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Finalmente, o favorito

Carmo Dalla Vecchia jura que, quando decidiu se tornar ator, não tinha ambição de protagonizar novela


Gabriela Germano
Da TV Press

31/08/2008 | 07:00


Carmo Dalla Vecchia jura que, quando decidiu se tornar ator, não tinha como ambição ser protagonista de uma novela das oito da Globo. "Se almejasse isso provavelmente eu teria me frustrado muito", confirma. Atualmente ele interpreta o jornalista Zé Bob, de A Favorita. Mas desde que estreou na TV em Engraçadinha, de 1995, já passou por quase todas as emissoras de TV que produzem teledramaturgia. E às vezes em novelas de ibope inexpressivo. "Mesmo assim tive a sorte de fazer trabalhos que adorei e de conhecer pessoas que são grandes amigos até hoje", pondera.

Entre os altos e baixos da carreira, o reconhecimento não veio com tanta rapidez. Carmo chamou a atenção, por exemplo, em Chiquititas do SBT, de 2000. Mas para boa parte do público, A Favorita é a sua segunda novela. Na verdade é a décima. Muitos só se lembram dele em Cobras & Lagartos, outro folhetim do autor João Emanuel Carneiro em que o ator teve bastante destaque como Luciano.

Mesmo com a crise de audiência da atual novela das oito, Carmo experimenta um assédio que é algo novo em sua vida. E diz, sem saber a explicação, que ele é o preferido das senhoras com um pouco mais de idade. "De um jeito bem especial, outro dia uma delas me chamou para dizer bem de perto que só via a novela por minha causa", conta, sem jeito.

Quando deixou o Rio Grande do Sul, Carmo Dalla Vecchia só tinha a experiência de teatro infantil no colégio. Já tinha iniciado a faculdade de Educação Física por duas vezes. E nunca terminou. Mas quando chegou ao Rio de Janeiro para fazer teatro na CAL (Casa das Artes das Laranjeiras), comprovou que queria mesmo era ser ator. E seguiu na carreira que o fez passar pela Globo, Band, Record e SBT. Foi nesta última, enquanto gravava Chiquititas na Argentina, que Carmo aventurou-se na gravação de um CD com músicas em espanhol. "Eram baladas românticas e salsas inéditas. Não tenho medo do trash", revela, orgulhoso.

As respectivas versões em português das canções também foram gravadas, e a intenção era lançar o álbum, de nome Vício, em Miami e no México. "Mas eu só revelo essa história porque o CD não chegou a ser lançado", confessa aos risos. E, como na época ele teve de fazer um grande esforço para se dividir entre as gravações da novela e as cantorias à la Luis Miguel, o ator guarda ao menos um exemplar pessoal com muito carinho. "Apesar do lado cafona, escuto esse CD hoje e sinto orgulho pois foi um trabalho sobre-humano", afirma.

Apesar de interpretar o mocinho Zé Bob, de A Favorita, Carmo Dalla Vecchia não esconde a sua preferência por personagens tresloucados. "Adoro fazer o cara da pá virada", confirma o ator. E no cinema, o ator teve a oportunidade de interpretar uma figura de personalidade complexa no filme Onde Andará Dulce Veiga?, recém-lançado em junho deste ano.

No longa, baseado no romance autobiográfico de Caio Fernando Abreu e dirigido por Guilherme de Almeida Prado, Carmo interpreta o perturbado Raudério, um viciado em heroína que se traveste de mulher e é apaixonado pela protagonista da história, Dulce Veiga, personagem de Maitê Proença. No final do filme, acontece inclusive um beijo gay, entre o seu personagem e o jornalista vivido por Eriberto Leão. "Um psicanalista me ajudou a compor esse papel. Ele era louco, homossexual, se vestia de mulher por quê? Busquei essa ajuda para seguir uma linha mais precisa."

