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Com os pés na realidade


Márcio Maio
Da TV Press

19/01/2009 | 07:01


Patricia Moretzsohn sabe que comete erros. E esse reconhecimento foi o maior aliado em seu primeiro trabalho autoral, a temporada 2008 de Malhação. Principalmente porque, depois que se deu bem adaptando Floribella, na Band, a autora se fechou no universo infantil. E quase colocou tudo a perder quando escreveu as primeiras linhas das aventuras do Múltipla Escolha. Foi por isso que Patricia decidiu dar conflitos à Angelina, de Sophie Charlotte, "Criamos uma heroína que perdeu a mãe, ganhou outra, teve uma gravidez de risco na adolescência e, o pior, o filho ainda era do homem errado. Isso amadureceu a história", avalia.

A temporada 2008 de Malhação foi seu primeiro trabalho autoral. Que balanço você faz?

PATRÍCIA MORETZSOHN - Diante do quadro em que o programa se encontrava em 2007, os resultados são maravilhosos. Dizem que o jovem não quer mais ver TV e que o formato novela está saturado. Mas a gente foi procurar os pontos positivos e se arriscar. E isso não quer dizer que não erramos. Começamos falhando e depois conseguimos pegar o caminho certo. Acho que a grande desvantagem e, ao mesmo tempo, a grande vantagem de Malhação é durar tantos meses. Chegamos a um ponto híbrido, onde você tem de assumir que aquilo é um misto de seriado e de novela. E, com isso, é preciso entender quais são seus limites.

Que erros acha que cometeu?

PATRÍCIA - Quando adaptei duas temporadas de Floribella para a Band, foi um sucesso inesperado. Na minha cabeça, se eu tinha conseguido isso em uma emissora sem histórico em teledramaturgia e com limitações, imaginava que na Globo daria tudo certo. Acho que isso me fechou um pouco nesse universo mais infantil do que adolescente. Mas depois percebi que Floribella era um produto totalmente segmentado, enquanto na Globo você sempre busca um público amplo, de faixas etárias diferentes. Procuramos formas de amadurecer a história e, assim, conquistar os jovens com idades próximas às dos personagens.

Mas vocês diminuíram a faixa etária dos personagens. Por quê?

PATRÍCIA - Nas temporadas passadas, as pessoas pareciam bem mais velhas que os personagens. Só que, inicialmente, temos histórias simples, como o menino que gosta da menina e sofre. Essa dor vem pelo fato dele ser novo, não estar acostumado. Não dá para ter um elenco que não passe credibilidade. Sempre retratamos personagens que não aprenderam a lidar com a vida.

Esse pensamento se mantém na temporada de 2009?

PATRÍCIA - Sim. Quando o Caio Castro chegou no elenco na temporada passada, percebi uma coisa importante que pretendo trabalhar melhor. Antigamente, os triângulos amorosos eram previsíveis demais. Era um mocinho e um vilão disputando o amor da mocinha. Logo, quem terminaria com ela seria o mocinho. Aí o Bruno, personagem do Caio, apareceu e isso mudou. O Bruno escorregava, mas não era um garoto mau. Em 2009, o Luciano e o Alex, do Michael Borges e do Daniel Dalcin, vão escorregar ainda mais. É bobeira criarmos garotos que fazem tudo certinho. Você pode, em um momento de desespero, pegar uma grana na carteira do pai porque acha que, depois, será mais fácil desenrolar com ele. Não é uma coisas legal, mas acontece.

Essa é a primeira vez que Malhação tem um protagonista negro. Você pretende trabalhar a questão do racismo em cima disso?

PATRÍCIA - Claro que vamos abordar a questão, mas não dentro do triângulo amoroso. Os temas sociais são sempre utilizados em Malhação. Cheguei a deixá-los de lado por um tempo e o público questionou, se afastou, então não dá para parar com isso. E nem é nosso interesse. Nesta temporada já vamos usar um curso pré-vestibular comunitário e um shopping center, onde trabalharemos a questão do consumismo. Mas não pensamos mais em Malhação a partir de um determinado tema. Pensamos em personagens que abram possibilidades para diversas questões.



