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Jazz de primeira a R$ 22 o CD


Joao Marcos Coelho
Especial para o Diário

13/06/1999 | 18:01


As lojas - e principalmente as distribuidoras - que trabalham com CDs importados sofreram um duro baque no fatídico 14 de janeiro deste ano, com a desvalorizaçao do real. As reaçoes foram as mais variadas. Suspenderam-se as importaçoes; elevou-se brutalmente o preço dos estoques (que foi de R$ 25 a R$ 30, em média, para a faixa de R$ 37 a R$ 45).

Uma alternativa foi recorrer às séries de CDs baratos (no jargao americano, bargain) e, em fevereiro, as lojas começaram a ser abastecidas com selos diferentes. A Siciliano, nao sei se diretamente ou via importadores, abasteceu sua cadeia de lojas com vários títulos do precioso selo 32Jazz, capitaneado pelo produtor Joel Dorn. Homem experiente, Dorn foi o responsável, por exemplo, pela fantástica série de reediçoes Rhino, com álbuns duplos e copiosos textos informativos de retrospectivas de artistas como Keith Jarrett, Herbie Mann, Charlie Mingus e dois dos coadjuvantes de Ray Charles, os saxofonistas Hank Crawford e David Newman.

Pois bem. Desta vez, Dorn debruçou-se sobre o catálogo do selo Muse, uma gravadora independente dos anos 70 e 80 que registrou muita coisa boa de jazz e nao tinha distribuiçao eficiente. Assim, seus CDs eram difíceis de se obter. A ótima notícia é que nao só Dorn os recolocou em circulaçao como o fez a preços baixos (na Siciliano, estao custando R$ 22, um preço muitíssimo razoável).

Vale a pena garimpar nas lojas dos Shoppings ABC e ABC Plaza (eu fiz minha pesquisa na Siciliano da avenida Cidade Jardim). Para começar, ele é tao vidrado em Thelonius Monk quanto eu, e fez a antologia The music of Thelonius Monk played by, que é uma espécie de súmula do selo, pois foi feita a partir dos CDs disponíveis nas Siciliano.

O pouco conhecido, mas sensacional, saxofonista Houston Person abre o CD acompanhado apenas pelo contrabaixo diabólico de Ron Carter em Bemsha swing (faixa imperdível). Nutty, do comovente CD Epistrophy, registra o último show do saxofonista Charlie Rouse, parceiro de Monk durante mais de dez anos, aqui acompanhado por feras como Don Cherry no trompete, Georges Cables e Jessica Williams revezando-se no piano, Jeff Chamber no baixo e Ralph Penland à bateria.

Cedar Walton, um dos mais notáveis pianistas e compositores do jazz moderno, comparece com Rhythm-a-ning; e até o erudito quarteto de cordas Kronos interpreta o clássico Round midnight (com sorte, você pode encontrar o duplo do Kronos Quartet contendo dois LPs originais dos anos 80, um dedicado a Monk e outro a Bill Evans).

Mas tem muito mais. Outro pianista, Kenny Barron, um dos mais ativos sidemen do jazz moderno, que tocou com todo mundo, com destaque para dois saxofonistas, Dexter Gordon e Stan Getz, aparece em Peruvian blues, de 1974, registro do início de seu namoro com a música latina, que depois desembocaria na MPB. Dorn também corrige uma injustiça, relançando boa parte da obra do trompetista Woody Shaw, enorme talento dos anos 70 morto prematuramente. O duplo Dark journey é um retrato de corpo inteiro de sua arte ao mesmo tempo consistente e de vanguarda. Shaw, aqui, é coadjuvado por feras como Muhal Richard Abrams, Kenny Barron, Anthony Braxton, Paul e Joe Chambers, Kenny Garrett, Herbie Hancock, J.J. Johnson, John Lewis e Horace Silver, entre outros. Como teste, ouça Jitterbug Waltz, Imagination e The moontrane. É o que basta.

Há ainda duas jóias finais. O CD Musique du bois, onde o elegante sax de Phil Woods passeia pela bossa nova (faixa-título) e por standards como Willow weep for me com um quarteto onde se destaca o piano de Jaki Byard. E um CD irresistível, Body and Soul, assinado pelos tenoristas Al Cohn e Zoot Sims, revivendo as grandes batalhas dos anos 40. Além de Byard ao piano, eles contam com George Duvivier ao contrabaixo e Mel Lewis à bateria. O repertório é contagiante, desde o medley bossa nova até o standard Body and soul e as deliciosas Mama Flossie, de Cohn e Hendricks, e Blue hodge, de Gary McFarland.



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