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Setor têxtil deve investir US$ 10,8 bi para crescer


Do Diário do Grande ABC

10/07/1999 | 12:36


A indústria têxtil brasileira precisa investir de US$ 10,8 bilhoes nos próximos oito anos, se quiser atender a demanda do mercado local, resistir às importaçoes e estabelecer uma forte base de exportaçao. Dos US$ 10,8 bilhoes, 55% devem ser destinados à modernizaçao e 45%, à expansao. A conclusao faz parte de um estudo da Associaçao Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), resultado de oito meses de trabalho, encomendado à Gherzi Textil Organisation, consultoria internacional especializada em têxteis.

Segundo o relatório, o valor é necessário para corrigir a insuficiência de investimentos verificada nas últimas duas ou três décadas, apesar de o setor ter aplicado US$ 6 bilhoes desde 1994. Os recursos necessários do Programa de Restruturaçao Proposto (PRP), que abrange toda a cadeia produtiva, alcançariam a ordem de US$ 6,5 bilhoes nos próximos cinco anos e US$ 4,3 bilhoes, nos outros três anos.

O PIB têxtil em 1998, segundo os dados da Abit, alcançou US$ 25 bilhoes. A meta para os próximos anos será de US$ 30 bilhoes, por meio de programas que prevêem o crescimento do setor e requerem investimentos de US$ 1,5 bilhao anuais.

O objetivo do programa é estimular principalmente a atuaçao das pequenas e médias empresas no Brasil e no mercado internacional. A Abit orquestraria a negociaçao entre as empresas e os fornecedores para compras "cooperativas" de equipamentos, por exemplo.

"A Associaçao reúne um grupo de empresas e organiza a compra de um grande lote, a maior do mundo, o que facilita a negociaçao de melhores preços e financiamentos, vantagens que seriam repassadas", disse o presidente da entidade, Paulo Skaf. "O poder de barganha passa a ser maior", avaliou.

Paulo Skaf destacou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também está disposto a investir. "O lançamento do fundo de aval na semana passada permitirá ao BNDES dispor linhas de financiamentos, com prazos de 10 anos, para projetos que necessitem de recursos superiores a R$ 7 milhoes. O BNDES será responsável por 80% dos financiamentos, enquanto os bancos que intermediam os empréstimos, 20%", afirmou Skaf.

O presidente da Abit explicou que os financiamentos ficavam "engessados" porque os bancos, agentes financeiros intermediários das operaçoes entre as empresas e o BNDES, eram responsáveis pelo pagamento dos empréstimos caso os empresários se tornassem inadimplentes.

"Esse fundo de aval nao servirá apenas para a compra de equipamentos, mas também para vendas de peças e investimentos às exportaçoes", disse Paulo Skaf. "A indústria têxtil está fazendo a liçao de casa. O governo tem que sair da fase dos sinais positivos e passar para a prática", afirmou.

Para Skaf, o governo deveria rever suas políticas financeira e fiscal em relaçao às empresas exportadoras, sobretudo reexaminando o Programa Proex e os níveis dos juros. "O governo nao pode penalizar a indústria produtiva, que nao agüenta os juros absurdos e a falta de crédito", disse. Além de repudiar o "escancaramento" dos portos, Skaf sugere que o governo tome atitudes mais agressivas para impedir o contrabando.

Desempenho - As vendas totais da indústria têxtil somaram US$ 37 bilhoes em 1998, o que representou 7% do faturamento do segmento manufatureiro. As empresas do setor fecharam o ano com 1,6 milhao de empregos, com estimativas de abrir mais 1 milhao de novas vagas no País nos próximos cinco anos.

O setor de vestuário respondeu por 50% das vendas da indústria e por mais de 70% do emprego no ano passado. As 22 mil empresas, segundo informa o estudo da Abit, processaram cerca de 1,35 milhao de toneladas de matérias-primas em 1996, o equivalente a um consumo per capita de 8,6 quilos, comparado a média mundial de 7,6 quilos.

As exportaçoes da indústria brasileira de têxteis e vestuário alcançaram a cifra de US$ 1,1 bilhao em 1998, contra um pico de US$ 1,5 bilhao em 1992. As importaçoes, por outro lado, saltaram de US$ 500 milhoes, em 1990, para US$ 1,9 bilhao no ano passado.

Fibras têxteis responderam por 32% das importaçoes de 1998, com as fibras químicas das principais fábricas da Asia conquistando uma fatia crescente das importaçoes. Vestuário (US$ 360 milhoes) e outros produtos têxteis (US$ 280 milhoes) também foram importados em quantidades crescentes nos últimos anos.



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