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'Ele era um anjo;
Deus o quis ao Seu lado'

Um ano após tragédia na escola Alcina Dantas Feijão, em
São Caetano, pai ainda quer entender o que aconteceu


Rafael Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

16/09/2012 | 07:00


"Até hoje não sei explicar o que aconteceu. Só quando morrer vou encontrar Deus e Ele revelará o que pretendeu com isso, qual a mensagem que Ele quis  passar a todos nós."

Perto de completar um ano da tragédia que marcou a Escola Municipal de Ensino Professora Alcina Dantas Feijão, no bairro Mauá, em São Caetano, o guarda-civil municipal Milton Evangelista Nogueira, 43 anos, ainda tenta entender o que aconteceu no dia 22 de setembro de 2011. Às 15h50, seu filho caçula, David Mota Nogueira, 10, entrou armado com um revólver calibre 38 na instituição de ensino, atirou contra a professora Rosileide Queiros de Oliveira, 38, e, em seguida, disparou contra a própria cabeça.

Índicios de que poderia haver algo errado com o menino Milton não teve. O pai recorda com emoção da terça-feira daquela semana, dois dias antes do fato, quando foi com o filho a um hospital orar pelos doentes. Evangélico, decidiu deixar as explicações para Deus. "Hoje eu vejo que ele é um anjo que passou rápido pela Terra. Talvez o Senhor quisesse ter ele de volta ao seu lado."

Superar a dor da perda é desafio diário para o pai. David completaria 11 anos no dia 7. O filho mais velho, de 17, ainda estuda na escola. Para se afastar das lembranças, Milton decidiu tirar férias neste mês. Pretende viajar na semana em que a tragédia completa um ano, buscar com a família refúgio das memórias doloridas. 
"Aprendi a superar a tragédia no trabalho. Atendo ocorrências envolvendo crianças, sejam atropeladas ou com outros ferimentos, e sei como lidar com o público. Tive de aprender a lidar com minha família."

Saudade, claro, existe e é constante. Milton para de falar ao se recordar de histórias do filho, coça os olhos, lacrimeja, soluça. E novamente tira da religião a força necessária para se manter de pé. "É a Palavra. Ainda estamos buscando voltar à vida normal. E Deus é quem nos conforta", disse.

As fotos do filho continuam na casa onde a família vive, na carteira do pai, e as lembranças serão eternas. O quarto do garoto, porém, foi desmontado para não trazer mais dor. "O mundo quis saber o que ocorreu. Não sei explicar. Não sei dizer como ele pegou a arma. Não sei por que ele fez isso. Até hoje a professora tem admiração pelo David. Ele era muito diferente dos meninos de sua idade. Nunca teve notas ruins. Nunca apresentou problemas. Até a psicóloga o elogia. Prefiro guardar tudo isso como a lembrança que tenho dele."

Funcionários querem um minuto de silêncio

Um minuto de silêncio. E a vida que segue. Assim deve ser o dia 22 na Escola Municipal de Ensino Professora Alcina Dantas Feijão. A informação foi passada por um funcionário, que pretende pedir autorização à direção para que a data não passe em branco. "É claro que não é uma comemoração. Mas não podemos ignorar a vida que foi perdida", disse.

A tragédia é tratada com cautela dentro da escola. A Prefeitura informou que não autoriza imagens da instituição de ensino e entrevistas sobre o fato por seguir orientação acordada entre pais e funcionários.

Poucos funcionários e professores aceitaram falar sobre o assunto. E a discrição é visível. A mesma atitude foi tomada pela docente Rosileide Queiros de Oliveira. Nem a polícia tem informações sobre seu estado. Sua casa, no Centro de Diadema, estava vazia. O telefone tocou sem ninguém atender. Ela voltou ao trabalho, mas em outra escola da cidade, que não foi informada.

Na casa de seus parentes, na Vila Vivaldi, em São Bernardo, o recado é direto. "Não vamos comentar nada. Isso já está superado e ela está bem", disse um deles.

Entre os pais de alunos, o silêncio é providencial. A auxiliar contábil Silvana Bete Prata, 37, ficou preocupada ao saber que o filho de 10 anos iria estudar lá a partir deste ano. "Fica um receio, claro, das próprias crianças até. Só que justamente por ninguém comentar, acabamos ficando à vontade dentro do ambiente em que tudo ocorreu", disse.



