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Casa de Herbert Richers vira patrimônio cultural

Celso Luiz  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Após 15 anos de luta pela preservação do bem,
imóvel localizado em Ribeirão Pires será restaurado


Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

27/05/2016 | 07:00


A casa do produtor de cinema Herbert Richers (1923-2009) finalmente se tornou patrimônio cultural de Ribeirão Pires. Publicado nesta semana, o decreto municipal número 6.606/2016 dá fim a 15 anos de espera e tentativas frustradas de proteção do imóvel. Com o reconhecimento, a proprietária da residência, as Lojas Cem, será obrigada a restaurá-lo em prazo de 180 dias, além de conservá-lo com suas características originais.

O casarão data da década de 1950 e serviu de cenário para dois filmes estrelados pela famosa Família Trapo, Papai Trapalhão, rodado em 1968 com a participação de Jô Soares e outros famosos, e Golias Contra o Homem das Bolinhas. Após ser adquirido pelas Lojas Cem, localizada na Rua João Domingos de Oliveira, região central do município, foi escondido pela fachada do estabelecimento comercial e viveu longos anos de abandono, com pichações e deterioração de suas características da época.

A casa é o primeiro patrimônio a ser tombado na cidade após a retomada dos trabalhos do CATP (Centro de Apoio Técnico ao Patrimônio), em 2014, e do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Cultural e Natural, em 2013. A lei municipal que dispõe sobre a preservação do patrimônio foi criada em 1999, mas nunca colocada em prática.

“Agora que recuperamos o livro de tombo, que havia sido extraviado há mais de 20 anos, vamos registrar os três primeiros bens culturais da cidade: a Capela do Pilar, reconhecida pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico) em 1975, o Conjunto Ferroviário, também tombado pelo órgão estadual em 2011, e agora o casarão, primeiro bem de tombamento municipal”, destacou o presidente do CATP e secretário adjunto de Cultura de Ribeirão Pires, Marcílio Duarte.

Para Duarte, o reconhecimento do patrimônio representa avanço para os demais bens culturais da cidade, inclusive a Fábrica de Sal, ameaçada pela construção de shopping center. “O ato do Executivo demonstra a importância que o patrimônio terá para a cidade daqui para a frente. Sobre a Fábrica de Sal, inclusive, o prefeito (Saulo Benevides – PMDB) já se comprometeu com o Condephaat a não realizar a demolição e estabelecer o perímetro de tombamento para não prejudicá-la com possíveis usos do restante do terreno.”

O secretário adjunto afirmou que não tem informações sobre o uso para o qual a Casa de Herbert Richers será destinada pelas Lojas Cem. “Eles podem usar como escritório, parte administrativa ou algo cultural. O importante é preservar as características.” A empresa foi procurada pelo Diário para detalhar o projeto de restauro e o uso do imóvel, mas não retornou até o fechamento desta edição.

Cineasta importou tecnologia norte-americana

Nascido em 1921, em Araraquara, São Paulo, Herbert Richers era proprietário da Herbert Richers Produções Cinematográficas S.A. Seus pais se conheceram em Ribeirão Pires, na Fazenda Canaã, e ali se apaixonaram. Adolescente, ele pensava em ser fotógrafo por influência do tio. No entanto, ao frequentar o modesto Cine Lourdes para assistir a filmes como Flash Gordon e Mandraque, acabou por despertar seu gosto pelo cinema.

Daí para frente dedicou-se à área e, na fase adulta, passou a produzir filmes de importância, como Grande Sertão. Conheceu Walt Disney (1901-1966) e tornaram-se amigos. Foi assim que, em viagem aos Estados Unidos, aprendeu nova tecnologia de dublagem desenvolvida por Disney e, por recomendação do norte-americano, introduziu no mercado brasileiro. É a partir daí que nasce o império da “Versão Brasileira, Herbert Richers”.

Morto em 2009, aos 88 anos, Richers estava endividado e seus estúdios viviam tempos de esquecimento. O que sobrou de sua memória, além da vasta obra cinematográfica, é o casarão de Ribeirão Pires.

Para o administrador de empresas Herbert Pagani Galvez, 56 anos, pai desta repórter e que herdou o nome por causa do “Versão Brasileira, Herbert Richers”, é curioso saber que existe uma casa onde o produtor viveu e filmou. “Vi muitos filmes dele na minha infância e juventude. E minha mãe viu muitos mais, já que colocou o nome dele em mim, seu primeiro filho. Gostaria de visitar o local um dia e, quem sabe, levá-la para conhecer também.”



