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Santo André para os andreenses

Denis Maciel/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Grupo de munícipes da 3ª idade vive experiência
inédita ao assistir a orquestra no Teatro Municipal


Oscar Brandtneris

10/09/2015 | 07:00


De coxias e portas abertas, o Teatro Municipal de Santo André finalmente conheceu olhares curiosos e sorrisos inéditos de munícipes que, há décadas, vivem na cidade, mas nunca assistiram a um espetáculo ali. O show de ontem – mesmo com a Ossa (Orquestra Sinfônica de Santo André) tocando Heitor Villa-Lobos e Mozart – foi de Terezinha, Lourival e todos que, finalmente, tiveram a chance de descobrir a vibração da arte clássica e que comprovaram que não é só na farmácia que há saúde ou cura para dores e doenças.

Lourival Teixeira Lima, 67 anos, teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) em 2004 e ficou por um bom tempo com as pernas paralisadas, locomovendo-se apenas de cadeira de rodas. No entanto, ele sempre se negou a ficar parado, encarou firme as fisioterapias e abraçou também as atividades do Caminhando Para a Saúde. E foi com o grupo que, mesmo morando na cidade praticamente toda a vida, visitou pela primeira vez o Teatro Municipal de Santo André. “É lindo, sem falar que é bom para sair de casa, conversar. Estimula nossa memória e não deixa a gente envelhecer tão rápido”, diz.

E entre os mais de 80 idosos que marcaram presença no Paço para acompanhar a apresentação da orquestra, Terezinha Martins dos Santos, 78, chamou atenção. Enquanto os outros olhavam o espetáculo com uma certa seriedade e estranheza, Dona Terezinha foi só sorrisos do começo ao fim. Não piscou e não desviou o olhar do palco uma vez sequer e, enquanto isso, pés, cabeça e mãos acompanhavam a mudança de ritmo e intensidade dos instrumentos. Ela até se apressou e quis aplaudir de pé já na antepenúltima música. “Moro em Santo André há 57 anos e nunca vim aqui. Adoro música. Ouço em casa todos os dias, mas não tinha vivido a experiência de ver uma orquestra ao vivo. É a coisa mais linda do mundo. Quero a próxima logo”, conta ansiosa. Quando questionada sobre o motivo de Terezinha não ter conhecido o teatro ou frequentar o espaço, ela respondeu. “Sabe como é dona de casa, não é? Nunca tem tempo para nada. Nem sei como consegui estar aqui hoje (ontem)”, brincou. E questionou o quanto “é difícil saber deste tipo de evento”.

O projeto Caminhando Para a Saúde, que existe desde 2004, estava adormecido e foi reativado em meados de abril de 2013. Foi quando o coordenador Sebastião Fernando Pacini Neves teve a percepção de que poderia ir além. “Perdemos saúde com prazeres errados e precisamos estimular com prazeres corretos, como passear, viver em sociedade, visitar um museu, assistir a uma orquestra. Essas ferramentas são importantes para promover saúde e bem-estar também.” Segundo o maestro da Ossa, Abel Rocha, o objetivo é o de estimular o olhar mais delicado das pessoas, saindo do comum e encorajando um costume diferente da rotina. “Muitos deles nunca vieram para o Centro da cidade com a intenção de ver uma apresentação artística e, além disso, eles ainda têm a chance de entender como funcionam as questões técnicas de um teatro e sentir a magia do espetáculo”, comenta.

A Secretaria de Cultura e Lazer pretende ampliar o projeto, que ainda é piloto, com atividades que envolvam outros grupos e espaços, como escolas e hospitais. A ideia é fazer com que a comunidade ocupe de forma diferente estes lugares e tenha acesso a programações de arte sem ter que se deslocar até a região central de Santo André. Centenas de Terezinhas e Lourivais aplaudem e agradecem.



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Santo André para os andreenses

Grupo de munícipes da 3ª idade vive experiência
inédita ao assistir a orquestra no Teatro Municipal

Oscar Brandtneris

10/09/2015 | 07:00


De coxias e portas abertas, o Teatro Municipal de Santo André finalmente conheceu olhares curiosos e sorrisos inéditos de munícipes que, há décadas, vivem na cidade, mas nunca assistiram a um espetáculo ali. O show de ontem – mesmo com a Ossa (Orquestra Sinfônica de Santo André) tocando Heitor Villa-Lobos e Mozart – foi de Terezinha, Lourival e todos que, finalmente, tiveram a chance de descobrir a vibração da arte clássica e que comprovaram que não é só na farmácia que há saúde ou cura para dores e doenças.

Lourival Teixeira Lima, 67 anos, teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) em 2004 e ficou por um bom tempo com as pernas paralisadas, locomovendo-se apenas de cadeira de rodas. No entanto, ele sempre se negou a ficar parado, encarou firme as fisioterapias e abraçou também as atividades do Caminhando Para a Saúde. E foi com o grupo que, mesmo morando na cidade praticamente toda a vida, visitou pela primeira vez o Teatro Municipal de Santo André. “É lindo, sem falar que é bom para sair de casa, conversar. Estimula nossa memória e não deixa a gente envelhecer tão rápido”, diz.

E entre os mais de 80 idosos que marcaram presença no Paço para acompanhar a apresentação da orquestra, Terezinha Martins dos Santos, 78, chamou atenção. Enquanto os outros olhavam o espetáculo com uma certa seriedade e estranheza, Dona Terezinha foi só sorrisos do começo ao fim. Não piscou e não desviou o olhar do palco uma vez sequer e, enquanto isso, pés, cabeça e mãos acompanhavam a mudança de ritmo e intensidade dos instrumentos. Ela até se apressou e quis aplaudir de pé já na antepenúltima música. “Moro em Santo André há 57 anos e nunca vim aqui. Adoro música. Ouço em casa todos os dias, mas não tinha vivido a experiência de ver uma orquestra ao vivo. É a coisa mais linda do mundo. Quero a próxima logo”, conta ansiosa. Quando questionada sobre o motivo de Terezinha não ter conhecido o teatro ou frequentar o espaço, ela respondeu. “Sabe como é dona de casa, não é? Nunca tem tempo para nada. Nem sei como consegui estar aqui hoje (ontem)”, brincou. E questionou o quanto “é difícil saber deste tipo de evento”.

O projeto Caminhando Para a Saúde, que existe desde 2004, estava adormecido e foi reativado em meados de abril de 2013. Foi quando o coordenador Sebastião Fernando Pacini Neves teve a percepção de que poderia ir além. “Perdemos saúde com prazeres errados e precisamos estimular com prazeres corretos, como passear, viver em sociedade, visitar um museu, assistir a uma orquestra. Essas ferramentas são importantes para promover saúde e bem-estar também.” Segundo o maestro da Ossa, Abel Rocha, o objetivo é o de estimular o olhar mais delicado das pessoas, saindo do comum e encorajando um costume diferente da rotina. “Muitos deles nunca vieram para o Centro da cidade com a intenção de ver uma apresentação artística e, além disso, eles ainda têm a chance de entender como funcionam as questões técnicas de um teatro e sentir a magia do espetáculo”, comenta.

A Secretaria de Cultura e Lazer pretende ampliar o projeto, que ainda é piloto, com atividades que envolvam outros grupos e espaços, como escolas e hospitais. A ideia é fazer com que a comunidade ocupe de forma diferente estes lugares e tenha acesso a programações de arte sem ter que se deslocar até a região central de Santo André. Centenas de Terezinhas e Lourivais aplaudem e agradecem.

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