Entrevista

A Favorita já enfrentou e passa por problemas de audiência - raramente ultrapassa os 40 pontos de média. Por ser o mocinho da história, esses problemas pesam mais para você?
CARMO DALLA VECCHIA - A responsabilidade nunca está no trabalho de apenas uma pessoa. Fazer o mocinho é muito difícil. Geralmente é aquele personagem que é enganado a novela inteira, todo mundo sabe, mas o ator tem de fingir que não está vendo isso. A gente corre o risco de ficar vendido nessa história. Aí a culpa acaba caindo no ator, que é considerado chato. Procuro respeitar a escolha do diretor Ricardo Waddington e do autor João Emanuel Carneiro, que acharam que eu estava no momento adequado para fazer um personagem de peso. E espero que eles estejam felizes com o resultado.

Você está?
DALLA VECCHIA - Tem coisas que a gente olha e vê que poderia ter feito diferente. Mas também não fico achando que está tudo errado. Seria muita presunção minha dizer que estou pronto, que estou no lugar que mereço.

Em seu trabalho anterior, Cobras & Lagartos, seu personagem cresceu bastante durante a trama. O Zé Bob é uma conseqüência dessa parceria que você estabeleceu com o autor João Emanuel Carneiro?
DALLA VECCHIA - Não tenho dúvida nenhuma de que não estaria fazendo o Zé Bob agora se não tivesse tido êxito com o Luciano de Cobras & Lagartos. Aliás, o número de cenas que gravo agora, como protagonista, é muito parecido com o da novela anterior. Não penso nesse detalhe do tamanho do personagem. Muita gente acha que essa é a minha segunda novela. Mas tenho uma carreira longa, já é a décima. Quando me tornei ator não podia ter como ambição ser o protagonista de uma novela das oito. Se minha ambição fosse essa provavelmente em algum momento eu teria me frustrado muito.

Ao longo de sua trajetória você passou por diversas emissoras. Acha que demorou para se destacar na profissão?
DALLA VECCHIA - Acho que só não trabalhei na Manchete porque a emissora fechou. Tem um lado difícil de entender na carreira do artista. Porque você imagina que ele só faz o que o seu ímpeto artístico lhe diz. Mas às vezes você é chamado para determinados trabalhos e tem de fazer porque precisa sobreviver, comer, pagar suas contas. Mas mesmo assim posso dizer que participei de projetos que me deram grande prazer, não foram feitos só por dinheiro. E fiz grandes amigos também. A gente tem uma realidade no Brasil hoje que, se você estiver empregado como ator, tem de sorrir. E todas as condições mais difíceis de trabalho só me ajudaram a crescer.

Você sempre foi persistente ou já pensou em desistir?
DALLA VECCHIA - Quando saí de casa, achei que tinha de me bancar. Eu tinha 23 anos e meu primeiro trabalho foi como vendedor de loja em shopping, para pagar meu curso de teatro. Depois de um ano eu estava fazendo a Oficina de Atores da Globo e, no ano seguinte, me chamaram para fazer a minissérie Engraçadinha. É a roda da vida. Em alguns momentos você está em cima, em outros está embaixo.

A volubilidade da profissão é a parte mais maçante?
DALLA VECCHIA - O mais chato mesmo é o universo fictício que as pessoas criam para a nossa profissão. Eu sou chegado à verdade, e esse negócio que inventam que a gente tem de ir a todas as festas, badalar, é tudo meio distorcido. Vejo profissionais bacanas que não precisam passar por isso. O trabalho fala por eles.

Fazer um personagem relevante em uma novela das oito piora esse assédio?
DALLA VECCHIA - Sou extremamente caseiro. Esse assédio, que poderia ser um problema na minha vida, não é. O que gosto mesmo é de pesquisar para meus personagens e decorar bem minhas cenas em respeito aos colegas que trabalham comigo. O outro lado do assédio, o do público, eu admiro muito. E é incrível como as senhoras têm um carinho especial por mim. Algumas até passam do ponto. Outro dia na academia uma delas perguntou se eu não queria fazer uma entrevista com ela. E completou: "Aí eu te digo o assunto que você vai tratar comigo". Ri e fiquei sem reação. O que ia dizer (risos)?



