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Assaltos na Jacu-Pêssego
trazem medo a motoristas

Carros são apedrejados e donos assaltados em acesso à
Zona Leste, na divisa de Mauá; PM realiza ações no local


Rafael Ribeiro
do Diário do Grande ABC

11/08/2012 | 07:00


O medo é a realidade dos motoristas do Grande ABC quando trafegam pela Avenida Jacu-Pêssego, na Capital, próximo à divisa com Mauá, sob o viaduto da Avenida Ragueb Chohfi, no Jardim Três Marias. Principal acesso da região à Zona Leste de São Paulo, os carros são alvo de criminosos, que jogam pedras e outros objetos para danificá-los, obrigando os condutores a parar. É nesse momento em que os assaltos acontecem.

Policiais do 49º DP (São Mateus) paulistano não têm estimativa de quantos casos foram encaminhados para investigação desde a inauguração do trecho, em 2010. Mas reconhecem que as ações se intensificaram neste ano. Segundo eles, após os motoristas pararem, bandos de seis ou mais pessoas se aproximam e roubam tudo do veículo. Não se sabe se agem armados. O esquema é conhecido e, por isso, os motoristas do Grande ABC não costumam parar. Na quarta-feira, por exemplo, três deles procuraram o 1º DP (Centro) de Mauá simultaneamente para registrar ocorrências, todos com o carro danificado, mas sem encostá-lo antes de procurar ajuda.

Morador do bairro mauaense Jardim Primavera, o supervisor de vendas Natanael Barreto Morais, 45 anos, foi um dos prejudicados. Por volta das 18h45, seu Fiesta preto recebeu pedrada no teto. Experiente, resolveu não parar. Há cerca de um mês perdeu um Corolla vermelho pelo mesmo motivo. O pedregulho destruiu a parte superior do veículo. Da primeira vez, no entanto, resolveu não registrar ocorrência. "Fica um trauma muito grande", disse.

Como precisa ir constantemente a Itaquera, a Jacu-Pêssego é seu caminho diário. Para evitar problemas, acelera quando passa no viaduto. "Já recebi três multas por excesso de velocidade, corro o risco de perder a carteira. Mas não vou continuar sofrendo pedradas gratuitamente", completou.

Segundo o chefe dos investigadores do 49º DP, Marcos Ribeiro, as dificuldades são grandes na apuração do caso. Além das pessoas não registrarem BO na polícia, os poucos suspeitos averiguados são menores. "Não podemos fotografá-los e, assim, não há reconhecimento", disse.

Além disso, há cerca de um mês os investigadores iniciaram diligências com viaturas descaracterizadas no entorno da comunidade do Jardim Três Marias, sem resultados positivos. "Parece que eles sabem quando trata-se de policiais e desaparecem", completou Ribeiro.

Há poucas informações sobre os autores. Sabe-se que a maioria é de menores a mando de adultos. As táticas vão desde pedras a pregos e pedaços de ferro para furar os pneus e fogueiras para interditar a pista.

O caminhoneiro Vagner Ogalla Benedito, 43, morador do bairro Santa Terezinha, em São Bernardo, foi alvo dos criminosos no mesmo dia, por volta das 19h. "Queremos ação prática da polícia e não apenas promessas de que estão trabalhando", reivindica.

Especialista aconselha a não parar no local

O especialista em Segurança pública e privada Jorge Lordello aconselha os motoristas a não parar, mesmo com o carro danificado. "O criminoso quer a facilidade de roubar próximo de casa e correr para lá", disse.
"Sempre o condutor deve seguir até achar ponto como posto de gasolina ou avistar uma viatura", aconselhou. "Se não for possível, o jeito é trancar o carro, atravessar a pista e ficar longe do veículo", completou.

Foi assim com o comerciante Fabio Aulicino, 38 anos, do Parque Seleta, em São Bernardo. Como trabalha no bairro Cidade Líder, a Jacu-Pêssego é sua rota diária. Ontem, seu pneu enroscou em prego jogado na pista. E ele só parou cerca de quatro quilômetros depois para trocá-lo. "Já acostumei", disse.

O mecânico Natanael Sousa, 46, do Centreville, em Santo André, teve o para-brisa do Palio cinza destruído. Há um ano, também fora vítima. Estava treinado, como disse. "O medo faz você não parar para ver nada."



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