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Prefeitos do PMDB
terão autonomia

Baleia Rossi descartou indicar quadros oriundos de outras
cidades a Pinheiro e Saulo, eleitos em S.Caetano e Ribeirão


Mark Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

19/11/2012 | 07:00


Depois de 20 anos sem eleger prefeito no Grande ABC, o PMDB ressurgiu com força no cenário político da região em outubro, quando conduziu as vitórias de Paulo Pinheiro e Saulo Benevides às prefeituras de São Caetano e Ribeirão Pires, respectivamente. E, segundo a alta cúpula da legenda, os peemedebistas terão autonomia para as formações de seus governos.

A garantia é do presidente do PMDB paulista, o deputado estadual Baleia Rossi. O mandatário promete aos correligionários não indicar quadros da sigla oriundos de outras cidades. "Não vamos pedir cargos e nem indicar nomes. Entendemos que os melhores quadros para São Caetano e para Ribeirão estão nos próprios municípios", avalia.

A liberdade aos eleitos exposta na declaração não pode ser confundida com abandono e tampouco quer dizer que a cúpula acompanhará as gestões à distância. Muito pelo contrário. O Grande ABC é região estratégica do PMDB para abrigar o processo de crescimento contínuo do partido vislumbrado por Baleia.

"O Paulo e o Saulo serão muito prestigiados pelas executivas nacional e estadual. Vamos dar todo o apoio político a eles junto às outras esferas de governo (Estado e União)", garante Baleia. O PMDB integra as bases de sustentação ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e à presidente Dilma Rousseff (PT).

VITRINE

A administração de São Caetano é a que receberá maior atenção da cúpula. A cidade, que possui elevados índices de qualidade de vida, será a vitrine do PMDB. "Será nossa referência administrativa", projeta Baleia.

Com a vitória, Paulo Pinheiro, dissidente do grupo liderado pelo prefeito José Auricchio Júnior (PTB), quebrou a hegemonia petebista no comando de São Caetano, que já durava três décadas. Pelo feito, está com a moral elevada junto aos caciques peemedebistas, mesmo tendo ingressado no partido há pouco mais de um ano.

"Já é grande liderança do PMDB na região", afirma Baleia, ao dar uma amostra do prestígio do prefeito eleito. "O Michel Temer (PMDB, vice-presidente da República) será o advogado do Paulo em Brasília."

HIATO

O encolhimento do PMDB no Grande ABC foi progressivo. O partido registrou o auge na região entre 1977 e 1982, quando governou cinco das sete cidades. Elegeu os últimos prefeitos em 1992: José Carlos Grecco (Mauá) e Valdírio Prisco (Ribeirão Pires). Em 2008, sequer lançou candidato ao Executivo.

 

Sigla projeta manter ascensão em 2014

O ressurgimento do PMDB no Grande ABC está atrelado ao crescimento do partido no Estado. A sigla elegeu 90 prefeitos em outubro, ante os atuais 68. A legenda é a que mais comandará prefeituras no País a partir de janeiro: 1.032.

O PMDB chega ao bom momento após a reestruturação forçada pela morte de Orestes Quércia, em dezembro de 2010. O ex-governador, principal figura peemedebista no Estado, incentivava alianças com partidos que estavam no poder em detrimento de candidaturas próprias.

Pelo contexto, Baleia Rossi projeta que o partido continuará crescendo em 2014. E já traça a meta de dobrar a representação da legenda no Parlamento paulista (atualmente são cinco deputados federais) e chegar a sete cadeiras na Câmara Federal (o PMDB de São Paulo elegeu somente um deputado federal em 2010).

No Grande ABC, o mandatário antecipa que Vanessa Damo (Mauá), Tunico Vieira (São Bernardo) e Nilson Bonome (Santo André) terão legenda garantida para se candidatar como deputados.

Vanessa é citada por Baleia como a "referência parlamentar" do PMDB na região. Após a aliada perder a eleição à Prefeitura de Mauá para Donisete Braga (PT), o cacique reforça que o partido fará oposição à gestão petista.

