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Fernando Faro comanda o novo ‘móbile’



22/04/2008 | 07:04


Móbile: construção que pode ser posta em movimento no ar. Peça de escultura formada de elementos individuais, feitos de material leve, suspensos artisticamente por fios, e que oscilam ao vento. Assim é a escultura criada por Alexander Calder que se tornou um clássico do século 20. Assim é o programa criado por Fernando Faro em 1963, exibido até 1967 na Tupi, que se tornou um clássico da liberdade de criação na TV brasileira.

Quatro décadas depois, Móbile ganha novo fôlego, nova leitura e reestréia na TV Cultura em 28 de maio, às 22h, como parte da atual onda de renovação por que passa sua programação.

Móbile, como diz a introdução que o apresenta, não é um programa como aqueles a que você está habituado. Não tem começo, meio e fim. É como se fossem peças soltas que a gente vai juntando. Não fazem um sentido. Não têm uma história. Começa quando você começa a assisti-lo. E, ao sabor do acaso, vai se modificando, tomando outra forma,ganhando outro sentido, como se fosse um móbile.

Idealizado por Faro, que também criou o lendário Ensaio, Móbile causou estranhamento, mas ganhou fãs incondicionais. “A gente adorava ver grandes textos da literatura serem recitados por grandes atores. Havia literatura, teatro, música, artes plásticas, dança... Tudo misturado. Quando a gente conta, parece simples, mas era tudo muito novo e fascinante”, rememora Elifas Andreato, que passou pelo set de gravações do novo Móbile há pouco mais de dez dias.

De espectador, parceiro e amigo de Faro, Andreato (um dos grandes designers, ilustradores e artista de capas de discos brasileiros) passou a convidado do segundo programa, que vai ao ar em junho. Andreato comentou com Faro uma por uma capas memoráveis que criou para a MPB. Chico Buarque, Clara Nunes, Vinícius e Toquinho, Adoniran Barbosa, Tom Zé, Paulinho da Viola, Elis Regina...

Faro marcou época com Ensaio, o programa de entrevistas de grandes nomes da música brasileira que até hoje é exibido pela TV Cultura, copiado por outras emissoras e referência quando se quer falar da TV que não emburrece mas enobrece o artista e o espectador.

Assim como Ensaio, Móbile marcou época. Até mesmo quem nunca assistiu sabe de cor passagens inteiras, como a leitura do monólogo de Molly Bloom no clássico Ulisses de James Joyce ou as leituras e comentários de Juca de Oliveira para grandes textos do teatro.

Quem via adorava. Quem não viu não verá mais. Simplesmente porque não existem cópias dos programas originais. “Joguei tudo no lixo. Assim que o programa acabava, eu pegava as fitas e jogava fora”, explica Baixo, como ele chama e é chamado por todos. Por que matar assim a cria? “Porque não queria ficar preso à repetição. Não queria nada engessado para o futuro. Guardar programas antigos era ir exatamente contra o princípio que havia me inspirado a criar o programa.”

Fadado a virar lenda, Móbile volta agora ao ar graças ao pedido de Paulo Markun, presidente da Fundação Padre Anchieta (mantenedora da TV Cultura). “Voltei a fazê-lo porque Markun me pediu. Estou feliz. Quando criei o programa, não pensei em um formato fixo. E tinha de ser livre e começar a ser visto de qualquer ponto. E hoje também ainda quero fazer um programa descompromissado, que não tenha a neurose da audiência.” Tudo ao acaso, em constante mutação, mas calcado em valores densos e precisos.



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