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Serra: há um 'estranho nervosismo do PT' com a volta de FHC



07/04/2004 | 00:33


Se o retorno do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à cena política incomodou o governo e o PT, foi saudado com euforia pelo PSDB. "Estranho o nervosismo do PT face às declarações de Fernando Henrique, pois ele não está cassado nem aposentado", afirmou nesta terça-feira o presidente nacional do PSDB, José Serra.

Na avaliação de Serra, Fernando Henrique faz críticas "de maneira construtiva" ao governo. "Mas, para o PT, só vale o ex-presidente que fala a favor do governo", disse Serra, ao ressaltar o papel de destaque conferido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos ex-presidentes José Sarney (PMDB-AP), atual presidente do Congresso, e Itamar Franco, hoje embaixador do Brasil na Itália.

Além de presidir o Senado, Sarney é um dos principais "sustentáculos" do governo Lula, segundo Serra. Itamar, por sua vez, foi brindado com a indicação para um dos postos mais cobiçados no exterior.

"A posição de ex-presidente só vale quando está do lado do governo do PT?", perguntou Serra. Ele completou: "isso é a ideologia do pensamento único e, como o PT não tem pensamento, só existe o único."

As críticas do ex-presidente tucano ao governo, a primeira cobrança pública de um projeto de longo prazo para o país, foram aplaudidas e consideradas oportunas pelos principais líderes do PSDB.

Para muitos tucanos, é até uma obrigação para quem esteve oito anos no comando do país manifestar as opiniões. "Depois de um ano e meio de quarentena e com o peso que tem, é até uma obrigação que Fernando Henrique se posicione, principalmente, com sua experiência e, assim, de forma tranqüila", afirmou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

"Fernando Henrique tem obrigação de aparecer, com sua vitalidade intelectual e experiência", concordou o deputado Walter Feldman (PSDB-SP), para quem o ex-presidente é "reserva importante" e pode orientar o rumo do país, independentemente do nome e do partido do governante.

Ao mesmo tempo em que expõe a posição sobre a condução do governo do PT, Fernando Henrique avança também no PSDB. Nos últimos dias, ele interveio de forma incisiva para evitar um racha entre Serra e Jereissati.

Mais uma vez, os dois tucanos desentenderam-se por conta de reportagens publicadas pela imprensa. Na condição de bombeiro, o ex-presidente convidou para jantar em São Paulo o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, ligado a Jereissati, e outros líderes tucanos.

A atuação de Fernando Henrique surtiu efeito e, na segunda-feira, Jereissati subiu à tribuna para dizer que nunca acreditou que Serra estivesse envolvido em escuta telefônica, ao contrário do que foi publicado pela imprensa no fim de semana.

Fernando Henrique não dará passos largos para despontar como líder político da oposição, mas será estratégico. Um dos cenários para fortalecer a presença no PSDB e o nome como referência nacional seria o lançamento da candidatura de Serra a prefeito de São Paulo.

Com o eventual afastamento de Serra para se dedicar à campanha, o ex-presidente daria uma nova cara ao partido, reaglutinando as facções e, quando necessário, explicitando as posições nos momentos mais críticos.

"Ele verbalizou o sentimento generalizado sobre o governo do PT", afirmou o líder do PSDB na Câmara, Custódio de Matos (MG), referindo-se ao artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, no domingo.

Na avaliação de parlamentares do PSDB, Fernando Henrique não previa que a repercussão do artigo seria tão grande. "Ele está se sentindo bem neste papel de intelectual", observou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM).

Apesar de os tucanos negarem razões político-eleitorais, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) considera que Fernando Henrique estaria agindo como candidato à sucessão de Lula.

Para ACM, o ex-presidente poderá beneficiar-se dos erros do governo do PT e se fortalecer, "se falar menos".



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Serra: há um 'estranho nervosismo do PT' com a volta de FHC


07/04/2004 | 00:33


Se o retorno do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à cena política incomodou o governo e o PT, foi saudado com euforia pelo PSDB. "Estranho o nervosismo do PT face às declarações de Fernando Henrique, pois ele não está cassado nem aposentado", afirmou nesta terça-feira o presidente nacional do PSDB, José Serra.

Na avaliação de Serra, Fernando Henrique faz críticas "de maneira construtiva" ao governo. "Mas, para o PT, só vale o ex-presidente que fala a favor do governo", disse Serra, ao ressaltar o papel de destaque conferido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos ex-presidentes José Sarney (PMDB-AP), atual presidente do Congresso, e Itamar Franco, hoje embaixador do Brasil na Itália.

Além de presidir o Senado, Sarney é um dos principais "sustentáculos" do governo Lula, segundo Serra. Itamar, por sua vez, foi brindado com a indicação para um dos postos mais cobiçados no exterior.

"A posição de ex-presidente só vale quando está do lado do governo do PT?", perguntou Serra. Ele completou: "isso é a ideologia do pensamento único e, como o PT não tem pensamento, só existe o único."

As críticas do ex-presidente tucano ao governo, a primeira cobrança pública de um projeto de longo prazo para o país, foram aplaudidas e consideradas oportunas pelos principais líderes do PSDB.

Para muitos tucanos, é até uma obrigação para quem esteve oito anos no comando do país manifestar as opiniões. "Depois de um ano e meio de quarentena e com o peso que tem, é até uma obrigação que Fernando Henrique se posicione, principalmente, com sua experiência e, assim, de forma tranqüila", afirmou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

"Fernando Henrique tem obrigação de aparecer, com sua vitalidade intelectual e experiência", concordou o deputado Walter Feldman (PSDB-SP), para quem o ex-presidente é "reserva importante" e pode orientar o rumo do país, independentemente do nome e do partido do governante.

Ao mesmo tempo em que expõe a posição sobre a condução do governo do PT, Fernando Henrique avança também no PSDB. Nos últimos dias, ele interveio de forma incisiva para evitar um racha entre Serra e Jereissati.

Mais uma vez, os dois tucanos desentenderam-se por conta de reportagens publicadas pela imprensa. Na condição de bombeiro, o ex-presidente convidou para jantar em São Paulo o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, ligado a Jereissati, e outros líderes tucanos.

A atuação de Fernando Henrique surtiu efeito e, na segunda-feira, Jereissati subiu à tribuna para dizer que nunca acreditou que Serra estivesse envolvido em escuta telefônica, ao contrário do que foi publicado pela imprensa no fim de semana.

Fernando Henrique não dará passos largos para despontar como líder político da oposição, mas será estratégico. Um dos cenários para fortalecer a presença no PSDB e o nome como referência nacional seria o lançamento da candidatura de Serra a prefeito de São Paulo.

Com o eventual afastamento de Serra para se dedicar à campanha, o ex-presidente daria uma nova cara ao partido, reaglutinando as facções e, quando necessário, explicitando as posições nos momentos mais críticos.

"Ele verbalizou o sentimento generalizado sobre o governo do PT", afirmou o líder do PSDB na Câmara, Custódio de Matos (MG), referindo-se ao artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, no domingo.

Na avaliação de parlamentares do PSDB, Fernando Henrique não previa que a repercussão do artigo seria tão grande. "Ele está se sentindo bem neste papel de intelectual", observou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM).

Apesar de os tucanos negarem razões político-eleitorais, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) considera que Fernando Henrique estaria agindo como candidato à sucessão de Lula.

Para ACM, o ex-presidente poderá beneficiar-se dos erros do governo do PT e se fortalecer, "se falar menos".

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