 

Dirigente abre caminho para Bonome em 2016

Além de assegurar legenda para que Nilson Bonome seja candidato a deputado estadual em 2014, Baleia Rossi faz lobby para que o correligionário volte a concorrer a prefeito de Santo André em 2016 - neste ano se candidatou ao Paço pelo PMDB e ficou em quarto, com 4,77% dos votos válidos.

"Nilson cumpriu papel importante. Como estreia (disputou sua primeira eleição), teve dificuldades contra a máquina e o PT. Apesar de grande articulador, era desconhecido do eleitorado e rompeu esta barreira. Vai ampliar o contato com a população e, a partir daí, pavimentar sua candidatura a prefeito em 2016."

Antes disso, porém, Baleia trabalha para que o PMDB dê apoio ao prefeito eleito de Santo André, Carlos Grana (PT). Com o partido, o petista teria governabilidade garantida na Câmara. O presidente estadual do PMDB revelou orientação para que os dois vereadores reeleitos pelo partido integrem a base de sustentação.

Sargento Juliano e José de Araújo apoiaram a tentativa de reeleição de Aidan Ravin (PTB). Mais do que isso, são aliados de primeira hora do petebista, derrotado nas urnas. Tanto que durante os últimos quatro anos a dupla se revezou na presidência da Câmara em articulação encabeçada pelo governo.

"Há conversa para que o PMDB apoie o Grana. Esta é a nossa orientação. Mas isso será construído com diálogo, sem imposição", pondera Baleia. Além da dupla de parlamentares, Bonome inclinou para Aidan na etapa final.

Se a orientação da executiva estadual for acatada pela bancada peemedebista, Grana ficará muito próximo de somar 14 aliados na próxima legislatura. O número representa dois terços da Câmara, índice suficiente para o governo conseguir a aprovação de qualquer projeto.

Já caminham com o prefeito eleito PT, PDT, PRB e PRP, bloco que elegeu nove vereadores. Há conversas avançadas pelas adesões de PTdoB (que elegeu dois parlamentares) e PV (um).

 

Insatisfeito, cacique cobra ousadia em Diadema

O desempenho do PMDB na eleição de Diadema desagradou Baleia Rossi. Pelo segundo pleito consecutivo, o partido conseguiu eleger apenas a vereadora Cida Ferreira para a Câmara. Para o presidente estadual da sigla, o resultado merece uma reflexão.

"Conversarei com a Cida. É uma vereadora tradicional, um quadro respeitado, mas é claro que não estamos satisfeitos. O mínimo aceitável para quem estava com a máquina (o PMDB apoiou a tentativa de reeleição do prefeito Mário Reali, PT) era eleger dois vereadores", considera o mandatário.

O contato com a parlamentar é explicado pelo grupo de Cida ter conduzido o partido na última década. Além da vereadora, presidiram o PMDB em Diadema no período o seu cunhado, José Eduardo Rosário, e seu advogado, o atual comandante Waldir Salles Lopes.

"Ela também deve ter ficado triste. Mas é preciso mais ousadia, pensar em candidatura a prefeito ou a vice. Do jeito que está, parece que o partido tem só um objetivo: eleger a Cida", constata Baleia.

Em 2011, o dirigente chegou a articular intervenção no diretório local, movimento que foi brecado pelos deputados estaduais Vanessa Damo e Jorge Caruso, aliados de Cida. O presidente estadual alegou que o PMDB de Diadema não atingiu a meta de conquistar 5% dos votos válidos na eleição de 2010.

Mesmo diante de mais um desgaste, Baleia, a princípio, descarta intervenção. "Não é o caso. Mas vamos conversar com a Cida, discutir mudanças, para que o PMDB pare de patinar em Diadema."

Em outubro, Cida Ferreira foi eleita para o sétimo mandato consecutivo na Câmara. Mesmo assim, sua votação encolheu com relação à conquistada em 2008: de 4.604 para 3.548 votos. A peemedebista, 71 anos, é a vereadora eleita mais velha do Grande ABC.



