atlético-MG 2 x 0 Corinthians; Grêmio 1 x 1 São Paulo; e Santos 4 x 0 Chapecoense. 

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