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Jornada dupla é quase regra no Santo André Futsal

Presidente estima que 60% dos jogadores trabalham durante o dia e calçam as chuteiras à noite


Dérek Bittencourt

06/08/2018 | 07:00


 Das 6h às 14h50, eles são Diego Cristian Valadão da Silva, 28 anos, e Felipe Silva Leite, 24, operadores de máquinas de uma empresa de aço de Diadema. Depois disso, quando calçam as chuteiras, se transformam no ala-direito Xaropinho e no fixo Mancine – respectivamente – jogadores do Santo André Futsal, time que vem surpreendendo em sua primeira participação na Liga Paulista e está a uma vitória da classificação antecipada às oitavas de final (leia mais abaixo). Por não terem alternativa em se dedicar apenas à carreira esportiva, carregam história similar de priorização do trabalho para sustentar a família, mas, neste ano, aceitaram o convite e se aventuraram no time andreense para uma jornada dupla na tentativa de realizarem seus sonhos nas quadras.

Mancine veio do futebol de campo. Revelado no CAD (Clube Atlético Diadema), ficou três anos no clube, defendeu ainda Água Santa, Juventus e Noroeste, até ter de optar pelo chão de fábrica. “Tive minha filha e aqui (empresa) foi a primeira porta que abriu para mim. Foi sensacional”, conta. Já Xaropinho tem mais laços com o salão. Iniciou no clube da Mercedes, passou pela extinta Volkswagen e chegou a ter experiência de oito meses no São Paulo FC, quando ficou em período de testes em Cotia, mas não passou “por causa do tamanho”, conta ele. “Entrei em depressão, quis parar de jogar, mas com o tempo consegui voltar e focar no salão, que é meu forte”, celebra o ala, que é vice-artilheiro da Liga, com 11 gols.

Companheiros de time, dividem também o espaço de trabalho, afinal ficam lado a lado na máquina de cortar aço. Sem revelar números, falam sobre a necessidade da jornada dupla para complementarem a renda. “Não adianta falar que não fica cansado, porque é cansativo, mas se estiver focado e determinado dá para conciliar os dois objetivos”, diz Xaropinho. “Para quem acorda cedo, ir treinar ou jogar à noite, às vezes tem viagem longa e chega às 3h para as 5h estar aqui novamente trabalhando, é puxado. Mas sem misturar. Não é justo”, emenda.

Outro que encara jornada dupla é Tarcísio Canossa de Camargo, 29, que durante o dia trabalha em agência de empregos da cidade e, à noite, é o experiente goleiro que carrega anos de Jaraguá Futsal. “Faço expediente normal e depois vou para o treino. É corrido, mas faz parte do processo. Uma renda complementa a outra. Cansativo, mas prazeroso.”

De acordo com o presidente do time, Rodolfo Guedes, cerca de 60% da equipe tem esta vida dupla. Mas a expectativa é poder melhorar as condições. “Se tivesse estrutura para mantê-los com a cabeça focada só no Santo André, com certeza o resultado seria ainda maior. A gente treina uma hora e meia por dia, enquanto as grandes equipes trabalham em dois períodos. Só podemos oferecer uma ajuda de custo aos jogadores. Mas o comprometimento que tiveram com o projeto e a ideia que compraram são os segredos do sucesso. Vamos pensar para o próximo ano em mantê-los 100% voltados ao futsal, porque, com certeza, Santo André tem condições de se tornar potência”, almeja o dirigente, idealizador do time.

Equipe pode alcançar segunda fase logo em seu primeiro ano
O Santo André Futsal entra em quadra hoje para fazer história. Ou pelo menos escrever mais um importante capítulo dela. Às 20h, no Ginásio Noemia Assumpção, o time pode alcançar a classificação antecipada às oitavas de final da Liga Paulista. O rival será o antepenúltimo colocado Indaiatuba.

“Podemos antecipar a classificação sem depender de ninguém. Campanha histórica, mesmo com todas as nossas dificuldades, logo no primeiro ano do projeto”, exalta o presidente Rodolfo Guedes. O sucesso do time repercutiu, tanto que dois jogadores já foram transferidos, um para o futsal da Itália e outro para o futebol de campo da Arábia Saudita.

“É inacreditável estar entre os melhores por ser o primeiro ano. Antes, quando o Rodolfo veio falando sobre o projeto, ninguém botou fé. Nós acreditamos, ele saiu do papel e olha onde o time está agora”, diz o fixo Mancine. “O Ivan é excelente treinador, sabe o que quer. Estamos bem focados no projeto, conseguindo trazer o resultado”, emenda o jogador, em reconhecimento ao trabalho do comandante da equipe. “Muita gente desacreditou da gente. Mas nos fechamos, dissemos que correríamos por nós e faríamos nossos nomes”, conclui o ala Xaropinho.