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Casa de Herbert Richers vira patrimônio cultural

Após 15 anos de luta pela preservação do bem,
imóvel localizado em Ribeirão Pires será restaurado

Camila Galvez
Do Diário do Grande ABC

27/05/2016 | 07:00


A casa do produtor de cinema Herbert Richers (1923-2009) finalmente se tornou patrimônio cultural de Ribeirão Pires. Publicado nesta semana, o decreto municipal número 6.606/2016 dá fim a 15 anos de espera e tentativas frustradas de proteção do imóvel. Com o reconhecimento, a proprietária da residência, as Lojas Cem, será obrigada a restaurá-lo em prazo de 180 dias, além de conservá-lo com suas características originais.

O casarão data da década de 1950 e serviu de cenário para dois filmes estrelados pela famosa Família Trapo, Papai Trapalhão, rodado em 1968 com a participação de Jô Soares e outros famosos, e Golias Contra o Homem das Bolinhas. Após ser adquirido pelas Lojas Cem, localizada na Rua João Domingos de Oliveira, região central do município, foi escondido pela fachada do estabelecimento comercial e viveu longos anos de abandono, com pichações e deterioração de suas características da época.

A casa é o primeiro patrimônio a ser tombado na cidade após a retomada dos trabalhos do CATP (Centro de Apoio Técnico ao Patrimônio), em 2014, e do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Cultural e Natural, em 2013. A lei municipal que dispõe sobre a preservação do patrimônio foi criada em 1999, mas nunca colocada em prática.

“Agora que recuperamos o livro de tombo, que havia sido extraviado há mais de 20 anos, vamos registrar os três primeiros bens culturais da cidade: a Capela do Pilar, reconhecida pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico) em 1975, o Conjunto Ferroviário, também tombado pelo órgão estadual em 2011, e agora o casarão, primeiro bem de tombamento municipal”, destacou o presidente do CATP e secretário adjunto de Cultura de Ribeirão Pires, Marcílio Duarte.

Para Duarte, o reconhecimento do patrimônio representa avanço para os demais bens culturais da cidade, inclusive a Fábrica de Sal, ameaçada pela construção de shopping center. “O ato do Executivo demonstra a importância que o patrimônio terá para a cidade daqui para a frente. Sobre a Fábrica de Sal, inclusive, o prefeito (Saulo Benevides – PMDB) já se comprometeu com o Condephaat a não realizar a demolição e estabelecer o perímetro de tombamento para não prejudicá-la com possíveis usos do restante do terreno.”

O secretário adjunto afirmou que não tem informações sobre o uso para o qual a Casa de Herbert Richers será destinada pelas Lojas Cem. “Eles podem usar como escritório, parte administrativa ou algo cultural. O importante é preservar as características.” A empresa foi procurada pelo Diário para detalhar o projeto de restauro e o uso do imóvel, mas não retornou até o fechamento desta edição.

Cineasta importou tecnologia norte-americana

Nascido em 1921, em Araraquara, São Paulo, Herbert Richers era proprietário da Herbert Richers Produções Cinematográficas S.A. Seus pais se conheceram em Ribeirão Pires, na Fazenda Canaã, e ali se apaixonaram. Adolescente, ele pensava em ser fotógrafo por influência do tio. No entanto, ao frequentar o modesto Cine Lourdes para assistir a filmes como Flash Gordon e Mandraque, acabou por despertar seu gosto pelo cinema.

Daí para frente dedicou-se à área e, na fase adulta, passou a produzir filmes de importância, como Grande Sertão. Conheceu Walt Disney (1901-1966) e tornaram-se amigos. Foi assim que, em viagem aos Estados Unidos, aprendeu nova tecnologia de dublagem desenvolvida por Disney e, por recomendação do norte-americano, introduziu no mercado brasileiro. É a partir daí que nasce o império da “Versão Brasileira, Herbert Richers”.

Morto em 2009, aos 88 anos, Richers estava endividado e seus estúdios viviam tempos de esquecimento. O que sobrou de sua memória, além da vasta obra cinematográfica, é o casarão de Ribeirão Pires.

Para o administrador de empresas Herbert Pagani Galvez, 56 anos, pai desta repórter e que herdou o nome por causa do “Versão Brasileira, Herbert Richers”, é curioso saber que existe uma casa onde o produtor viveu e filmou. “Vi muitos filmes dele na minha infância e juventude. E minha mãe viu muitos mais, já que colocou o nome dele em mim, seu primeiro filho. Gostaria de visitar o local um dia e, quem sabe, levá-la para conhecer também.”

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