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Ocupação em S.Bernardo cresce

Celso Luiz/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

02/11/2016 | 07:00


 Após um mês, as famílias que ocuparam um terreno localizado na Vila São Pedro, em São Bernardo, ainda continuam em condições precárias e sem saber até quando vão continuar lá. Após duas reuniões com a Prefeitura da cidade, elas ainda estão longe de conseguir a regularização dos barracos, que continuam sendo montados.

No início de outubro, cerca de 50 famílias chegaram ao local, mas, conforme os próprios moradores, esse número hoje gira em torno de 1.200 pessoas em 500 grupos. Ainda se adaptando à situação, já conseguiram ligar eletricidade em alguns barracos. A água precisa ser carregada em baldes pelo morro íngrime, onde as acomodações estão localizados, o que demora cerca de meia hora até a chegada na parte mais alta. Banheiros são improvisados, sendo que muitos só utilizam na parte de baixo do bairro, em algum estabelecimento ou sanitário químico.

“A gente só usa em casos de muito aperto, quando não dá para segurar mesmo”, contou a moradora da ocupação Maria Nelma Marques Souza, 40 anos. Atualmente desempregada, a doméstica e mãe de quatro filhos sobrevive com o auxílio no valor de um salário mínimo (R$ 880), dado em razão de um filho de 14 anos, que tem deficiência intelectual.

O filho mais velho, de 19, faz bicos como ajudante de pedreiro, o que ajuda no orçamento. E mesmo com a vida sofrida, ela faz questão de auxiliar os moradores da ocupação. Ela é responsável por um caderno onde anota a fila de espera de quem aguarda lugar para construir um barraco.

“Não sei nem te dizer quantas pessoas estão esperando, mas é muita gente mesmo. Aqui todo mundo se conhece e a gente tem a preocupação de só abrir assim. Se aqui você libera para qualquer pessoa, pode ter certeza de que já teria muito mais gente”, disse.

Bastante ativa, ela participa das reuniões mensais, onde os integrantes discutem soluções para o problema da irregularidade e o que pleitear à Prefeitura do município. Conforme um dos líderes da comissão de moradores e integrante da Associação de Moradores da Vila São Pedro, José Lins, a maioria deseja a regularização dos barracos.

“A conclusão é que eles não querem ser removidos para outra área. Além disso, praticamente toda a Vila São Pedro foi formada pelos invasores, como somos chamados. Eles querem erguer as moradias, trabalhar e apenas a condição básica para viverem.”

Eles também não estão satisfeitos com a proposta do Paço em oferecer auxílio-aluguel. “Todos estão focados nesse projeto de viver no local. Fora que muitos estão aqui por procurarem casas e não encontrar nada.”

Caso da jovem Juliana de Jesus, 22, que cuida do pequeno barraco enquanto o marido faz bicos de pedreiro. Segundo ela, a renda é menor que um salário mínimo.

“Não encontramos casa e, como ele trabalha por conta, o jeito foi pegar as poucas coisas e vir para cá. Mas continuamos procurando, queremos sempre melhorar”, disse.

São três filhos, de 5 e 4 anos e um bebê de 10 meses. As crianças brincam com o cadeado e corrente do barraco.

O desempregado Anael Gomes, 21, mudou-se há poucas semanas para um dos barracos com a mulher e um filho de 5 anos. “Eu e minha mulher perdemos o emprego, não tínhamos mais como pagar o aluguel”, lamentou.

 

Prefeitura protocolou ação para reintegração de posse

 

A Prefeitura de São Bernardo, que é dona do terreno, protocolou ação de reintegração de posse na Justiça, após não chegar a um acordo com os moradores. Conforme a administração, isso foi feito no dia 27 de outubro e agora o Paço aguarda a decisão.

Questionada pelo Diário, a administração posicionou-se por meio de nota, dizendo que recebeu duas vezes os representantes e explicou que “este tipo de ocupação não corresponde a uma solução adequada de moradia e que lá tem-se o agravante de que sua consolidação poderia resultar em risco para as famílias que residem nas áreas abaixo do topo de morro que está sendo ocupado”.

A proposta do Paço inclui a saída pacífica da área com o apoio de infraestrutura da administração no prazo de 30 dias, concessão de ajuda transitória pelo auxílio-aluguel por três meses e apoio técnico para o mapeamento de áreas e formulação de projeto para atendimento definitivo por meio do programa Minha Casa, Minha Vida Entidades.

“Os representantes informaram da decisão dos demais ocupantes de rejeitar a proposta. Disseram, ainda, que o seu pleito é a permanência na área e a única outra possibilidade de discutir acordo é com a concessão de Renda Abrigo pelo município a todos os ocupantes até que o município viabilize e entregue novas moradias aos mesmos”, disse a nota.

Diante da rejeição, o município fez saber aos ocupantes que tomaria as medidas judiciais cabíveis em relação ao caso. Questionada sobre o assunto, a Polícia Militar informou que a Prefeitura ainda não oficiou formalmente a corporação sobre ações de reintegração de posse que possam ser desencadeadas.  