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Jornada dupla é quase regra no Santo André Futsal

Presidente estima que 60% dos jogadores trabalham durante o dia e calçam as chuteiras à noite

Dérek Bittencourt

06/08/2018 | 07:00


 Das 6h às 14h50, eles são Diego Cristian Valadão da Silva, 28 anos, e Felipe Silva Leite, 24, operadores de máquinas de uma empresa de aço de Diadema. Depois disso, quando calçam as chuteiras, se transformam no ala-direito Xaropinho e no fixo Mancine – respectivamente – jogadores do Santo André Futsal, time que vem surpreendendo em sua primeira participação na Liga Paulista e está a uma vitória da classificação antecipada às oitavas de final (leia mais abaixo). Por não terem alternativa em se dedicar apenas à carreira esportiva, carregam história similar de priorização do trabalho para sustentar a família, mas, neste ano, aceitaram o convite e se aventuraram no time andreense para uma jornada dupla na tentativa de realizarem seus sonhos nas quadras.

Mancine veio do futebol de campo. Revelado no CAD (Clube Atlético Diadema), ficou três anos no clube, defendeu ainda Água Santa, Juventus e Noroeste, até ter de optar pelo chão de fábrica. “Tive minha filha e aqui (empresa) foi a primeira porta que abriu para mim. Foi sensacional”, conta. Já Xaropinho tem mais laços com o salão. Iniciou no clube da Mercedes, passou pela extinta Volkswagen e chegou a ter experiência de oito meses no São Paulo FC, quando ficou em período de testes em Cotia, mas não passou “por causa do tamanho”, conta ele. “Entrei em depressão, quis parar de jogar, mas com o tempo consegui voltar e focar no salão, que é meu forte”, celebra o ala, que é vice-artilheiro da Liga, com 11 gols.

Companheiros de time, dividem também o espaço de trabalho, afinal ficam lado a lado na máquina de cortar aço. Sem revelar números, falam sobre a necessidade da jornada dupla para complementarem a renda. “Não adianta falar que não fica cansado, porque é cansativo, mas se estiver focado e determinado dá para conciliar os dois objetivos”, diz Xaropinho. “Para quem acorda cedo, ir treinar ou jogar à noite, às vezes tem viagem longa e chega às 3h para as 5h estar aqui novamente trabalhando, é puxado. Mas sem misturar. Não é justo”, emenda.

Outro que encara jornada dupla é Tarcísio Canossa de Camargo, 29, que durante o dia trabalha em agência de empregos da cidade e, à noite, é o experiente goleiro que carrega anos de Jaraguá Futsal. “Faço expediente normal e depois vou para o treino. É corrido, mas faz parte do processo. Uma renda complementa a outra. Cansativo, mas prazeroso.”

De acordo com o presidente do time, Rodolfo Guedes, cerca de 60% da equipe tem esta vida dupla. Mas a expectativa é poder melhorar as condições. “Se tivesse estrutura para mantê-los com a cabeça focada só no Santo André, com certeza o resultado seria ainda maior. A gente treina uma hora e meia por dia, enquanto as grandes equipes trabalham em dois períodos. Só podemos oferecer uma ajuda de custo aos jogadores. Mas o comprometimento que tiveram com o projeto e a ideia que compraram são os segredos do sucesso. Vamos pensar para o próximo ano em mantê-los 100% voltados ao futsal, porque, com certeza, Santo André tem condições de se tornar potência”, almeja o dirigente, idealizador do time.

Equipe pode alcançar segunda fase logo em seu primeiro ano
O Santo André Futsal entra em quadra hoje para fazer história. Ou pelo menos escrever mais um importante capítulo dela. Às 20h, no Ginásio Noemia Assumpção, o time pode alcançar a classificação antecipada às oitavas de final da Liga Paulista. O rival será o antepenúltimo colocado Indaiatuba.

“Podemos antecipar a classificação sem depender de ninguém. Campanha histórica, mesmo com todas as nossas dificuldades, logo no primeiro ano do projeto”, exalta o presidente Rodolfo Guedes. O sucesso do time repercutiu, tanto que dois jogadores já foram transferidos, um para o futsal da Itália e outro para o futebol de campo da Arábia Saudita.

“É inacreditável estar entre os melhores por ser o primeiro ano. Antes, quando o Rodolfo veio falando sobre o projeto, ninguém botou fé. Nós acreditamos, ele saiu do papel e olha onde o time está agora”, diz o fixo Mancine. “O Ivan é excelente treinador, sabe o que quer. Estamos bem focados no projeto, conseguindo trazer o resultado”, emenda o jogador, em reconhecimento ao trabalho do comandante da equipe. “Muita gente desacreditou da gente. Mas nos fechamos, dissemos que correríamos por nós e faríamos nossos nomes”, conclui o ala Xaropinho.

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