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'Ele era um anjo;
Deus o quis ao Seu lado'

Um ano após tragédia na escola Alcina Dantas Feijão, em
São Caetano, pai ainda quer entender o que aconteceu

Rafael Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

16/09/2012 | 07:00


"Até hoje não sei explicar o que aconteceu. Só quando morrer vou encontrar Deus e Ele revelará o que pretendeu com isso, qual a mensagem que Ele quis  passar a todos nós."

Perto de completar um ano da tragédia que marcou a Escola Municipal de Ensino Professora Alcina Dantas Feijão, no bairro Mauá, em São Caetano, o guarda-civil municipal Milton Evangelista Nogueira, 43 anos, ainda tenta entender o que aconteceu no dia 22 de setembro de 2011. Às 15h50, seu filho caçula, David Mota Nogueira, 10, entrou armado com um revólver calibre 38 na instituição de ensino, atirou contra a professora Rosileide Queiros de Oliveira, 38, e, em seguida, disparou contra a própria cabeça.

Índicios de que poderia haver algo errado com o menino Milton não teve. O pai recorda com emoção da terça-feira daquela semana, dois dias antes do fato, quando foi com o filho a um hospital orar pelos doentes. Evangélico, decidiu deixar as explicações para Deus. "Hoje eu vejo que ele é um anjo que passou rápido pela Terra. Talvez o Senhor quisesse ter ele de volta ao seu lado."

Superar a dor da perda é desafio diário para o pai. David completaria 11 anos no dia 7. O filho mais velho, de 17, ainda estuda na escola. Para se afastar das lembranças, Milton decidiu tirar férias neste mês. Pretende viajar na semana em que a tragédia completa um ano, buscar com a família refúgio das memórias doloridas. 
"Aprendi a superar a tragédia no trabalho. Atendo ocorrências envolvendo crianças, sejam atropeladas ou com outros ferimentos, e sei como lidar com o público. Tive de aprender a lidar com minha família."

Saudade, claro, existe e é constante. Milton para de falar ao se recordar de histórias do filho, coça os olhos, lacrimeja, soluça. E novamente tira da religião a força necessária para se manter de pé. "É a Palavra. Ainda estamos buscando voltar à vida normal. E Deus é quem nos conforta", disse.

As fotos do filho continuam na casa onde a família vive, na carteira do pai, e as lembranças serão eternas. O quarto do garoto, porém, foi desmontado para não trazer mais dor. "O mundo quis saber o que ocorreu. Não sei explicar. Não sei dizer como ele pegou a arma. Não sei por que ele fez isso. Até hoje a professora tem admiração pelo David. Ele era muito diferente dos meninos de sua idade. Nunca teve notas ruins. Nunca apresentou problemas. Até a psicóloga o elogia. Prefiro guardar tudo isso como a lembrança que tenho dele."

Funcionários querem um minuto de silêncio

Um minuto de silêncio. E a vida que segue. Assim deve ser o dia 22 na Escola Municipal de Ensino Professora Alcina Dantas Feijão. A informação foi passada por um funcionário, que pretende pedir autorização à direção para que a data não passe em branco. "É claro que não é uma comemoração. Mas não podemos ignorar a vida que foi perdida", disse.

A tragédia é tratada com cautela dentro da escola. A Prefeitura informou que não autoriza imagens da instituição de ensino e entrevistas sobre o fato por seguir orientação acordada entre pais e funcionários.

Poucos funcionários e professores aceitaram falar sobre o assunto. E a discrição é visível. A mesma atitude foi tomada pela docente Rosileide Queiros de Oliveira. Nem a polícia tem informações sobre seu estado. Sua casa, no Centro de Diadema, estava vazia. O telefone tocou sem ninguém atender. Ela voltou ao trabalho, mas em outra escola da cidade, que não foi informada.

Na casa de seus parentes, na Vila Vivaldi, em São Bernardo, o recado é direto. "Não vamos comentar nada. Isso já está superado e ela está bem", disse um deles.

Entre os pais de alunos, o silêncio é providencial. A auxiliar contábil Silvana Bete Prata, 37, ficou preocupada ao saber que o filho de 10 anos iria estudar lá a partir deste ano. "Fica um receio, claro, das próprias crianças até. Só que justamente por ninguém comentar, acabamos ficando à vontade dentro do ambiente em que tudo ocorreu", disse.

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