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Sem água, moradores ficam no
fogo cruzado em Santo André


Bruna Gonçalves
Do Diário do Grande ABC

23/08/2011 | 07:08


A falta de água constante mudou a rotina de moradores de Santo André. Jardim Alzira Franco, Vila Helena, Casa Branca e Jardim são alguns dos bairros afetados. Enquanto a população busca alternativas, o Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André afirma que o problema está relacionado à irregularidade no fornecimento de água por parte da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. Já a estatal garante que o volume enviado aumentou comparado a 2010, mas sem informar a quantidade.

O Semasa informa que a situação não está relacionada necessariamente ao volume. E também não diz quantos bairros são atingidos.

O atendimento da autarquia pelo 115 informava, na noite de ontem, por gravação, que o envio de água por parte da Sabesp apresentava vazão irregular, gerando pontos de desabastecimento e que a normalização aconteceria na madrugada de hoje.

Na sexta-feira, as duas empresas se reuniram. Um comunicado sobre o encontro deverá ser divulgado hoje.

Enquanto isso, a população economiza, improvisa ou solicita caminhão-pipa. Moradora do Jardim Alzira Franco, a dona de casa Tatiana Francisca Vilar, 29 anos, explica que, desde o início do ano, fica com torneiras secas pela manhã, e que o fornecimento só ocorre na madrugada. "Não tem explicação. Hoje (ontem) tem, mas acumulo louça e lavo de caneca. Para tomar banho, já levei as crianças na casa da minha mãe e até comprei água mineral para lavar a casa."

Outra moradora do bairro, a dona de casa Keila Cristina Soares Oliveira, 40, está com o cesto cheio de roupas. "Preciso acordar de madrugada para aproveitar e encher baldes", explica a mãe de quatro filhos.

Santo André recebe água da Sabesp - 74% vêm do Sistema Rio Claro, que está com 90,3% da capacidade do reservatório, e 20% pelo Rio Grande, que está com 88,5%. O restante é produzido pelo Semasa, com captação no manancial do Pedroso (na bacia da Represa Billings). Todo abastecimento é gerenciado pela autarquia.

O aposentado do bairro Casa Branca Heitor Selingardi, 66, e os vizinhos do prédio precisaram recorrer à mangueira da garagem para levar água até os apartamentos.

Na Vila Helena, há um mês, a embaladora Sirley Pereira Souza, 47, convive com os cortes. "Não acaba porque economizo e lavo roupa uma vez na semana." Em diversas reportagens, todas em 2011, o Diário mostrou o protesto de moradores de bairros como os parques Capuava e Novo Oratório e os jardins Ana Maria e Santo Alberto sobre a falta de água.

No bairro Jardim, o problema ocorre há três meses. Sem solução, o zelador Amilton Silva de Oliveira, 48, solicitou dois caminhões-pipa semana passada. "Os cortes acontecem à noite, e pedimos a colaboração de todos."

A distribuidora de água Gota Azul informou que não verificou aumento da demanda. Funcionário de outra empresa, que pediu para não se identificar, disse que o serviço está normal. "Em dias problemáticos, com falta d'água por mais de 48 horas, chegamos a receber 400 ligações, mas isso está longe de acontecer agora."

 

Posição geográfica do bairro tem influência 

Intermitências no abastecimento são provocadas por motivos diversos, desde o aumento do consumo, sobretudo em dias mais quentes, até a posição geográfica dos bairros e a diminuição do volume de água disponível.

O sistema de captação e distribuição também influencia. Nas regiões centrais, essa estrutura costuma ser mais interligada do que na periferia, garantindo melhor atendimento, ou pelo menos problemas menores.

Mesmo se todas essas possíveis variáveis fossem eliminadas, ainda assim, a região metropolitana de São Paulo não sairia da desconfortável posição de escassez de recursos hídricos.

"Estamos no limiar de ter algum problema há muito tempo. Em 2004, quando a capacidade das bacias chegou a níveis muito baixos, o problema foi mais discutido, mas hoje pouco se fala nisso", afirmou o presidente da ONG Universidade da Água, Gilmar Altamirano.

A recomendação da Organização das Nações Unidas é de que cada habitante deve ter à sua disposição 2.500 metros cúbicos de água por ano. Na Capital e nas cidades vizinhas, também o Grande ABC, a média per capita anual não atinge mais do que 10% desse total.

Contribuir para melhorar a gestão do serviço de abastecimento é tarefa não só do poder público, mas também da população, afirma o especialista, e vai muito além de fechar as torneiras e conter o desperdício.