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Ocupação em S.Bernardo cresce

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

02/11/2016 | 07:00


 Após um mês, as famílias que ocuparam um terreno localizado na Vila São Pedro, em São Bernardo, ainda continuam em condições precárias e sem saber até quando vão continuar lá. Após duas reuniões com a Prefeitura da cidade, elas ainda estão longe de conseguir a regularização dos barracos, que continuam sendo montados.

No início de outubro, cerca de 50 famílias chegaram ao local, mas, conforme os próprios moradores, esse número hoje gira em torno de 1.200 pessoas em 500 grupos. Ainda se adaptando à situação, já conseguiram ligar eletricidade em alguns barracos. A água precisa ser carregada em baldes pelo morro íngrime, onde as acomodações estão localizados, o que demora cerca de meia hora até a chegada na parte mais alta. Banheiros são improvisados, sendo que muitos só utilizam na parte de baixo do bairro, em algum estabelecimento ou sanitário químico.

“A gente só usa em casos de muito aperto, quando não dá para segurar mesmo”, contou a moradora da ocupação Maria Nelma Marques Souza, 40 anos. Atualmente desempregada, a doméstica e mãe de quatro filhos sobrevive com o auxílio no valor de um salário mínimo (R$ 880), dado em razão de um filho de 14 anos, que tem deficiência intelectual.

O filho mais velho, de 19, faz bicos como ajudante de pedreiro, o que ajuda no orçamento. E mesmo com a vida sofrida, ela faz questão de auxiliar os moradores da ocupação. Ela é responsável por um caderno onde anota a fila de espera de quem aguarda lugar para construir um barraco.

“Não sei nem te dizer quantas pessoas estão esperando, mas é muita gente mesmo. Aqui todo mundo se conhece e a gente tem a preocupação de só abrir assim. Se aqui você libera para qualquer pessoa, pode ter certeza de que já teria muito mais gente”, disse.

Bastante ativa, ela participa das reuniões mensais, onde os integrantes discutem soluções para o problema da irregularidade e o que pleitear à Prefeitura do município. Conforme um dos líderes da comissão de moradores e integrante da Associação de Moradores da Vila São Pedro, José Lins, a maioria deseja a regularização dos barracos.

“A conclusão é que eles não querem ser removidos para outra área. Além disso, praticamente toda a Vila São Pedro foi formada pelos invasores, como somos chamados. Eles querem erguer as moradias, trabalhar e apenas a condição básica para viverem.”

Eles também não estão satisfeitos com a proposta do Paço em oferecer auxílio-aluguel. “Todos estão focados nesse projeto de viver no local. Fora que muitos estão aqui por procurarem casas e não encontrar nada.”

Caso da jovem Juliana de Jesus, 22, que cuida do pequeno barraco enquanto o marido faz bicos de pedreiro. Segundo ela, a renda é menor que um salário mínimo.

“Não encontramos casa e, como ele trabalha por conta, o jeito foi pegar as poucas coisas e vir para cá. Mas continuamos procurando, queremos sempre melhorar”, disse.

São três filhos, de 5 e 4 anos e um bebê de 10 meses. As crianças brincam com o cadeado e corrente do barraco.

O desempregado Anael Gomes, 21, mudou-se há poucas semanas para um dos barracos com a mulher e um filho de 5 anos. “Eu e minha mulher perdemos o emprego, não tínhamos mais como pagar o aluguel”, lamentou.

 

Prefeitura protocolou ação para reintegração de posse

 

A Prefeitura de São Bernardo, que é dona do terreno, protocolou ação de reintegração de posse na Justiça, após não chegar a um acordo com os moradores. Conforme a administração, isso foi feito no dia 27 de outubro e agora o Paço aguarda a decisão.

Questionada pelo Diário, a administração posicionou-se por meio de nota, dizendo que recebeu duas vezes os representantes e explicou que “este tipo de ocupação não corresponde a uma solução adequada de moradia e que lá tem-se o agravante de que sua consolidação poderia resultar em risco para as famílias que residem nas áreas abaixo do topo de morro que está sendo ocupado”.

A proposta do Paço inclui a saída pacífica da área com o apoio de infraestrutura da administração no prazo de 30 dias, concessão de ajuda transitória pelo auxílio-aluguel por três meses e apoio técnico para o mapeamento de áreas e formulação de projeto para atendimento definitivo por meio do programa Minha Casa, Minha Vida Entidades.

“Os representantes informaram da decisão dos demais ocupantes de rejeitar a proposta. Disseram, ainda, que o seu pleito é a permanência na área e a única outra possibilidade de discutir acordo é com a concessão de Renda Abrigo pelo município a todos os ocupantes até que o município viabilize e entregue novas moradias aos mesmos”, disse a nota.

Diante da rejeição, o município fez saber aos ocupantes que tomaria as medidas judiciais cabíveis em relação ao caso. Questionada sobre o assunto, a Polícia Militar informou que a Prefeitura ainda não oficiou formalmente a corporação sobre ações de reintegração de posse que possam ser desencadeadas.  

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