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Tem gente
brava com a Copa

Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

População contra o Mundial no Brasil quer que o
dinheiro seja investido em áreas mais importantes


Caroline Garcia
Do Diário do Grande ABC

18/05/2014 | 07:00


Daqui a pouco, vai ser difícil sair de casa sem encontrar alguém vestindo a camisa do Brasil ou passar por uma rua que não tenha uma bandeira gigante pintada no chão. A Copa do Mundo está chegando, faltam 25 dias. O outro Mundial realizado no País foi em 1950, e isso já faz 64 anos!

Mas, apesar do clima de festa, não é todo mundo que está feliz com os jogos que acontecerão por aqui. Algumas pessoas estão indo às ruas para protestar. “O governo gastou milhões de dólares na Copa, mas hospitais e escolas que é bom, nada”, diz Arthur Silvestre Martinez, 9 anos, do Colégio Iemano, de Diadema.

A principal exigência dos grupos manifestantes é que os R$ 28 bilhões que o governo pretende gastar no Mundial sejam usados para melhorar a Segurança, Educação, Saúde e Habitação. Por causa do evento, este dinheiro todo está sendo investido na construção e adaptação de estádios, aeroportos, portos, turismo e transporte.

Para Gabriel Matos da Silva, 9, manifestação costuma ser sinônimo de violência e destruição. “Colocam fogo em móveis, quebram lojas, picham e explodem bancos.” Mas, não é bem assim. A maioria das pessoas vai às passeatas para melhorar o País, como é o caso do primo de Arthur. “Ele levou só uma placa com coisas escritas. Não botou fogo em nada.”

COMO TUDO COMEÇOU...
Os protestos tiveram início no dia em que o Brasil foi escolhido para ser a sede do Mundial, em 2007. Cresceram no ano passado, quando também ocorreram manifestações contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo e outras cidades brasileiras. Em junho de 2013, durante a Copa das Confederações, milhões de brasileiros foram às ruas com cartazes, apitos e máscaras para protestar contra vários problemas.

VÃO AUMENTAR?
Neste ano, as passeatas perderam um pouco de força. O movimento, no entanto, continua nas redes sociais. Internautas que são contra a realização do Mundial compartilham informações sobre os problemas do País e gastos do governo com a competição com a marcação #nãovaitercopa. Querem mostrar que há temas mais importantes para discutir do que futebol.

A expectativa é que as manifestações aumentem na Copa, mas é difícil prever o que vai acontecer. Enquanto isso, pouco a pouco, o clima de festa toma as ruas e o álbum de figurinhas é febre até entre adultos.


Como surgiu a Copa do Mundo?


A ideia de criar a Copa do Mundo surgiu em 1905, um ano após a fundação da Fifa (órgão que comanda o futebol mundial), mas a proposta não foi bem recebida. Nenhum país se inscreveu para a competição. O projeto só foi concretizado em 1930. Antes disso, o esporte era praticado apenas nos Jogos Olímpicos.

O interesse pelo futebol, porém, cresceu. Na Olimpíada de Paris, em 1924, seleções de outras nações jogaram pela primeira vez contra as europeias. Até então, países da Europa disputavam só entre si. Ao todo, 22 equipes participaram (hoje, a Copa tem 32 times). Cerca de 50 mil pessoas viram a final entre Uruguai e Suíça.

Em 1928, a Fifa elaborou nova proposta para organizar o Mundial. Esse era o sonho do presidente da entidade na época, o francês Jules Rimet (nome dado à taça da competição até 1970). Dessa vez, o interesse dos países foi maior. Finalmente, em 1930, ocorreu a primeira Copa, com 13 equipes.


América do Sul sediou primeira edição

O Uruguai sediou a primeira Copa do Mundo. A seleção tinha sido campeã olímpica em 1924 e 1928. Além disso, queria celebrar os 100 anos de independência do país com o Mundial.

Mas convencer os europeus a irem para a América não foi fácil. Uma crise econômica atingia a todos, e os times reclamavam de ficar dois meses sem seus principais jogadores, que defenderiam as seleções. Até porque, na época, a viagem era feita de navio e demorava até 15 dias! Jules Rimet só conseguiu fazer com que quatro países fossem ao Uruguai: França, Bélgica, Romênia e Iugoslávia, que enfrentaram nove nações da América, incluindo o Brasil.

