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Ocara abre mão de samba vencedor


Andrea Catão
Do Diário do Grande ABC

16/02/2006 | 07:39


O samba-enredo vencedor para este ano do Ocara Clube, escola do grupo 1 do Carnaval de Santo André, não é o mesmo que vai ser mostrado na passarela do samba durante o desfile da escola. Em concurso realizado em outubro do ano passado, no qual foram inscritos 11 sambas, a dupla de compositores Deolindo e Giba ficou com o prêmio por ter obtido a melhor nota dos jurados – três pontos na frente do segundo colocado. A final ocorreu no dia 28 daquele mês. No entanto, uma semana depois passou a ser ensaiado na quadra da escola o samba que ficou com a segunda colocação, de autoria de Eliseu, Nando do Cavaco, Xandinho e Batata.

A situação pode ser inédita no Carnaval. Embora a diretoria da escola faça questão de dizer que esse tipo de coisa já ocorreu com outras agremiações, não sabe apontar um caso. A Liga das Escolas de Samba de São Paulo, por exemplo, desconhece que anteriormente tenha ocorrido a troca do samba vencedor por outro. O presidente da Uesa (União das Escolas de Samba de Santo André), Valter Belber, afirmou que a entidade não pode interferir na decisão da escola. “Legalmente, o samba é de propriedade da escola e a diretoria pode decidir levá-lo ou não para a avenida.”

José Deolindo Neto, 60 anos, disse que a diretoria da escola alegou como motivo da troca pressão da comunidade e da bateria. “Recebi o troféu e o prêmio em dinheiro (de R$ 600), mas o maior prazer do compositor é ver o samba na avenida. Se gostaram mais do outro samba, não havia necessidade em fazer concurso”, disse o compositor que teve vários de seus trabalhos utilizados por escolas de samba do grupo especial de São Paulo, como Mocidade Alegre, Gaviões da Fiel e Rosas de Ouro.

O presidente do Ocara, Ademar de Barros, afirmou que sofreu pressão de membros da bateria e da comunidade. “Algumas pessoas disseram que não desfilariam com o samba vencedor. Ficamos numa saia justa e resolvemos fazer a troca.” Ele, no entanto, afirmou que poderia ter “manipulado” o resultado e colocado o segundo colocado como vencedor, mas não considerou justo com os compositores.

Barros disse, em princípio, que houve um “erro” do júri, composto por nove pessoas, sendo que quatro não eram da escola. Depois, se contradisse, afirmando que todo o júri é conhecedor do Carnaval e que tinha alto nível técnico para julgar. Foram considerados, pelo júri, três itens: melodia, letra do samba e empolgação do público. Cada jurado dava uma nota de cinco a dez para cada item. Foram realizadas cinco eliminatórias.

“Demos a sinopse do enredo para todos os compositores criarem em cima. E o que estava mais completo era o samba que ficou com a segunda colocação. Foi um pouco falha nossa não ter acertado isso no dia. Poderíamos ter conversado antes de divulgar o resultado. Poderíamos, e que fique bem claro que é entre aspas, ‘armado’ para o outro ganhar. Mas essa não é a nossa característica.”

Ao fazer o samba para uma escola, o compositor concede sua criação para a comunidade. No caso do Carnaval em Santo André não é preciso pagar direito autoral. Diferente do desfile do Rio de Janeiro e São Paulo, pois são confeccionados e comercializados CDs, além de o desfile ser transmitido pela TV.

Eliseu Roberto Oliveira, um dos compositores do samba que será levado para a avenida pelo Ocara Clube, disse que Deolindo foi penalizado, mas que não poderia impedir que a escola utilizasse seu samba, sob pena de prejudicar a comunidade. “Não quero faltar com respeito ao outro compositor, até porque pega mal para a comunidade do samba esse tipo de coisa, mas não posso deixar a escola sem o samba que a comunidade quer que vá para a avenida.”

O que vai para a avenida

Compositores: Eliseu, Nando do Cavaco, Xandinho e Batata

Refrão
Ocara vai balançar
Contagiar essa cidade
Sou índio, vou lutar
Comemorar 50 anos de felicidade
 
Pajé vai comandar
Kuarup despertar... ancestrais
Estrelas vão brilhar
O fogo emanar
Luz, história imortais
No horizonte se avistou
O branco que vinha explorar
O índio a natureza evocou
Guerreiro não se deixou escravizar
Lutou e triunfou
Ao dono da terra enfim
O canto de Mapimaim... ecoou
 
Refrão
No rufar do tambor... ôôô
Um paraíso surgiu
No ziriguidum, amor
A bateria ocariana sacudiu
 
Na celebração, índios de arco e flecha
Nos rios e matas vão buscar
Com muita devoção, a caça, a pesca
E aos deuses ofertar
Vem... dos curumins
A esperança pra sonhar
A velha guarda é raiz, herança
Divina luz, que vem do samba iluminar
Hoje... a tribo azul e branco te convida
Vem pra nossa aldeia na avenida festejar

O samba vencedor

Compositores: Deolindo e Giba
 
É festa Kuarup, rituais
Evocam os ancestrais
A noite enfeitada de estrelas
E a chama da fogueira
a bailar, iluminar
 
Fauna e flora, que presente
Um cenário sem igual
Eh pajé! Pode contar
A saga de um povo
Que o homem branco um dia quis escravizar
Índio foi buscar as forças da natureza
Água, fogo, terra e ar
Não se curvou, o dono da terra triunfou
 
Canta mapimaim, o seu canto é altaneiro
Semeia a paz, conduz o guerreiro
No batuque do tambor, arrepia bateria
Ocara! O raiar de um novo dia
 
Frutos do rio, da mata, oferenda para os deuses
Curumins fazendo quinquilharias
Para enfeitar a festa triunfal
Uma grande união
Entre gerações fraternidade
Cinqüenta anos parabéns, felicidade
 
Lá vem tupã (lá vem tupã)
Iluminar meu caminhar
Eu sou da tribo azul e branco
Eu sou Ocara, a minha eterna jóia rara



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