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Prefeitos do PMDB
terão autonomia

Baleia Rossi descartou indicar quadros oriundos de outras
cidades a Pinheiro e Saulo, eleitos em S.Caetano e Ribeirão

Mark Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

19/11/2012 | 07:00


Depois de 20 anos sem eleger prefeito no Grande ABC, o PMDB ressurgiu com força no cenário político da região em outubro, quando conduziu as vitórias de Paulo Pinheiro e Saulo Benevides às prefeituras de São Caetano e Ribeirão Pires, respectivamente. E, segundo a alta cúpula da legenda, os peemedebistas terão autonomia para as formações de seus governos.

A garantia é do presidente do PMDB paulista, o deputado estadual Baleia Rossi. O mandatário promete aos correligionários não indicar quadros da sigla oriundos de outras cidades. "Não vamos pedir cargos e nem indicar nomes. Entendemos que os melhores quadros para São Caetano e para Ribeirão estão nos próprios municípios", avalia.

A liberdade aos eleitos exposta na declaração não pode ser confundida com abandono e tampouco quer dizer que a cúpula acompanhará as gestões à distância. Muito pelo contrário. O Grande ABC é região estratégica do PMDB para abrigar o processo de crescimento contínuo do partido vislumbrado por Baleia.

"O Paulo e o Saulo serão muito prestigiados pelas executivas nacional e estadual. Vamos dar todo o apoio político a eles junto às outras esferas de governo (Estado e União)", garante Baleia. O PMDB integra as bases de sustentação ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e à presidente Dilma Rousseff (PT).

VITRINE

A administração de São Caetano é a que receberá maior atenção da cúpula. A cidade, que possui elevados índices de qualidade de vida, será a vitrine do PMDB. "Será nossa referência administrativa", projeta Baleia.

Com a vitória, Paulo Pinheiro, dissidente do grupo liderado pelo prefeito José Auricchio Júnior (PTB), quebrou a hegemonia petebista no comando de São Caetano, que já durava três décadas. Pelo feito, está com a moral elevada junto aos caciques peemedebistas, mesmo tendo ingressado no partido há pouco mais de um ano.

"Já é grande liderança do PMDB na região", afirma Baleia, ao dar uma amostra do prestígio do prefeito eleito. "O Michel Temer (PMDB, vice-presidente da República) será o advogado do Paulo em Brasília."

HIATO

O encolhimento do PMDB no Grande ABC foi progressivo. O partido registrou o auge na região entre 1977 e 1982, quando governou cinco das sete cidades. Elegeu os últimos prefeitos em 1992: José Carlos Grecco (Mauá) e Valdírio Prisco (Ribeirão Pires). Em 2008, sequer lançou candidato ao Executivo.

 

Sigla projeta manter ascensão em 2014

O ressurgimento do PMDB no Grande ABC está atrelado ao crescimento do partido no Estado. A sigla elegeu 90 prefeitos em outubro, ante os atuais 68. A legenda é a que mais comandará prefeituras no País a partir de janeiro: 1.032.

O PMDB chega ao bom momento após a reestruturação forçada pela morte de Orestes Quércia, em dezembro de 2010. O ex-governador, principal figura peemedebista no Estado, incentivava alianças com partidos que estavam no poder em detrimento de candidaturas próprias.

Pelo contexto, Baleia Rossi projeta que o partido continuará crescendo em 2014. E já traça a meta de dobrar a representação da legenda no Parlamento paulista (atualmente são cinco deputados federais) e chegar a sete cadeiras na Câmara Federal (o PMDB de São Paulo elegeu somente um deputado federal em 2010).

No Grande ABC, o mandatário antecipa que Vanessa Damo (Mauá), Tunico Vieira (São Bernardo) e Nilson Bonome (Santo André) terão legenda garantida para se candidatar como deputados.

Vanessa é citada por Baleia como a "referência parlamentar" do PMDB na região. Após a aliada perder a eleição à Prefeitura de Mauá para Donisete Braga (PT), o cacique reforça que o partido fará oposição à gestão petista.