"Não é só uma questão de economizar água, mas pensar na quantidade de lixo que produzimos, que acaba indo para as represas, rios e córregos, reduzindo a disponibilidade de água potável e encarecendo o tratamento. Água limpa depende de uma cidade limpa." (André Vieira)



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Sem água, moradores ficam no
fogo cruzado em Santo André

Bruna Gonçalves
Do Diário do Grande ABC

23/08/2011 | 07:08


A falta de água constante mudou a rotina de moradores de Santo André. Jardim Alzira Franco, Vila Helena, Casa Branca e Jardim são alguns dos bairros afetados. Enquanto a população busca alternativas, o Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André afirma que o problema está relacionado à irregularidade no fornecimento de água por parte da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. Já a estatal garante que o volume enviado aumentou comparado a 2010, mas sem informar a quantidade.

O Semasa informa que a situação não está relacionada necessariamente ao volume. E também não diz quantos bairros são atingidos.

O atendimento da autarquia pelo 115 informava, na noite de ontem, por gravação, que o envio de água por parte da Sabesp apresentava vazão irregular, gerando pontos de desabastecimento e que a normalização aconteceria na madrugada de hoje.

Na sexta-feira, as duas empresas se reuniram. Um comunicado sobre o encontro deverá ser divulgado hoje.

Enquanto isso, a população economiza, improvisa ou solicita caminhão-pipa. Moradora do Jardim Alzira Franco, a dona de casa Tatiana Francisca Vilar, 29 anos, explica que, desde o início do ano, fica com torneiras secas pela manhã, e que o fornecimento só ocorre na madrugada. "Não tem explicação. Hoje (ontem) tem, mas acumulo louça e lavo de caneca. Para tomar banho, já levei as crianças na casa da minha mãe e até comprei água mineral para lavar a casa."

Outra moradora do bairro, a dona de casa Keila Cristina Soares Oliveira, 40, está com o cesto cheio de roupas. "Preciso acordar de madrugada para aproveitar e encher baldes", explica a mãe de quatro filhos.

Santo André recebe água da Sabesp - 74% vêm do Sistema Rio Claro, que está com 90,3% da capacidade do reservatório, e 20% pelo Rio Grande, que está com 88,5%. O restante é produzido pelo Semasa, com captação no manancial do Pedroso (na bacia da Represa Billings). Todo abastecimento é gerenciado pela autarquia.

O aposentado do bairro Casa Branca Heitor Selingardi, 66, e os vizinhos do prédio precisaram recorrer à mangueira da garagem para levar água até os apartamentos.

Na Vila Helena, há um mês, a embaladora Sirley Pereira Souza, 47, convive com os cortes. "Não acaba porque economizo e lavo roupa uma vez na semana." Em diversas reportagens, todas em 2011, o Diário mostrou o protesto de moradores de bairros como os parques Capuava e Novo Oratório e os jardins Ana Maria e Santo Alberto sobre a falta de água.

No bairro Jardim, o problema ocorre há três meses. Sem solução, o zelador Amilton Silva de Oliveira, 48, solicitou dois caminhões-pipa semana passada. "Os cortes acontecem à noite, e pedimos a colaboração de todos."

A distribuidora de água Gota Azul informou que não verificou aumento da demanda. Funcionário de outra empresa, que pediu para não se identificar, disse que o serviço está normal. "Em dias problemáticos, com falta d'água por mais de 48 horas, chegamos a receber 400 ligações, mas isso está longe de acontecer agora."

 

Posição geográfica do bairro tem influência 

Intermitências no abastecimento são provocadas por motivos diversos, desde o aumento do consumo, sobretudo em dias mais quentes, até a posição geográfica dos bairros e a diminuição do volume de água disponível.

O sistema de captação e distribuição também influencia. Nas regiões centrais, essa estrutura costuma ser mais interligada do que na periferia, garantindo melhor atendimento, ou pelo menos problemas menores.

Mesmo se todas essas possíveis variáveis fossem eliminadas, ainda assim, a região metropolitana de São Paulo não sairia da desconfortável posição de escassez de recursos hídricos.

"Estamos no limiar de ter algum problema há muito tempo. Em 2004, quando a capacidade das bacias chegou a níveis muito baixos, o problema foi mais discutido, mas hoje pouco se fala nisso", afirmou o presidente da ONG Universidade da Água, Gilmar Altamirano.

A recomendação da Organização das Nações Unidas é de que cada habitante deve ter à sua disposição 2.500 metros cúbicos de água por ano. Na Capital e nas cidades vizinhas, também o Grande ABC, a média per capita anual não atinge mais do que 10% desse total.

Contribuir para melhorar a gestão do serviço de abastecimento é tarefa não só do poder público, mas também da população, afirma o especialista, e vai muito além de fechar as torneiras e conter o desperdício.

"Não é só uma questão de economizar água, mas pensar na quantidade de lixo que produzimos, que acaba indo para as represas, rios e córregos, reduzindo a disponibilidade de água potável e encarecendo o tratamento. Água limpa depende de uma cidade limpa." (André Vieira)

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