Fechar
Publicidade

Sexta-Feira, 27 de Maio

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

cultura@dgabc.com.br | 4435-8364

Uma noite em 1967


Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC

30/07/2010 | 07:07


Nos bastidores do Teatro Paramount, em São Paulo, a radialista Cidinha Campos arrasta o jovem Roberto Carlos pelo braço. Exige que o cabeludo, então com 26 anos, repita uma piada. Rindo, o homem que viria a se tornar ‘o Rei', diz que a final do 3º Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, está comprometida, já que Edu Lobo não teria "viola pra cantar" (trecho da música Ponteio) porque o colega Sérgio Ricardo havia quebrado o violão momentos antes. O trecho, parte do documentário Uma Noite em 67, que estreia hoje apenas em São Paulo, exprime bem o espírito da produção, assinada pelos estreantes Renato Terra e Ricardo Calil: fazer uma leitura intimista e muito, muito bem-humorada daquele período do País.

A dupla de diretores se apoia no riquíssimo material de arquivo da Record, que acabou tornando-se parceira da empreitada. Mas, com olhar privilegiado de amantes de música, foram além, misturando as imagens das apresentações a impagáveis cenas de bastidores e entrevistas recentes com todos os finalistas - além de Roberto, Sérgio e Edu (o vencedor), Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque. "Mais do que tudo, a gente quis provocar uma experiência do que foi aquela noite", resume Terra.

A dupla privilegiou depoimentos de pessoas que lá estiveram, entre eles o jornalista (e jurado) Sérgio Cabral e o diretor da Record Paulinho Machado de Carvalho. Mais do que os próprios músicos, nervosos com suas apresentações, quem dá a verdadeira dimensão dos festivais são esses e outros personagens de bastidores. São eles as testemunhas próximas da plateia - que naquele ano estava especialmente disposta a vaiar.

Uma das vítimas da vaia generalizada foi Sérgio Ricardo, que teve um acesso de fúria depois que a pesada manifestação sonora do público o impediu de demonstrar Beto Bom de Bola.

Terra e Calil resolveram incluir no filme a sequência inteira da participação de Ricardo, que deixou clara a crescente pressão pela qual o compositor passou. "Foi justamente para as pessoas entenderem porque aquilo foi feito. Ele ficou marcado como uma pessoa temperamental. Mas não, foi um pioneiro da música brasileira e muita gente ainda lembra dele apenas como o cara que quebrou o violão. Isso é absurdo", diz Terra.

Redimir Ricardo, mostrar os primórdios do Tropicalismo, vislumbrar Chico Buarque subindo um patamar como compositor (com Roda Viva) e até Roberto Carlos sendo vaiado pela primeira vez. Tudo isso o filme mostra. Mas seu grande mérito é dar novo significado às já históricas imagens, com os olhares atuais dos protagonistas. No caminho, conseguem também arejar o tom documental. Essencial para os amantes da música.



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;