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Finalmente, o favorito

Carmo Dalla Vecchia jura que, quando decidiu se tornar ator, não tinha ambição de protagonizar novela

Gabriela Germano
Da TV Press

31/08/2008 | 07:00


Carmo Dalla Vecchia jura que, quando decidiu se tornar ator, não tinha como ambição ser protagonista de uma novela das oito da Globo. "Se almejasse isso provavelmente eu teria me frustrado muito", confirma. Atualmente ele interpreta o jornalista Zé Bob, de A Favorita. Mas desde que estreou na TV em Engraçadinha, de 1995, já passou por quase todas as emissoras de TV que produzem teledramaturgia. E às vezes em novelas de ibope inexpressivo. "Mesmo assim tive a sorte de fazer trabalhos que adorei e de conhecer pessoas que são grandes amigos até hoje", pondera.

Entre os altos e baixos da carreira, o reconhecimento não veio com tanta rapidez. Carmo chamou a atenção, por exemplo, em Chiquititas do SBT, de 2000. Mas para boa parte do público, A Favorita é a sua segunda novela. Na verdade é a décima. Muitos só se lembram dele em Cobras & Lagartos, outro folhetim do autor João Emanuel Carneiro em que o ator teve bastante destaque como Luciano.

Mesmo com a crise de audiência da atual novela das oito, Carmo experimenta um assédio que é algo novo em sua vida. E diz, sem saber a explicação, que ele é o preferido das senhoras com um pouco mais de idade. "De um jeito bem especial, outro dia uma delas me chamou para dizer bem de perto que só via a novela por minha causa", conta, sem jeito.

Quando deixou o Rio Grande do Sul, Carmo Dalla Vecchia só tinha a experiência de teatro infantil no colégio. Já tinha iniciado a faculdade de Educação Física por duas vezes. E nunca terminou. Mas quando chegou ao Rio de Janeiro para fazer teatro na CAL (Casa das Artes das Laranjeiras), comprovou que queria mesmo era ser ator. E seguiu na carreira que o fez passar pela Globo, Band, Record e SBT. Foi nesta última, enquanto gravava Chiquititas na Argentina, que Carmo aventurou-se na gravação de um CD com músicas em espanhol. "Eram baladas românticas e salsas inéditas. Não tenho medo do trash", revela, orgulhoso.

As respectivas versões em português das canções também foram gravadas, e a intenção era lançar o álbum, de nome Vício, em Miami e no México. "Mas eu só revelo essa história porque o CD não chegou a ser lançado", confessa aos risos. E, como na época ele teve de fazer um grande esforço para se dividir entre as gravações da novela e as cantorias à la Luis Miguel, o ator guarda ao menos um exemplar pessoal com muito carinho. "Apesar do lado cafona, escuto esse CD hoje e sinto orgulho pois foi um trabalho sobre-humano", afirma.

Apesar de interpretar o mocinho Zé Bob, de A Favorita, Carmo Dalla Vecchia não esconde a sua preferência por personagens tresloucados. "Adoro fazer o cara da pá virada", confirma o ator. E no cinema, o ator teve a oportunidade de interpretar uma figura de personalidade complexa no filme Onde Andará Dulce Veiga?, recém-lançado em junho deste ano.

No longa, baseado no romance autobiográfico de Caio Fernando Abreu e dirigido por Guilherme de Almeida Prado, Carmo interpreta o perturbado Raudério, um viciado em heroína que se traveste de mulher e é apaixonado pela protagonista da história, Dulce Veiga, personagem de Maitê Proença. No final do filme, acontece inclusive um beijo gay, entre o seu personagem e o jornalista vivido por Eriberto Leão. "Um psicanalista me ajudou a compor esse papel. Ele era louco, homossexual, se vestia de mulher por quê? Busquei essa ajuda para seguir uma linha mais precisa."

