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Zika e H1N1 mudam a rotina das gestantes

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Doenças trazem sérias complicações às grávidas, que não medem esforços para mantê-las longe


Vanessa de Oliveira
Do Diário do Grande ABC

16/05/2016 | 07:00


A gravidez traz às mamães momentos de plena felicidade, mas atualmente eles são divididos com muita preocupação. Isso porque, além do zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e associado à microcefalia em bebês, a gripe H1N1 também tem causado medo, uma vez que as gestantes ficam com a imunidade mais baixa, aumentando o risco de um quadro agravado e até fatal.

Na última semana, pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) conseguiram comprovar que o zika vírus está mesmo relacionado a má-formações congênitas, como a microcefalia. Até então, só havia evidências de que houvesse a correlação. Os testes foram feitos em camundongos e em minicérebros humanos, com a utilização do vírus que circula no Brasil e o de origem africana, sendo comprovada uma maior agressividade no da cepa brasileira. Após quatro dias de infecção, o vírus local causou mortalidade celular em maior quantidade, extinguindo quase que totalmente as células em proliferação no laboratório. O pesquisador da USP e coordenador da Rede Zika Vírus, Paolo Zanotto, aponta que, apesar de os estudos terem sido feitos em modelos animais e in vitro, os sinais são semelhantes aos que ocorrem nos bebês humanos, filhos de mães que foram infectadas pelo mosquito Aedes aegypti. “Esse estudo possibilita todo um trabalho de entender o problema para evitá-lo, além de aperfeiçoar diagnósticos e o desenvolvimento de vacinas, terapias e imunoterapias”, disse.

Já a gripe H1N1 é transmitida de pessoa para pessoa, especialmente por meio de tosse ou espirro, ou após contato com objetos contaminados. Com a queda de resistência, as grávidas estão mais suscetíveis à contaminação.

Em decorrência desses assombros, a rotina das gestantes mudou totalmente. A pedagoga e psicomotricista Patrícia da Cunha de Sena, 33 anos, de São Caetano, é mãe de Davi, 2, e aguarda, para junho, a chegada de Pedro. Ela lembra que a primeira gravidez foi bem tranquila. “Desta vez está tudo bem tenso”, afirmou. Por medo do Aedes aegypti passou a usar aparatos contra o mosquito, como os repelentes, e mudou os planos de uma viagem ao Nordeste, que registrava grande incidência do zika vírus. Contra a gripe, ela tomou a vacina, mas ainda assim tem evitado ambientes fechados e com muita gente. “Deixamos de ir a lugares como shopping e até a igreja que frequentamos regularmente.”

Mãe de Miguel, 7, e Pedro, 5, a advogada Miriam Andretta Melo, 35, de São Bernardo, está grávida de quatro meses. Os cuidados nas gestações anteriores, que se baseavam em uma alimentação saudável, na prática de atividade física e no pré-natal, somaram-se a outros que não faziam parte de seu cotidiano. “Tenho que me preocupar com uso diário de repelente, andar com álcool gel sempre na bolsa, não ficar em locais com muitas pessoas e tomei a vacina contra a gripe. Estou muito mais preocupada do que nas outras gestações.”

No Grande ABC, não há confirmação de nenhum caso autóctone de zika. Em Diadema, segundo a Prefeitura, existem cinco ocorrências de microcefalia sob investigação. Ainda não há previsão para resultados. Até 7 de maio, em todo o Brasil, foram confirmados 1.326 registros de microcefalia. Desses, 205 tiveram confirmação por critério laboratorial específico para o vírus zika.

O Ministério da Saúde, no entanto, ressalta que esse dado não representa adequadamente a totalidade do número de casos relacionados ao vírus, pois considera que houve infecção pelo zika na maior parte das mães que tiveram bebês com diagnóstico final de microcefalia.


No inverno, maior alerta é contra a gripe

Saindo do período de maior temperatura climática, fator que beneficia a reprodução do mosquito Aedes aegypti, o risco de doenças transmitidas por ele, como o zika vírus, diminui. Por outro lado, a gripe tende a aumentar, pontua o professor do departamento de Ginecologia da FMABC (Faculdade de Medicina ABC) Fernando Sansone Rodrigues. Isso porque o clima frio prejudica o sistema respiratório e diminui as defesas do corpo. “As grávidas têm maior sensibilidade à gripe pelo próprio processo respiratório. Conforme o bebê se desenvolve, o útero comprime o tórax e o diafragma não tem distensão boa”, explica.

Além da necessidade de ter tomado a vacina contra a gripe – que leva cerca de três semanas para se tornar mais eficiente em sua proteção, segundo Rodrigues –, o médico lista alguns outros cuidados. “É recomendado evitar ambientes fechados, sem ventilação; evitar o choque térmico, ou seja, sair de um ambiente quente para o frio; e ter álcool gel na bolsa e no carro, para reforçar a higienização.”

Até o dia 10 de maio, foram confirmados na região 37 casos de gripe H1N1, de acordo com balanço da Sala de Situação do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, que monitora a doença. Desse total, foram registrados 12 óbitos: três em São Bernardo, um em Mauá, um em Ribeirão Pires e sete em Santo André, sendo uma gestante de 22 anos. 