 

Dirigente abre caminho para Bonome em 2016

Além de assegurar legenda para que Nilson Bonome seja candidato a deputado estadual em 2014, Baleia Rossi faz lobby para que o correligionário volte a concorrer a prefeito de Santo André em 2016 - neste ano se candidatou ao Paço pelo PMDB e ficou em quarto, com 4,77% dos votos válidos.

"Nilson cumpriu papel importante. Como estreia (disputou sua primeira eleição), teve dificuldades contra a máquina e o PT. Apesar de grande articulador, era desconhecido do eleitorado e rompeu esta barreira. Vai ampliar o contato com a população e, a partir daí, pavimentar sua candidatura a prefeito em 2016."

Antes disso, porém, Baleia trabalha para que o PMDB dê apoio ao prefeito eleito de Santo André, Carlos Grana (PT). Com o partido, o petista teria governabilidade garantida na Câmara. O presidente estadual do PMDB revelou orientação para que os dois vereadores reeleitos pelo partido integrem a base de sustentação.

Sargento Juliano e José de Araújo apoiaram a tentativa de reeleição de Aidan Ravin (PTB). Mais do que isso, são aliados de primeira hora do petebista, derrotado nas urnas. Tanto que durante os últimos quatro anos a dupla se revezou na presidência da Câmara em articulação encabeçada pelo governo.

"Há conversa para que o PMDB apoie o Grana. Esta é a nossa orientação. Mas isso será construído com diálogo, sem imposição", pondera Baleia. Além da dupla de parlamentares, Bonome inclinou para Aidan na etapa final.

Se a orientação da executiva estadual for acatada pela bancada peemedebista, Grana ficará muito próximo de somar 14 aliados na próxima legislatura. O número representa dois terços da Câmara, índice suficiente para o governo conseguir a aprovação de qualquer projeto.

Já caminham com o prefeito eleito PT, PDT, PRB e PRP, bloco que elegeu nove vereadores. Há conversas avançadas pelas adesões de PTdoB (que elegeu dois parlamentares) e PV (um).

 

Insatisfeito, cacique cobra ousadia em Diadema

O desempenho do PMDB na eleição de Diadema desagradou Baleia Rossi. Pelo segundo pleito consecutivo, o partido conseguiu eleger apenas a vereadora Cida Ferreira para a Câmara. Para o presidente estadual da sigla, o resultado merece uma reflexão.

"Conversarei com a Cida. É uma vereadora tradicional, um quadro respeitado, mas é claro que não estamos satisfeitos. O mínimo aceitável para quem estava com a máquina (o PMDB apoiou a tentativa de reeleição do prefeito Mário Reali, PT) era eleger dois vereadores", considera o mandatário.

O contato com a parlamentar é explicado pelo grupo de Cida ter conduzido o partido na última década. Além da vereadora, presidiram o PMDB em Diadema no período o seu cunhado, José Eduardo Rosário, e seu advogado, o atual comandante Waldir Salles Lopes.

"Ela também deve ter ficado triste. Mas é preciso mais ousadia, pensar em candidatura a prefeito ou a vice. Do jeito que está, parece que o partido tem só um objetivo: eleger a Cida", constata Baleia.

Em 2011, o dirigente chegou a articular intervenção no diretório local, movimento que foi brecado pelos deputados estaduais Vanessa Damo e Jorge Caruso, aliados de Cida. O presidente estadual alegou que o PMDB de Diadema não atingiu a meta de conquistar 5% dos votos válidos na eleição de 2010.

Mesmo diante de mais um desgaste, Baleia, a princípio, descarta intervenção. "Não é o caso. Mas vamos conversar com a Cida, discutir mudanças, para que o PMDB pare de patinar em Diadema."

Em outubro, Cida Ferreira foi eleita para o sétimo mandato consecutivo na Câmara. Mesmo assim, sua votação encolheu com relação à conquistada em 2008: de 4.604 para 3.548 votos. A peemedebista, 71 anos, é a vereadora eleita mais velha do Grande ABC.

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