O Uruguai teve de construir um estádio, mas a obra atrasou. O local só foi entregue cinco dias após a abertura. A primeira final de Copa foi entre Argentina e Uruguai, que levou a melhor. O Brasil ficou em sexto.


Turma apaixonada por futebol

Nem todo mundo entende o que as manifestações significam, mas a maioria espera ansiosa pelo começo da Copa do Mundo do Brasil. Lucas Almeida Freire Souza, 7 anos, adora jogar futebol e frequenta até uma escolinha só para isso. “Precisa ter Copa. Vai ser legal. Vou pintar o rosto nos dias de jogos.”

Mesmo sendo pequeno na época, Gabriel Araújo Bittencourt, 8, guarda completo o álbum de figurinhas do Mundial de 2010, realizado na África do Sul. Ele até o levou para a exposição sobre a evolução das Copas no Colégio Iemano, em Diadema. “As chuteiras de antigamente eram parecidas com botas, e as bolas eram mais pesadas.”

Arthur Silvestre Martinez, 9, curte tanto futebol que até arrisca palpite na escalação do técnico Luiz Felipe Scolari. “Não gostei. Faltaram clássicos como o Robinho, por exemplo. Se eu pudesse, levaria o Pelé em todas as Copas. Ele está um pouco velho, mas é muito bom.”


A imagem mostra os capitães de Uruguai e Argentina na final da primeira Copa do Mundo, em 1930. Os uniformes dos jogadores e até do árbitro da partida não eram tão confortáveis como os de hoje.


Saiba mais

A Copa não aconteceu em 1942 e 1946 por causa da Segunda Guerra Mundial.

Calcula-se que cada partida da Copa receba, em média, 44 mil torcedores.

O Brasil é a única seleção pentacampeã (venceu cinco vezes) e que participou de todas as edições do Mundial.


Consultoria de Claudio Luis de Camargo Penteado, doutor em Ciências Sociais e professor da UFABC. 



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brava com a Copa

População contra o Mundial no Brasil quer que o
dinheiro seja investido em áreas mais importantes

Caroline Garcia
Do Diário do Grande ABC

18/05/2014 | 07:00


Daqui a pouco, vai ser difícil sair de casa sem encontrar alguém vestindo a camisa do Brasil ou passar por uma rua que não tenha uma bandeira gigante pintada no chão. A Copa do Mundo está chegando, faltam 25 dias. O outro Mundial realizado no País foi em 1950, e isso já faz 64 anos!

Mas, apesar do clima de festa, não é todo mundo que está feliz com os jogos que acontecerão por aqui. Algumas pessoas estão indo às ruas para protestar. “O governo gastou milhões de dólares na Copa, mas hospitais e escolas que é bom, nada”, diz Arthur Silvestre Martinez, 9 anos, do Colégio Iemano, de Diadema.

A principal exigência dos grupos manifestantes é que os R$ 28 bilhões que o governo pretende gastar no Mundial sejam usados para melhorar a Segurança, Educação, Saúde e Habitação. Por causa do evento, este dinheiro todo está sendo investido na construção e adaptação de estádios, aeroportos, portos, turismo e transporte.

Para Gabriel Matos da Silva, 9, manifestação costuma ser sinônimo de violência e destruição. “Colocam fogo em móveis, quebram lojas, picham e explodem bancos.” Mas, não é bem assim. A maioria das pessoas vai às passeatas para melhorar o País, como é o caso do primo de Arthur. “Ele levou só uma placa com coisas escritas. Não botou fogo em nada.”

COMO TUDO COMEÇOU...
Os protestos tiveram início no dia em que o Brasil foi escolhido para ser a sede do Mundial, em 2007. Cresceram no ano passado, quando também ocorreram manifestações contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo e outras cidades brasileiras. Em junho de 2013, durante a Copa das Confederações, milhões de brasileiros foram às ruas com cartazes, apitos e máscaras para protestar contra vários problemas.