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Zika e H1N1 mudam a rotina das gestantes

Doenças trazem sérias complicações às grávidas, que não medem esforços para mantê-las longe

Vanessa de Oliveira
Do Diário do Grande ABC

16/05/2016 | 07:00


A gravidez traz às mamães momentos de plena felicidade, mas atualmente eles são divididos com muita preocupação. Isso porque, além do zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e associado à microcefalia em bebês, a gripe H1N1 também tem causado medo, uma vez que as gestantes ficam com a imunidade mais baixa, aumentando o risco de um quadro agravado e até fatal.

Na última semana, pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) conseguiram comprovar que o zika vírus está mesmo relacionado a má-formações congênitas, como a microcefalia. Até então, só havia evidências de que houvesse a correlação. Os testes foram feitos em camundongos e em minicérebros humanos, com a utilização do vírus que circula no Brasil e o de origem africana, sendo comprovada uma maior agressividade no da cepa brasileira. Após quatro dias de infecção, o vírus local causou mortalidade celular em maior quantidade, extinguindo quase que totalmente as células em proliferação no laboratório. O pesquisador da USP e coordenador da Rede Zika Vírus, Paolo Zanotto, aponta que, apesar de os estudos terem sido feitos em modelos animais e in vitro, os sinais são semelhantes aos que ocorrem nos bebês humanos, filhos de mães que foram infectadas pelo mosquito Aedes aegypti. “Esse estudo possibilita todo um trabalho de entender o problema para evitá-lo, além de aperfeiçoar diagnósticos e o desenvolvimento de vacinas, terapias e imunoterapias”, disse.

Já a gripe H1N1 é transmitida de pessoa para pessoa, especialmente por meio de tosse ou espirro, ou após contato com objetos contaminados. Com a queda de resistência, as grávidas estão mais suscetíveis à contaminação.

Em decorrência desses assombros, a rotina das gestantes mudou totalmente. A pedagoga e psicomotricista Patrícia da Cunha de Sena, 33 anos, de São Caetano, é mãe de Davi, 2, e aguarda, para junho, a chegada de Pedro. Ela lembra que a primeira gravidez foi bem tranquila. “Desta vez está tudo bem tenso”, afirmou. Por medo do Aedes aegypti passou a usar aparatos contra o mosquito, como os repelentes, e mudou os planos de uma viagem ao Nordeste, que registrava grande incidência do zika vírus. Contra a gripe, ela tomou a vacina, mas ainda assim tem evitado ambientes fechados e com muita gente. “Deixamos de ir a lugares como shopping e até a igreja que frequentamos regularmente.”

Mãe de Miguel, 7, e Pedro, 5, a advogada Miriam Andretta Melo, 35, de São Bernardo, está grávida de quatro meses. Os cuidados nas gestações anteriores, que se baseavam em uma alimentação saudável, na prática de atividade física e no pré-natal, somaram-se a outros que não faziam parte de seu cotidiano. “Tenho que me preocupar com uso diário de repelente, andar com álcool gel sempre na bolsa, não ficar em locais com muitas pessoas e tomei a vacina contra a gripe. Estou muito mais preocupada do que nas outras gestações.”

No Grande ABC, não há confirmação de nenhum caso autóctone de zika. Em Diadema, segundo a Prefeitura, existem cinco ocorrências de microcefalia sob investigação. Ainda não há previsão para resultados. Até 7 de maio, em todo o Brasil, foram confirmados 1.326 registros de microcefalia. Desses, 205 tiveram confirmação por critério laboratorial específico para o vírus zika.

O Ministério da Saúde, no entanto, ressalta que esse dado não representa adequadamente a totalidade do número de casos relacionados ao vírus, pois considera que houve infecção pelo zika na maior parte das mães que tiveram bebês com diagnóstico final de microcefalia.


No inverno, maior alerta é contra a gripe

Saindo do período de maior temperatura climática, fator que beneficia a reprodução do mosquito Aedes aegypti, o risco de doenças transmitidas por ele, como o zika vírus, diminui. Por outro lado, a gripe tende a aumentar, pontua o professor do departamento de Ginecologia da FMABC (Faculdade de Medicina ABC) Fernando Sansone Rodrigues. Isso porque o clima frio prejudica o sistema respiratório e diminui as defesas do corpo. “As grávidas têm maior sensibilidade à gripe pelo próprio processo respiratório. Conforme o bebê se desenvolve, o útero comprime o tórax e o diafragma não tem distensão boa”, explica.

Além da necessidade de ter tomado a vacina contra a gripe – que leva cerca de três semanas para se tornar mais eficiente em sua proteção, segundo Rodrigues –, o médico lista alguns outros cuidados. “É recomendado evitar ambientes fechados, sem ventilação; evitar o choque térmico, ou seja, sair de um ambiente quente para o frio; e ter álcool gel na bolsa e no carro, para reforçar a higienização.”

Até o dia 10 de maio, foram confirmados na região 37 casos de gripe H1N1, de acordo com balanço da Sala de Situação do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, que monitora a doença. Desse total, foram registrados 12 óbitos: três em São Bernardo, um em Mauá, um em Ribeirão Pires e sete em Santo André, sendo uma gestante de 22 anos. 

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