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Samu de Santo André
está sem desfibrilador

Equipamento portátil não tem peças de reposição, o que atrasa
atendimento e aumenta riscos; problema ocorre há dois meses


Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

23/06/2012 | 07:00


Devido à falta de peças para reposição, a maioria das ambulâncias do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Santo André está sem desfibriladores. Os equipamentos são utilizados para aplicar descargas elétricas em vítimas de PCR (Parada Cardiorrespiratória) e restabelecer os batimentos do coração.

Nas nove USBs (Unidades de Suporte Básico) e nas duas motolâncias do município, os socorristas utilizam os chamados DEAs (Desfibriladores Externos Automáticos). Já nas duas USAs (Unidades de Suporte Avançado), o desfibrilador usado é o convencional, que fica no interior da ambulância e não é automatizado.

Os DEAs são portáteis e, para funcionar, precisam de um par de pás, que são placas adesivas conectadas ao peito do paciente e ligadas ao aparelho por um fio. São elas que transmitem a eletricidade ao corpo. Por serem adesivas, as pás são descartáveis. Em média, o par custa entre R$ 300 e R$ 500. Sem as peças de reposição, os aparelhos portáteis pararam de ser levados em algumas das unidades.

Segundo funcionários do Samu, que não quiseram se identificar por medo de represálias, as pás pararam de ser repostas há cerca de dois meses. Os socorristas relatam que a falta das peças prejudica o atendimento e aumenta o risco de morte. "Geralmente, quando um leigo faz o chamado, não sabe dizer exatamente o que acontece com a vítima, o que dificulta o envio da unidade certa. Dizem apenas que a pessoa está desmaiada. A central, então, envia ao local uma USB, que está sem condições de prestar o socorro."

Dessa forma, quando a equipe constata a PCR, precisa pedir suporte para a USA. Considerando que em Santo André o tempo médio de chegada do Samu é de dez minutos, o atendimento demoraria 20 minutos para ser feito. Segundo especialistas, o ideal é que o choque seja dado em até dez minutos (leia mais ao lado).

Os funcionários dizem que a orientação para a reutilização das pás foi dada por supervisores. Por tratar-se de adesivo, o reaproveitamento não é recomendado, já que a eficiência fica prejudicada por perder parte da condutividade.

A Prefeitura de Santo André não comentou o assunto. Limitou-se a informar que já foi aberto processo licitatório para aquisição de pás. O Executivo não respondeu por que os estoques não foram repostos e quando a situação será regularizada.

Se usado a tempo, aparelho faz chance de sobrevida ser de 90%

Se o desfibrilador for utilizado até dez minutos após a PCR (Parada Cardiorrespiratória), a chance de sobrevida do paciente pode chegar a 90%, segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O cardiologista José Luiz Aziz, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, explica que o choque elétrico é indicado em 90% dos casos de PCR. "A maioria das paradas é de fibrilação ventricular, quando o músculo cardíaco bate de forma anárquica, sem a contração necessária para o bombeamento de sangue", explica. Nesses casos, o uso do desfibrilador é o socorro recomendado. Cerca de 10% das PCRs são causadas por assistolias, quando o coração para totalmente. Nessas situações, a tentativa de retomada do pulso é feita por meio de medicamentos.



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Samu de Santo André
está sem desfibrilador

Equipamento portátil não tem peças de reposição, o que atrasa
atendimento e aumenta riscos; problema ocorre há dois meses

Fábio Munhoz
Do Diário do Grande ABC

23/06/2012 | 07:00


Devido à falta de peças para reposição, a maioria das ambulâncias do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Santo André está sem desfibriladores. Os equipamentos são utilizados para aplicar descargas elétricas em vítimas de PCR (Parada Cardiorrespiratória) e restabelecer os batimentos do coração.

Nas nove USBs (Unidades de Suporte Básico) e nas duas motolâncias do município, os socorristas utilizam os chamados DEAs (Desfibriladores Externos Automáticos). Já nas duas USAs (Unidades de Suporte Avançado), o desfibrilador usado é o convencional, que fica no interior da ambulância e não é automatizado.

Os DEAs são portáteis e, para funcionar, precisam de um par de pás, que são placas adesivas conectadas ao peito do paciente e ligadas ao aparelho por um fio. São elas que transmitem a eletricidade ao corpo. Por serem adesivas, as pás são descartáveis. Em média, o par custa entre R$ 300 e R$ 500. Sem as peças de reposição, os aparelhos portáteis pararam de ser levados em algumas das unidades.

Segundo funcionários do Samu, que não quiseram se identificar por medo de represálias, as pás pararam de ser repostas há cerca de dois meses. Os socorristas relatam que a falta das peças prejudica o atendimento e aumenta o risco de morte. "Geralmente, quando um leigo faz o chamado, não sabe dizer exatamente o que acontece com a vítima, o que dificulta o envio da unidade certa. Dizem apenas que a pessoa está desmaiada. A central, então, envia ao local uma USB, que está sem condições de prestar o socorro."

Dessa forma, quando a equipe constata a PCR, precisa pedir suporte para a USA. Considerando que em Santo André o tempo médio de chegada do Samu é de dez minutos, o atendimento demoraria 20 minutos para ser feito. Segundo especialistas, o ideal é que o choque seja dado em até dez minutos (leia mais ao lado).

Os funcionários dizem que a orientação para a reutilização das pás foi dada por supervisores. Por tratar-se de adesivo, o reaproveitamento não é recomendado, já que a eficiência fica prejudicada por perder parte da condutividade.

A Prefeitura de Santo André não comentou o assunto. Limitou-se a informar que já foi aberto processo licitatório para aquisição de pás. O Executivo não respondeu por que os estoques não foram repostos e quando a situação será regularizada.

Se usado a tempo, aparelho faz chance de sobrevida ser de 90%

Se o desfibrilador for utilizado até dez minutos após a PCR (Parada Cardiorrespiratória), a chance de sobrevida do paciente pode chegar a 90%, segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

O cardiologista José Luiz Aziz, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, explica que o choque elétrico é indicado em 90% dos casos de PCR. "A maioria das paradas é de fibrilação ventricular, quando o músculo cardíaco bate de forma anárquica, sem a contração necessária para o bombeamento de sangue", explica. Nesses casos, o uso do desfibrilador é o socorro recomendado. Cerca de 10% das PCRs são causadas por assistolias, quando o coração para totalmente. Nessas situações, a tentativa de retomada do pulso é feita por meio de medicamentos.

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