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Com os pés na realidade

Márcio Maio
Da TV Press

19/01/2009 | 07:01


Patricia Moretzsohn sabe que comete erros. E esse reconhecimento foi o maior aliado em seu primeiro trabalho autoral, a temporada 2008 de Malhação. Principalmente porque, depois que se deu bem adaptando Floribella, na Band, a autora se fechou no universo infantil. E quase colocou tudo a perder quando escreveu as primeiras linhas das aventuras do Múltipla Escolha. Foi por isso que Patricia decidiu dar conflitos à Angelina, de Sophie Charlotte, "Criamos uma heroína que perdeu a mãe, ganhou outra, teve uma gravidez de risco na adolescência e, o pior, o filho ainda era do homem errado. Isso amadureceu a história", avalia.

A temporada 2008 de Malhação foi seu primeiro trabalho autoral. Que balanço você faz?

PATRÍCIA MORETZSOHN - Diante do quadro em que o programa se encontrava em 2007, os resultados são maravilhosos. Dizem que o jovem não quer mais ver TV e que o formato novela está saturado. Mas a gente foi procurar os pontos positivos e se arriscar. E isso não quer dizer que não erramos. Começamos falhando e depois conseguimos pegar o caminho certo. Acho que a grande desvantagem e, ao mesmo tempo, a grande vantagem de Malhação é durar tantos meses. Chegamos a um ponto híbrido, onde você tem de assumir que aquilo é um misto de seriado e de novela. E, com isso, é preciso entender quais são seus limites.

Que erros acha que cometeu?

PATRÍCIA - Quando adaptei duas temporadas de Floribella para a Band, foi um sucesso inesperado. Na minha cabeça, se eu tinha conseguido isso em uma emissora sem histórico em teledramaturgia e com limitações, imaginava que na Globo daria tudo certo. Acho que isso me fechou um pouco nesse universo mais infantil do que adolescente. Mas depois percebi que Floribella era um produto totalmente segmentado, enquanto na Globo você sempre busca um público amplo, de faixas etárias diferentes. Procuramos formas de amadurecer a história e, assim, conquistar os jovens com idades próximas às dos personagens.

Mas vocês diminuíram a faixa etária dos personagens. Por quê?

PATRÍCIA - Nas temporadas passadas, as pessoas pareciam bem mais velhas que os personagens. Só que, inicialmente, temos histórias simples, como o menino que gosta da menina e sofre. Essa dor vem pelo fato dele ser novo, não estar acostumado. Não dá para ter um elenco que não passe credibilidade. Sempre retratamos personagens que não aprenderam a lidar com a vida.

Esse pensamento se mantém na temporada de 2009?

PATRÍCIA - Sim. Quando o Caio Castro chegou no elenco na temporada passada, percebi uma coisa importante que pretendo trabalhar melhor. Antigamente, os triângulos amorosos eram previsíveis demais. Era um mocinho e um vilão disputando o amor da mocinha. Logo, quem terminaria com ela seria o mocinho. Aí o Bruno, personagem do Caio, apareceu e isso mudou. O Bruno escorregava, mas não era um garoto mau. Em 2009, o Luciano e o Alex, do Michael Borges e do Daniel Dalcin, vão escorregar ainda mais. É bobeira criarmos garotos que fazem tudo certinho. Você pode, em um momento de desespero, pegar uma grana na carteira do pai porque acha que, depois, será mais fácil desenrolar com ele. Não é uma coisas legal, mas acontece.

Essa é a primeira vez que Malhação tem um protagonista negro. Você pretende trabalhar a questão do racismo em cima disso?

PATRÍCIA - Claro que vamos abordar a questão, mas não dentro do triângulo amoroso. Os temas sociais são sempre utilizados em Malhação. Cheguei a deixá-los de lado por um tempo e o público questionou, se afastou, então não dá para parar com isso. E nem é nosso interesse. Nesta temporada já vamos usar um curso pré-vestibular comunitário e um shopping center, onde trabalharemos a questão do consumismo. Mas não pensamos mais em Malhação a partir de um determinado tema. Pensamos em personagens que abram possibilidades para diversas questões.

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