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Erro de interpretação abre dicussão sobre assintomáticos

Especialista alerta para diferentes tipos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus


Dérek Bittencourt
Do Diário do Grande ABC

10/06/2020 | 00:01


Grande polêmica tomou conta das redes sociais e dos noticiários ontem após um erro de interpretação na fala da epidemiologista da OMS (Organização Mundial de Saúde), Maria Van Kerkhove, na véspera, ser replicada por diversas pessoas, inclusive pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), a qual dizia que raramente os assintomáticos transmitem o novo coronavírus. A repercussão foi tamanha que o próprio órgão deu nova coletiva esclarecendo os fatos.

“Estamos absolutamente convencidos de que a transmissão por casos assintomáticos está ocorrendo, a questão é saber quanto”, disse ontem o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan. “A maioria das transmissões que conhecemos ocorre por pessoas com sintomas que transmitem o vírus por meio de gotículas infectadas. Mas há um subconjunto de pessoas que não desenvolvem sintomas.”

Existem três tipos de situações: pessoas sintomáticas, assintomáticas e pré-sintomáticas. Segundo o infectologista e professor do curso de medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Fábio Leal, é preciso ter cuidado com todos os casos, mas chamou a atenção para um que é pouco falado.

“Se sabe que pessoas dois a três dias antes de apresentarem sintomas, estão em período inicial que a gente chamaria de pré-sintomático. Elas podem transmitir vírus nesta fase de pré-sintomas. Então elas nem sabem que estão ou vão ficar doentes e já estão transmitindo o vírus”, iniciou. “Estamos falando dos contatos que não obrigatoriamente apresentam sintomas e foram diagnosticados e estas pessoas, nessa fase pré-sintomática, podem estar transmitindo o vírus amplamente porque circulam por não terem sintomas. Estas são as pessoas confundidas com os assintomáticos. Então, são pré-sintomáticas aquelas que nos próximos dias vão desenvolver a doença e, muitas vezes, com sintomas muito leves e, por isso, acabam passando despercebidas e consideradas assintomáticas”, emendou.

Ainda segundo o infectologista, houve erro de interpretação na fala da epidemiologista da OMS. “Foi mal interpretado o que foi dito. Na verdade a declaração informa que os pacientes que acreditávamos ser assintomáticos, na maioria tem poucos sintomas e isso acaba não sendo bem caracterizado. Então são pessoas com doença leve, mas não que sejam completamente assintomáticas”, declarou o docente.

Se as falas da especialista da OMS fossem da forma como Bolsonaro interpretou, as ações governamentais realizadas desde o início da pandemia poderiam ser julgadas como desnecessárias. Entretanto, segundo Fábio Leal, a realidade é justamente o contrário. “Valoriza estratégia que estamos tentando estabelecer: identificar os casos sintomáticos e, de modo eficiente, isolar e avaliar os contatos destes pacientes, porque são as pessoas que têm maior chance de estar circulando ainda sem sintomas por estar em fase pré-sintomática, facilitando a transmissão da doença. Se a gente consegue bloquear de modo precoce o doente e seus contatos próximos pela grande possibilidade de estarem circulando e transmitindo o vírus ainda sem sintomas, conseguiríamos ter excelentes resultados e, provavelmente, reduzir drasticamente a taxa de transmissão. Por isso a importância de se reforçar isolamento e avaliação dos contatos dos pacientes doentes, principalmente quem mora com alguém diagnosticado ou com quadro clínico suspeito de Covid-19”, concluiu. 



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