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Mauro Mendonça rouba cena em Cabocla


André Bernardo
Da TV Press

24/07/2004 | 17:10


A profissão de ator é a única em que o adjetivo ladrão não tem conotação ofensiva. Pelo contrário. Ser chamado de ladrão de cenas é um elogio e tanto. Sinal de que um determinado ator não passa despercebido, mesmo quando seu personagem não é protagonista. Mauro Mendonça é o que se pode chamar de exímio ladrão de cenas. Aos 74 anos, valoriza todo e qualquer trabalho. Ainda mais quando o personagem é o ardiloso Justino, de Cabocla, novela das seis da Globo, um dos candidatos à prefeitura de Vila da Mata. "Um ator de verdade nunca se dá por satisfeito. Estou amadurecendo, mas, graças a Deus, continuo tendo bons papéis para fazer. Trabalhar rejuvenesce", brinca, desfazendo o habitual ar carrancudo.

A julgar pelo atual trabalho, Mendonça tem demonstrado entusiasmo quase juvenil. E não é para menos. Depois de alguns anos, ele volta a interpretar um sujeito prepotente, irascível, ambicioso. Quase um vilão, o tipo predileto de nove entre dez atores. Além disso, ele torna a fazer novela de época, quase uma exceção em mais de 40 anos de TV. Por coincidência, as duas únicas experiências no gênero foram Sinhá Moça e Vida Nova, ambas de Benedito Ruy Barbosa. "Os personagens do Benedito são todos amplos, críveis, humanos. Além disso, têm ideologia, visão crítica. Isso é sempre característica de um bom autor", elogia.

TV PRESS – Por que muitos atores preferem tipos vis e ardilosos, como o Justino, de Cabocla, a outros, mais íntegros e honestos?

MAURO MENDONÇA – Porque são os vilões que, na maioria das vezes, funcionam como os agentes da ação. Você pode notar: está sempre acontecendo algo com eles. Já os mocinhos não têm muitas ações bacanas. Quem age negativamente acaba provocando mais o telespectador. Por isso, o público sempre repercute mais e melhor as histórias dos vilões. Mas eu diria que o Justino não chega a ser exatamente um vilão. Ele comete algumas vilanias, é verdade, mas é ele um ser humano. Exacerbado, radical, prepotente, irascível, ambicioso... mas um ser humano.

TV PRESS – Pode-se dizer que, ao longo da carreira, você tenha feito menos vilões do que gostaria?

MENDONÇA – Ah, sim, com certeza. Quase nunca fiz vilões. O último deles foi o Rui Novaes, do remake de Anjo Mau. Mas aquele também só virou vilão no final da novela. Até então, era um tesoureiro de campanha corrupto. No fim, quando se viu ameaçado, inventou mil tramóias, pensou em matar a mulher, o escambau. Mas o Rui tinha um senso de humor incrível! Também, você já viu algum 171 antipático? Não existe! É tudo gente simpática, falante, que poderia até dar aulas de boas maneiras. São papéis assim, como o Rui e o Justino, que dão ao ator a possibilidade de ele se divertir e de exercitar o seu ofício.

TV PRESS – O embate entre Justino e Boanerges promete desde o primeiro capítulo de Cabocla. Você e o Tony Ramos têm se divertido nas gravações?

MENDONÇA – Muito. A gente se diverte muito e come muito também. As comidas dessa novela são todas maravilhosas. Logo no primeiro dia de gravação, elogiei a equipe de produção porque não estava me sentindo num estúdio de televisão. Estava me sentindo em casa. Hoje em dia, quando recebo o roteiro e vejo que tem cenas de jantar, eu nem almoço direito. Deixo para comer durante a gravação. O Tony mesmo já falou que o elenco engordará uns 20 quilos até o final da novela. Mas, respondendo a pergunta, acho que um dos méritos do Benedito é servir à mesa direitinho. Ele serve bem à mesa para todos. O Justino e o Boanerges, por exemplo, são dois políticos matreiros em matéria de convivência. Os dois se detestam, mas, quando se encontram, é um tal de "Tarde, coroné... Como vai o senhor?" e "Muito bem, coroné. E o senhor?". Na frente um do outro, é isso. Mas, por trás, é aquela raiva que você já sabe.

TV PRESS – O elenco de Cabocla é formado também por jovens atores, como Vanessa Giácomo, Malvino Salvador e Daniel Oliveira. Como o senhor vê essa interação?

MENDONÇA – Nas gravações, ando sempre com um revólver no coldre. Quando alguém começa a errar muito o texto, ameaço: "Olha aqui, se não acertar o texto, vai levar tiro, viu!" (risos). Estão todos muito bem. É como se os mais jovens dissessem: "Chegamos e vamos acontecer". Estão todos dando o melhor de si. Quando os veteranos jogam a peteca para os mais novos, eles não a deixam cair. Isso tudo justifica a boa audiência de Cabocla.

TV PRESS – Depois de tanto tempo de carreira, você ainda se emociona antes de um novo trabalho?

MENDONÇA – O fascínio dessa minha profissão é que você nunca está satisfeito. Eu nunca vou poder pensar coisas do tipo "Pronto, já não preciso fazer mais nada, porque já fiz tudo!". Isso não é verdade! Cada vez que você começa a fazer algo novo, descobre também um desafio novo para enfrentar, uma responsabilidade nova para assumir. Graças a Deus, estou amadurecendo, mas continuo tendo bons papéis para fazer. Diria até que trabalho rejuvenesce. Ao contrário do que muitos acham, envelhecer é bom para o ator.