Entrevista

A Favorita já enfrentou e passa por problemas de audiência - raramente ultrapassa os 40 pontos de média. Por ser o mocinho da história, esses problemas pesam mais para você?
CARMO DALLA VECCHIA - A responsabilidade nunca está no trabalho de apenas uma pessoa. Fazer o mocinho é muito difícil. Geralmente é aquele personagem que é enganado a novela inteira, todo mundo sabe, mas o ator tem de fingir que não está vendo isso. A gente corre o risco de ficar vendido nessa história. Aí a culpa acaba caindo no ator, que é considerado chato. Procuro respeitar a escolha do diretor Ricardo Waddington e do autor João Emanuel Carneiro, que acharam que eu estava no momento adequado para fazer um personagem de peso. E espero que eles estejam felizes com o resultado.

Você está?
DALLA VECCHIA - Tem coisas que a gente olha e vê que poderia ter feito diferente. Mas também não fico achando que está tudo errado. Seria muita presunção minha dizer que estou pronto, que estou no lugar que mereço.

Em seu trabalho anterior, Cobras & Lagartos, seu personagem cresceu bastante durante a trama. O Zé Bob é uma conseqüência dessa parceria que você estabeleceu com o autor João Emanuel Carneiro?
DALLA VECCHIA - Não tenho dúvida nenhuma de que não estaria fazendo o Zé Bob agora se não tivesse tido êxito com o Luciano de Cobras & Lagartos. Aliás, o número de cenas que gravo agora, como protagonista, é muito parecido com o da novela anterior. Não penso nesse detalhe do tamanho do personagem. Muita gente acha que essa é a minha segunda novela. Mas tenho uma carreira longa, já é a décima. Quando me tornei ator não podia ter como ambição ser o protagonista de uma novela das oito. Se minha ambição fosse essa provavelmente em algum momento eu teria me frustrado muito.

Ao longo de sua trajetória você passou por diversas emissoras. Acha que demorou para se destacar na profissão?
DALLA VECCHIA - Acho que só não trabalhei na Manchete porque a emissora fechou. Tem um lado difícil de entender na carreira do artista. Porque você imagina que ele só faz o que o seu ímpeto artístico lhe diz. Mas às vezes você é chamado para determinados trabalhos e tem de fazer porque precisa sobreviver, comer, pagar suas contas. Mas mesmo assim posso dizer que participei de projetos que me deram grande prazer, não foram feitos só por dinheiro. E fiz grandes amigos também. A gente tem uma realidade no Brasil hoje que, se você estiver empregado como ator, tem de sorrir. E todas as condições mais difíceis de trabalho só me ajudaram a crescer.

Você sempre foi persistente ou já pensou em desistir?
DALLA VECCHIA - Quando saí de casa, achei que tinha de me bancar. Eu tinha 23 anos e meu primeiro trabalho foi como vendedor de loja em shopping, para pagar meu curso de teatro. Depois de um ano eu estava fazendo a Oficina de Atores da Globo e, no ano seguinte, me chamaram para fazer a minissérie Engraçadinha. É a roda da vida. Em alguns momentos você está em cima, em outros está embaixo.

A volubilidade da profissão é a parte mais maçante?
DALLA VECCHIA - O mais chato mesmo é o universo fictício que as pessoas criam para a nossa profissão. Eu sou chegado à verdade, e esse negócio que inventam que a gente tem de ir a todas as festas, badalar, é tudo meio distorcido. Vejo profissionais bacanas que não precisam passar por isso. O trabalho fala por eles.

Fazer um personagem relevante em uma novela das oito piora esse assédio?
DALLA VECCHIA - Sou extremamente caseiro. Esse assédio, que poderia ser um problema na minha vida, não é. O que gosto mesmo é de pesquisar para meus personagens e decorar bem minhas cenas em respeito aos colegas que trabalham comigo. O outro lado do assédio, o do público, eu admiro muito. E é incrível como as senhoras têm um carinho especial por mim. Algumas até passam do ponto. Outro dia na academia uma delas perguntou se eu não queria fazer uma entrevista com ela. E completou: "Aí eu te digo o assunto que você vai tratar comigo". Ri e fiquei sem reação. O que ia dizer (risos)?

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