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Produção de veículos volta ao nível de 2003

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

No acumulado do ano, queda é de 17,7% ante 2015,
longe da estimativa de recuo de 5,5% da Anfavea


Vinícius Claro
Especial para o Diário

08/11/2016 | 07:06


A produção de veículos no Brasil atingiu o pior patamar no acumulado do ano desde 2003, de acordo com dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Em dez meses, foram fabricadas 1,739 milhão de unidades, número 17,7% inferior ao no mesmo período do ano passado. Se comparado a 2013, quando houve o recorde de produção, com 3,188 milhões de veículos, o montante é 45,5% menor.

No resultado de outubro, a produção de automóveis cresceu em 3.900 unidades em comparação a setembro, totalizando 174,2 mil, mas ainda está muito abaixo do ritmo necessário para atingir as projeções da Anfavea.

A associação espera produção de 2,296 milhões de veículos em 2016, número 5,5% inferior a 2015, que teve 2,429 milhões de unidades fabricadas. Até o momento, saíram das montadoras 1,738 milhão, com ritmo mensal de 173,8 mil unidades por mês. Para atingir a meta da Anfavea, porém, é necessário fabricar 557 mil veículos, cerca de 278,5 mil por mês – a última vez em que a produção superou a casa dos 200 mil foi em outubro de 2014.

Para o consultor automotivo Vinicius Lossaco, as fábricas têm a possibilidade de atingir o patamar de produção esperado, mas ele questiona se essas unidades serão vendidas, devido à atual conjuntura econômica. Ele considera o crédito o principal entrave. “Hoje, o consumidor não consegue financiamento. Para vender, as próprias montadoras fazem crédito direto ou oferecem superfacilidades.”

Lossaco explica que houve um erro na dosagem sobre o crédito. Para ele, no passado recente, de 2009 a 2013, houve muita abertura, o que gerou alto endividamento e, hoje, a porta está muito fechada. A visão do consultor é confirmada pela própria Anfavea, que divulgou que outubro atingiu o menor percentual de veículos financiados da história. O parcelamento correspondeu a 51,7% das vendas, e o restante à vista.

OTIMISMO - Um dos fatores que seguraram mudanças nas projeções da Anfavea foi um crescimento no otimismo do mercado. Assim, a entidade aguarda produção muito forte para o último bimestre.

Para Antonio Megale, presidente da Anfavea, “apesar de outubro ter quase dois dias úteis a menos, foi possível observar uma estabilidade da média diárias de vendas em torno de 8.000 unidades. Os indicadores econômicos estão progredindo, a confiança sobe e o medo do desemprego diminui. E ainda temos a realização do Salão do Automóvel agora (começa na quinta-feira). A expectativa é boa.” Além disso, a retomada da Volkswagen, após problemas com bancos, anima o executivo.

O estoque de veículos, no entanto, chega a 40 dias, totalizando 209,2 mil unidades, sendo 156,4 mil nas concessionárias e 52,8 mil nas fábricas.


Emprego no setor tem menor índice para outubro desde 2009

Um dos fatores que podem dificultar a produção de veículos no fim do ano é a mão de obra disponível. O nível do emprego na indústria automotiva nacional é a pior para outubro desde 2009, ápice da crise econômica internacional.

O volume de operários nas montadoras encerrou o mês passado com 123,7 mil trabalhadores, redução em torno de 900 pessoas em relação a setembro. Em outubro de 2009, eram 121,8 mil funcionários.

A Anfavea também divulgou que 7.700 trabalhadores estão em regime de carga reduzida como lay-off (suspensão temporária de contratos) ou PPE (Programa de Proteção ao Emprego). Em agosto, para se ter ideia, eram 22,3 mil operários nestas condições. De lá para cá, porém, duas fábricas da região, a Mercedes-Benz e a Volkswagen, realizaram PDVs (Programas de Demissão Voluntária), a primeira eliminou 2.055 postos e, a segunda, 1.337.

Do atual montante de profissionais, 2.400 empregados estão em lay-off, modelo no qual os funcionários ficam até cinco meses longe das fábricas e 5.300 em PPE, medida na qual são reduzidos a carga horária e os salários em até 30%.  



