Política

Grande ABC vê desacelerar aumento no número de eleitores


O eleitorado do Grande ABC cresceu entre 2016 e 2018, mas em um ritmo menor do que a comparação de anos anteriores. Levantamento feito pelo Diário junto a dados fornecidos pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) indicam alta de 1,28% no número de votantes nas sete cidades, porém, é o menor índice de majoração da década. Especialista acredita que o fenômeno da descrença da política, principalmente entre os jovens, afetou diretamente a quantidade de pessoas aptas ao voto na região.

Em 2016, quando houve eleições municipais, o Grande ABC possuía 2.068.802 eleitores. Agora, são 2.095.217. Ou seja, em dois anos, a região ganhou 26.415 votantes. Esse número é quase metade da evolução registrada entre 2010 e 2012, quando as sete cidades contabilizaram 46.903 novos eleitores – alta de 2,42% no período. Entre 2012 e 2014, o acréscimo foi de 2,33%. De 2014 a 2016, de 2,02%.

“A desaceleração no aumento do número de eleitores tem ocorrido em todo o País. A razão está muito atrelada ao desencanto com a política. A pessoa já não quer ir votar. Isso também foi expressado através do grande número de abstenções que tivemos na última eleição”, disse o professor de Filosofia Política e Ética da Universidade Presbiteriana Mackenzie, da Capital, Gérson Leite de Moraes. Na região, por exemplo, quase 40% dos eleitores aderiram ao “não voto” – abstenções, brancos e nulos.

No estrato por cidade, Rio Grande da Serra apresentou queda no número de eleitores. Eram 34.886 devidamente registrados na Justiça Eleitoral em 2016, agora são 34.882 – diminuição de quatro pessoas.

Gérson Leite de Moraes apontou também como causador da redução do ritmo de crescimento o adiamento do jovem em ingressar efetivamente na política. Se antes um adolescente de 16 anos já possuía o título de eleitor, mesmo sem a obrigação (a necessidade do documento é a partir de 18 anos), hoje, esse jovem prefere aguardar a maioridade para retirar o documento. “É visível a falta de interesse do jovem no jogo e com os atores políticos. Ou por não entender ou por não gostar de como as coisas estão sendo feitas”, pontuou o especialista.

Fato é que, segundo Moraes, no Brasil e em alguns outros países, a “democracia representativa está morrendo”. O povo já não mais se sente representado por esse modelo de governo e se interessa em buscar ou entender outro tipo de gestão, avaliou o docente. “O jovem que não viveu a ditadura (militar, de 1964 a 1985) não dá muita importância para o voto. Os políticos não tratam a democracia da maneira correta. Não estamos vivendo uma democracia plena.”

Apesar de no Brasil o voto facultativo ainda não estar nem em discussão, o professor alega que essa modalidade já ocorre no País mesmo que de forma velada. “Muitos eleitores estão preferindo justificar o voto ao invés de irem até a urna. Se o voto facultativo fosse liberado, o número de eleitores cairia muito”, explicou.

GÊNERO

Mais uma vez o eleitorado feminino é maior do que o masculino no Grande ABC. São, no total, 1.104.191 mulheres aptas ao voto, ante 979.709 homens. O TSE também separa o campo de “gênero indefinido”, embora não explique esse conceito.

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