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Mercado financeiro já projeta inflação de 2021 acima da meta central do BC

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


22/02/2021 | 10:25


Em meio à alta nos preços dos alimentos e de combustíveis, os economistas do mercado financeiro já projetam uma inflação em 2021 acima da meta perseguida pelo Banco Central. O Relatório de Mercado Focus - que reúne as expectativas do mercado - indica que a inflação projetada para este ano já está em 3,82%. O centro da meta perseguida pelo BC é de 3,75%. A margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (inflação entre 2,25% e 5,25%).

Esta é a primeira vez, considerando as projeções feitas nos últimos dois anos, que o mercado indica a expectativa de que o IPCA - o índice oficial de inflação - fique acima do objetivo central do BC, ainda que dentro da margem de tolerância. O porcentual diz respeito à mediana de todas as projeções encaminhadas ao BC para formulação do relatório. Mas para pelo menos uma instituição consultada no Focus, a inflação encerrará 2021 em patamar ainda maior, aos 4,61%.

A elevação das projeções reflete a pressão exercida pelos preços dos alimentos e de itens do setor de energia. Desde o ano passado, a alta das commodities no mercado internacional tem influenciado as cotações do dólar, o que também traz impactos para outros itens da cesta de produtos e serviços dos índices de inflação.

No setor de energia, há impactos recentes da adoção de bandeiras tarifárias e dos reajustes dos combustíveis realizados pela Petrobras, na esteira dos aumentos dos preços internacionais do petróleo.

Em reação, na última sexta-feira o presidente da República, Jair Bolsonaro, anunciou a demissão do então presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, numa clara intervenção na política de preços da estatal. O pano de fundo é justamente a alta de preços no Brasil - mais especificamente do óleo diesel, que tem provocado insatisfação entre os caminhoneiros.

Em um cenário com inflação mais elevada, o Banco Central pode não ter tanto espaço para manter a Selic (a taxa básica de juros) no mínimo histórico por mais tempo. Atualmente, a Selic está em 2,00% ao ano, mas os economistas do mercado financeiro já projetam a taxa básica no dobro disso no fim de 2021, em 4,00% ao ano. A expectativa mediana do mercado é de que a alta da Selic comece em maio deste ano.

Inflação dos aluguéis

A pressão inflacionária atual pode ser percebida mais diretamente no IGP-M - o índice de inflação que, tradicionalmente, é utilizado como referência para reajuste dos contratos de aluguel no Brasil. Em 2020, o índice acumulou uma alta de 25,31%, sob influência do avanço do dólar ante o real.

Para 2021, os economistas do Focus já projetam um aumento de 8,02% para o IGP-M - no início do ano, esta expectativa estava em 4,58%. Na prática, em menos de dois meses a projeção para o IGP-M em 2021 quase dobrou.



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Mercado financeiro já projeta inflação de 2021 acima da meta central do BC


22/02/2021 | 10:25


Em meio à alta nos preços dos alimentos e de combustíveis, os economistas do mercado financeiro já projetam uma inflação em 2021 acima da meta perseguida pelo Banco Central. O Relatório de Mercado Focus - que reúne as expectativas do mercado - indica que a inflação projetada para este ano já está em 3,82%. O centro da meta perseguida pelo BC é de 3,75%. A margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (inflação entre 2,25% e 5,25%).

Esta é a primeira vez, considerando as projeções feitas nos últimos dois anos, que o mercado indica a expectativa de que o IPCA - o índice oficial de inflação - fique acima do objetivo central do BC, ainda que dentro da margem de tolerância. O porcentual diz respeito à mediana de todas as projeções encaminhadas ao BC para formulação do relatório. Mas para pelo menos uma instituição consultada no Focus, a inflação encerrará 2021 em patamar ainda maior, aos 4,61%.

A elevação das projeções reflete a pressão exercida pelos preços dos alimentos e de itens do setor de energia. Desde o ano passado, a alta das commodities no mercado internacional tem influenciado as cotações do dólar, o que também traz impactos para outros itens da cesta de produtos e serviços dos índices de inflação.

No setor de energia, há impactos recentes da adoção de bandeiras tarifárias e dos reajustes dos combustíveis realizados pela Petrobras, na esteira dos aumentos dos preços internacionais do petróleo.

Em reação, na última sexta-feira o presidente da República, Jair Bolsonaro, anunciou a demissão do então presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, numa clara intervenção na política de preços da estatal. O pano de fundo é justamente a alta de preços no Brasil - mais especificamente do óleo diesel, que tem provocado insatisfação entre os caminhoneiros.

Em um cenário com inflação mais elevada, o Banco Central pode não ter tanto espaço para manter a Selic (a taxa básica de juros) no mínimo histórico por mais tempo. Atualmente, a Selic está em 2,00% ao ano, mas os economistas do mercado financeiro já projetam a taxa básica no dobro disso no fim de 2021, em 4,00% ao ano. A expectativa mediana do mercado é de que a alta da Selic comece em maio deste ano.

Inflação dos aluguéis

A pressão inflacionária atual pode ser percebida mais diretamente no IGP-M - o índice de inflação que, tradicionalmente, é utilizado como referência para reajuste dos contratos de aluguel no Brasil. Em 2020, o índice acumulou uma alta de 25,31%, sob influência do avanço do dólar ante o real.

Para 2021, os economistas do Focus já projetam um aumento de 8,02% para o IGP-M - no início do ano, esta expectativa estava em 4,58%. Na prática, em menos de dois meses a projeção para o IGP-M em 2021 quase dobrou.

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