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Produção de veículos volta ao nível de 2003

No acumulado do ano, queda é de 17,7% ante 2015,
longe da estimativa de recuo de 5,5% da Anfavea

Vinícius Claro
Especial para o Diário

08/11/2016 | 07:06


A produção de veículos no Brasil atingiu o pior patamar no acumulado do ano desde 2003, de acordo com dados da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Em dez meses, foram fabricadas 1,739 milhão de unidades, número 17,7% inferior ao no mesmo período do ano passado. Se comparado a 2013, quando houve o recorde de produção, com 3,188 milhões de veículos, o montante é 45,5% menor.

No resultado de outubro, a produção de automóveis cresceu em 3.900 unidades em comparação a setembro, totalizando 174,2 mil, mas ainda está muito abaixo do ritmo necessário para atingir as projeções da Anfavea.

A associação espera produção de 2,296 milhões de veículos em 2016, número 5,5% inferior a 2015, que teve 2,429 milhões de unidades fabricadas. Até o momento, saíram das montadoras 1,738 milhão, com ritmo mensal de 173,8 mil unidades por mês. Para atingir a meta da Anfavea, porém, é necessário fabricar 557 mil veículos, cerca de 278,5 mil por mês – a última vez em que a produção superou a casa dos 200 mil foi em outubro de 2014.

Para o consultor automotivo Vinicius Lossaco, as fábricas têm a possibilidade de atingir o patamar de produção esperado, mas ele questiona se essas unidades serão vendidas, devido à atual conjuntura econômica. Ele considera o crédito o principal entrave. “Hoje, o consumidor não consegue financiamento. Para vender, as próprias montadoras fazem crédito direto ou oferecem superfacilidades.”

Lossaco explica que houve um erro na dosagem sobre o crédito. Para ele, no passado recente, de 2009 a 2013, houve muita abertura, o que gerou alto endividamento e, hoje, a porta está muito fechada. A visão do consultor é confirmada pela própria Anfavea, que divulgou que outubro atingiu o menor percentual de veículos financiados da história. O parcelamento correspondeu a 51,7% das vendas, e o restante à vista.

OTIMISMO - Um dos fatores que seguraram mudanças nas projeções da Anfavea foi um crescimento no otimismo do mercado. Assim, a entidade aguarda produção muito forte para o último bimestre.

Para Antonio Megale, presidente da Anfavea, “apesar de outubro ter quase dois dias úteis a menos, foi possível observar uma estabilidade da média diárias de vendas em torno de 8.000 unidades. Os indicadores econômicos estão progredindo, a confiança sobe e o medo do desemprego diminui. E ainda temos a realização do Salão do Automóvel agora (começa na quinta-feira). A expectativa é boa.” Além disso, a retomada da Volkswagen, após problemas com bancos, anima o executivo.

O estoque de veículos, no entanto, chega a 40 dias, totalizando 209,2 mil unidades, sendo 156,4 mil nas concessionárias e 52,8 mil nas fábricas.


Emprego no setor tem menor índice para outubro desde 2009

Um dos fatores que podem dificultar a produção de veículos no fim do ano é a mão de obra disponível. O nível do emprego na indústria automotiva nacional é a pior para outubro desde 2009, ápice da crise econômica internacional.

O volume de operários nas montadoras encerrou o mês passado com 123,7 mil trabalhadores, redução em torno de 900 pessoas em relação a setembro. Em outubro de 2009, eram 121,8 mil funcionários.

A Anfavea também divulgou que 7.700 trabalhadores estão em regime de carga reduzida como lay-off (suspensão temporária de contratos) ou PPE (Programa de Proteção ao Emprego). Em agosto, para se ter ideia, eram 22,3 mil operários nestas condições. De lá para cá, porém, duas fábricas da região, a Mercedes-Benz e a Volkswagen, realizaram PDVs (Programas de Demissão Voluntária), a primeira eliminou 2.055 postos e, a segunda, 1.337.

Do atual montante de profissionais, 2.400 empregados estão em lay-off, modelo no qual os funcionários ficam até cinco meses longe das fábricas e 5.300 em PPE, medida na qual são reduzidos a carga horária e os salários em até 30%.  

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