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Escolas estaduais da região ficam sem limpeza em meio à pandemia

Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Sem pagamento, profissionais terceirizados cruzam braços; alunos e professores precisam fazer faxina


Thainá Lana
Do Diário do Grande ABC

12/11/2021 | 00:01


Alunos das escolas estaduais de Santo André, São Bernardo, Mauá e Ribeirão Pires estão estudando em meio à sujeira em plena pandemia da Covid. A falta de limpeza nas unidades de ensino  ocorre porque os poucos funcionários que realizam o serviço de faxina estão com os pagamentos atrasados há pelo menos 15 dias e, em algumas unidades, eles se recusaram a continuar trabalhando até que a situação seja resolvida. 

Por conta da paralisação dos colaboradores, estudantes e professores precisaram fazer a limpeza das salas e dos banheiros na EE (Escola Estadual) Professora Ruth Neves Sant’ Anna, em Ribeirão Pires. Mesmo assim, as aulas presenciais foram interrompidas e os alunos foram dispensados. “Desde ontem <CF51>(quarta-feira)</CF> minha filha está tendo aulas em casa. A empresa terceirizada não paga os profissionais e, por isso, as crianças deixam de frequentar a escola. Fico com dó porque muitos alunos não têm o que comer e dependem da merenda escolar ”, reclama o pai Michel da Silveira Gato, 49 anos. 

Em Mauá, a unidade Visconde de Mauá emitiu comunicado aos pais e professores. “Por conta da continuidade da greve dos agentes da limpeza e por não termos condições de manter a higiene no ambiente escolar, não teremos aulas presenciais para nossos alunos”, informou a nota. 

Esse é um problema recorrente nas escolas estaduais do Grande ABC. Em outubro, os profissionais já haviam paralisado os serviços por atraso de salários. De acordo com apuração do Diário na época, foram afetadas escolas de São Bernardo e Mauá, onde as empresas Destake Serviços, Shalom, Top Servoce e Clarifito realizam os serviços de limpeza. Segundo relato de funcionários, as quatro empresas são do mesmo dono. 

Santo André também vive diferentes dramas em relação à falta de limpeza. Na EE Joaquim Lúcio Cardoso Filho os funcionários cruzaram os braços e os alunos precisaram passar o dia com os banheiros sujos. A professora Sílvia (nome fictício) teme pela falta de higiene. “Hoje (ontem) a escola já ficou bem suja. Os alunos ficaram das 7h30 até as 16h30 com os banheiros sujos. Estudar período integral sem higiene não é fácil”, argumentou a docente. 

A situação dos colaboradores de limpeza também preocupa a professora de história, geografia e sociologia Márcia Raquel Sanches, 55. A docente ministra aulas em três escolas estaduais de Santo André, no Inácia Teruko Inagaki, Edevaldo Perassi e João Baptista Marigo Martins e, em todas, os profissionais estão com salários atrasados. “Essa situação ocorre há muitos anos, não é algo novo. A mesma coisa acontece com as colaboradoras que fazem a merenda escolar, que em muitas vezes já ficaram sem pagamento. O Estado paga a empresa terceirizada, que não repassa o valor ao funcionário”, diz Márcia. 

O Diário procurou a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, que não retornou os questionamentos sobre quais medidas o governo irá tomar nem o nome das empresas contratadas. Em nota, a pasta afirmou que os contratos com as empresas terceirizadas são geridos pelos dirigentes regionais de ensino e que em casos de descumprimento contratual, que inclui atraso de pagamento dos funcionários, a empresa será notificada e, em cinco dias sem que haja retomada dos serviços de forma completa, a secretaria poderá rescindir o contrato.

Falta de água afeta colégio de São Bernardo

Além de viver o drama da paralisação dos serviços de limpeza, a EE (Escola Estadual) Maurício de Castro, em São Bernardo, também passa por outra situação grave de falta de higiene: a escola ficou sem água durante a quinta-feira. 

As aulas não foram interrompidas e os alunos passaram o dia sem poder beber água, ir ao banheiro e até higienizar as mãos para evitar a disseminação do coronavírus.

Uma professora da escola, que pediu para não ser identificada por medo de represálias, revelou que a unidade de ensino vive em extrema precariedade e aponta outros problemas enfrentados no dia a dia. 

“A escola está passando por reforma e quem sofre são os alunos. É tudo muito precário, cadeiras quebradas, montanha de livros jogados nos corredores, entre outros problemas. Mas hoje (ontem)</CF> a situação chegou ao extremo. Ficamos o dia sem água, isso é desumano”, argumenta a docente.

Em nota, a Secretaria da Educação do Estado informou que houve desabastecimento pontual  da caixa-d’água após rompimento de um cano durante obra de acessibilidade que está em andamento, e que o reparo será feito pela empresa responsável.

Ainda segundo a pasta, a diretora da unidade escolar já contratou um caminhão-pipa emergencialmente para que as aulas presenciais retornem amanhã (hoje). A secretaria afirmou que, por conta do incidente, as aulas presenciais do período noturno foram suspensas e os alunos acompanharam as atividades remotamente. A reforma na instituição de ensino começou em setembro deste ano e a previsão de conclusão é apenas em abril de 2022. 



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