VÃO AUMENTAR?
Neste ano, as passeatas perderam um pouco de força. O movimento, no entanto, continua nas redes sociais. Internautas que são contra a realização do Mundial compartilham informações sobre os problemas do País e gastos do governo com a competição com a marcação #nãovaitercopa. Querem mostrar que há temas mais importantes para discutir do que futebol.

A expectativa é que as manifestações aumentem na Copa, mas é difícil prever o que vai acontecer. Enquanto isso, pouco a pouco, o clima de festa toma as ruas e o álbum de figurinhas é febre até entre adultos.


Como surgiu a Copa do Mundo?


A ideia de criar a Copa do Mundo surgiu em 1905, um ano após a fundação da Fifa (órgão que comanda o futebol mundial), mas a proposta não foi bem recebida. Nenhum país se inscreveu para a competição. O projeto só foi concretizado em 1930. Antes disso, o esporte era praticado apenas nos Jogos Olímpicos.

O interesse pelo futebol, porém, cresceu. Na Olimpíada de Paris, em 1924, seleções de outras nações jogaram pela primeira vez contra as europeias. Até então, países da Europa disputavam só entre si. Ao todo, 22 equipes participaram (hoje, a Copa tem 32 times). Cerca de 50 mil pessoas viram a final entre Uruguai e Suíça.

Em 1928, a Fifa elaborou nova proposta para organizar o Mundial. Esse era o sonho do presidente da entidade na época, o francês Jules Rimet (nome dado à taça da competição até 1970). Dessa vez, o interesse dos países foi maior. Finalmente, em 1930, ocorreu a primeira Copa, com 13 equipes.


América do Sul sediou primeira edição

O Uruguai sediou a primeira Copa do Mundo. A seleção tinha sido campeã olímpica em 1924 e 1928. Além disso, queria celebrar os 100 anos de independência do país com o Mundial.

Mas convencer os europeus a irem para a América não foi fácil. Uma crise econômica atingia a todos, e os times reclamavam de ficar dois meses sem seus principais jogadores, que defenderiam as seleções. Até porque, na época, a viagem era feita de navio e demorava até 15 dias! Jules Rimet só conseguiu fazer com que quatro países fossem ao Uruguai: França, Bélgica, Romênia e Iugoslávia, que enfrentaram nove nações da América, incluindo o Brasil.

O Uruguai teve de construir um estádio, mas a obra atrasou. O local só foi entregue cinco dias após a abertura. A primeira final de Copa foi entre Argentina e Uruguai, que levou a melhor. O Brasil ficou em sexto.


Turma apaixonada por futebol

Nem todo mundo entende o que as manifestações significam, mas a maioria espera ansiosa pelo começo da Copa do Mundo do Brasil. Lucas Almeida Freire Souza, 7 anos, adora jogar futebol e frequenta até uma escolinha só para isso. “Precisa ter Copa. Vai ser legal. Vou pintar o rosto nos dias de jogos.”

Mesmo sendo pequeno na época, Gabriel Araújo Bittencourt, 8, guarda completo o álbum de figurinhas do Mundial de 2010, realizado na África do Sul. Ele até o levou para a exposição sobre a evolução das Copas no Colégio Iemano, em Diadema. “As chuteiras de antigamente eram parecidas com botas, e as bolas eram mais pesadas.”

Arthur Silvestre Martinez, 9, curte tanto futebol que até arrisca palpite na escalação do técnico Luiz Felipe Scolari. “Não gostei. Faltaram clássicos como o Robinho, por exemplo. Se eu pudesse, levaria o Pelé em todas as Copas. Ele está um pouco velho, mas é muito bom.”


A imagem mostra os capitães de Uruguai e Argentina na final da primeira Copa do Mundo, em 1930. Os uniformes dos jogadores e até do árbitro da partida não eram tão confortáveis como os de hoje.


Saiba mais

A Copa não aconteceu em 1942 e 1946 por causa da Segunda Guerra Mundial.

Calcula-se que cada partida da Copa receba, em média, 44 mil torcedores.

O Brasil é a única seleção pentacampeã (venceu cinco vezes) e que participou de todas as edições do Mundial.


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