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Mauro Mendonça rouba cena em Cabocla

André Bernardo
Da TV Press

24/07/2004 | 17:10


A profissão de ator é a única em que o adjetivo ladrão não tem conotação ofensiva. Pelo contrário. Ser chamado de ladrão de cenas é um elogio e tanto. Sinal de que um determinado ator não passa despercebido, mesmo quando seu personagem não é protagonista. Mauro Mendonça é o que se pode chamar de exímio ladrão de cenas. Aos 74 anos, valoriza todo e qualquer trabalho. Ainda mais quando o personagem é o ardiloso Justino, de Cabocla, novela das seis da Globo, um dos candidatos à prefeitura de Vila da Mata. "Um ator de verdade nunca se dá por satisfeito. Estou amadurecendo, mas, graças a Deus, continuo tendo bons papéis para fazer. Trabalhar rejuvenesce", brinca, desfazendo o habitual ar carrancudo.

A julgar pelo atual trabalho, Mendonça tem demonstrado entusiasmo quase juvenil. E não é para menos. Depois de alguns anos, ele volta a interpretar um sujeito prepotente, irascível, ambicioso. Quase um vilão, o tipo predileto de nove entre dez atores. Além disso, ele torna a fazer novela de época, quase uma exceção em mais de 40 anos de TV. Por coincidência, as duas únicas experiências no gênero foram Sinhá Moça e Vida Nova, ambas de Benedito Ruy Barbosa. "Os personagens do Benedito são todos amplos, críveis, humanos. Além disso, têm ideologia, visão crítica. Isso é sempre característica de um bom autor", elogia.

TV PRESS – Por que muitos atores preferem tipos vis e ardilosos, como o Justino, de Cabocla, a outros, mais íntegros e honestos?

MAURO MENDONÇA – Porque são os vilões que, na maioria das vezes, funcionam como os agentes da ação. Você pode notar: está sempre acontecendo algo com eles. Já os mocinhos não têm muitas ações bacanas. Quem age negativamente acaba provocando mais o telespectador. Por isso, o público sempre repercute mais e melhor as histórias dos vilões. Mas eu diria que o Justino não chega a ser exatamente um vilão. Ele comete algumas vilanias, é verdade, mas é ele um ser humano. Exacerbado, radical, prepotente, irascível, ambicioso... mas um ser humano.

TV PRESS – Pode-se dizer que, ao longo da carreira, você tenha feito menos vilões do que gostaria?

MENDONÇA – Ah, sim, com certeza. Quase nunca fiz vilões. O último deles foi o Rui Novaes, do remake de Anjo Mau. Mas aquele também só virou vilão no final da novela. Até então, era um tesoureiro de campanha corrupto. No fim, quando se viu ameaçado, inventou mil tramóias, pensou em matar a mulher, o escambau. Mas o Rui tinha um senso de humor incrível! Também, você já viu algum 171 antipático? Não existe! É tudo gente simpática, falante, que poderia até dar aulas de boas maneiras. São papéis assim, como o Rui e o Justino, que dão ao ator a possibilidade de ele se divertir e de exercitar o seu ofício.

TV PRESS – O embate entre Justino e Boanerges promete desde o primeiro capítulo de Cabocla. Você e o Tony Ramos têm se divertido nas gravações?

MENDONÇA – Muito. A gente se diverte muito e come muito também. As comidas dessa novela são todas maravilhosas. Logo no primeiro dia de gravação, elogiei a equipe de produção porque não estava me sentindo num estúdio de televisão. Estava me sentindo em casa. Hoje em dia, quando recebo o roteiro e vejo que tem cenas de jantar, eu nem almoço direito. Deixo para comer durante a gravação. O Tony mesmo já falou que o elenco engordará uns 20 quilos até o final da novela. Mas, respondendo a pergunta, acho que um dos méritos do Benedito é servir à mesa direitinho. Ele serve bem à mesa para todos. O Justino e o Boanerges, por exemplo, são dois políticos matreiros em matéria de convivência. Os dois se detestam, mas, quando se encontram, é um tal de "Tarde, coroné... Como vai o senhor?" e "Muito bem, coroné. E o senhor?". Na frente um do outro, é isso. Mas, por trás, é aquela raiva que você já sabe.

TV PRESS – O elenco de Cabocla é formado também por jovens atores, como Vanessa Giácomo, Malvino Salvador e Daniel Oliveira. Como o senhor vê essa interação?

MENDONÇA – Nas gravações, ando sempre com um revólver no coldre. Quando alguém começa a errar muito o texto, ameaço: "Olha aqui, se não acertar o texto, vai levar tiro, viu!" (risos). Estão todos muito bem. É como se os mais jovens dissessem: "Chegamos e vamos acontecer". Estão todos dando o melhor de si. Quando os veteranos jogam a peteca para os mais novos, eles não a deixam cair. Isso tudo justifica a boa audiência de Cabocla.

TV PRESS – Depois de tanto tempo de carreira, você ainda se emociona antes de um novo trabalho?

MENDONÇA – O fascínio dessa minha profissão é que você nunca está satisfeito. Eu nunca vou poder pensar coisas do tipo "Pronto, já não preciso fazer mais nada, porque já fiz tudo!". Isso não é verdade! Cada vez que você começa a fazer algo novo, descobre também um desafio novo para enfrentar, uma responsabilidade nova para assumir. Graças a Deus, estou amadurecendo, mas continuo tendo bons papéis para fazer. Diria até que trabalho rejuvenesce. Ao contrário do que muitos acham, envelhecer é bom para o ator.

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