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Envolta em polêmicas



08/12/2008 | 07:03


Envolvido em polêmica antes de estrear, começou a ser exibido em Portugal o filme Amália, cinebiografia da maior fadista do país, Amália Rodrigues (1920-1999). A produção, uma das mais caras da história do cinema português, estreou em 66 salas, recorde para um filme produzido em Portugal.

Descoberta quando cantava e vendia frutas no Mercado da Ribeira, em Lisboa, Amália sempre foi uma figura polêmica: divorciou-se numa época em que as portuguesas tinham de pedir autorização do pai ou do marido até para sair do país; escreveu poemas para o ditador Salazar, mas tinha amigos de esquerda e conseguiu tirar prisioneiros políticos da prisão. Alguns dos maiores poetas da época escreveram letras para os seus fados.

O filme destaca três momentos de sua vida: aos 64 anos, quando recebeu o diagnóstico de câncer e teria tentado o suicídio num hotel de Nova York, em 1984; o espetáculo após a revolução de 1974, no início foi interrompida com gritos do público que a chamavam de fascista e encerramento com longo aplauso; e o momento em que seus pais a deixaram com os avós e emigraram, ficando separada por anos da sua irmã.

O diretor Carlos Coelho da Silva conta que fez o filme por causa do fascínio de Amália. "É a maior artista portuguesa e tem fãs em Portugal e no mundo inteiro." Ele lembra a primeira vez que a ouviu, na TV, há 40 anos. "Eu era criança e quando diziam ‘é Amália na TV' todos se reuniam em volta para ver e ouvir. Ela sempre exerceu fascínio muito grande."

Sandra Barata Belo, atriz pouco conhecida, vive a protagonista. As músicas são cantadas em play-back, com as gravações remasterizadas. O filme tem 127 minutos e pode virar minissérie, com total de três horas.

Para estrear, o filme teve de vencer batalha na Justiça contra a família da cantora. "Temos várias objeções, até estéticas. A principal é a história desvirtuada, não é real. Transformaram a vida dela numa novela de cordel", acusa Diogo Varela Silva, neto da fadista Celeste Rodrigues, irmã de Amália. "Nós nos sentimos traídos. Vivi na casa da Amália quando era pequeno e ela não era assim", diz.

A família nega a tentativa de suicídio e a má relação com a mãe (no filme, parece que a mãe não a suportava). O diretor contesta: "Lemos muitas entrevistas da Amália, vimos quase todos os documentários e programas de TV de que participou. A partir daí, é minha liberdade criativa. Estrela Carvas conviveu com ela e confirma que ela pretendia se matar em Nova York." Na estréia, o filme já havia sido vendido para 22 países da Europa e da Ásia. Distribuidoras brasileiras mostram interesse, mas não fecharam negócio.



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Envolta em polêmicas


08/12/2008 | 07:03


Envolvido em polêmica antes de estrear, começou a ser exibido em Portugal o filme Amália, cinebiografia da maior fadista do país, Amália Rodrigues (1920-1999). A produção, uma das mais caras da história do cinema português, estreou em 66 salas, recorde para um filme produzido em Portugal.

Descoberta quando cantava e vendia frutas no Mercado da Ribeira, em Lisboa, Amália sempre foi uma figura polêmica: divorciou-se numa época em que as portuguesas tinham de pedir autorização do pai ou do marido até para sair do país; escreveu poemas para o ditador Salazar, mas tinha amigos de esquerda e conseguiu tirar prisioneiros políticos da prisão. Alguns dos maiores poetas da época escreveram letras para os seus fados.

O filme destaca três momentos de sua vida: aos 64 anos, quando recebeu o diagnóstico de câncer e teria tentado o suicídio num hotel de Nova York, em 1984; o espetáculo após a revolução de 1974, no início foi interrompida com gritos do público que a chamavam de fascista e encerramento com longo aplauso; e o momento em que seus pais a deixaram com os avós e emigraram, ficando separada por anos da sua irmã.

O diretor Carlos Coelho da Silva conta que fez o filme por causa do fascínio de Amália. "É a maior artista portuguesa e tem fãs em Portugal e no mundo inteiro." Ele lembra a primeira vez que a ouviu, na TV, há 40 anos. "Eu era criança e quando diziam ‘é Amália na TV' todos se reuniam em volta para ver e ouvir. Ela sempre exerceu fascínio muito grande."

Sandra Barata Belo, atriz pouco conhecida, vive a protagonista. As músicas são cantadas em play-back, com as gravações remasterizadas. O filme tem 127 minutos e pode virar minissérie, com total de três horas.

Para estrear, o filme teve de vencer batalha na Justiça contra a família da cantora. "Temos várias objeções, até estéticas. A principal é a história desvirtuada, não é real. Transformaram a vida dela numa novela de cordel", acusa Diogo Varela Silva, neto da fadista Celeste Rodrigues, irmã de Amália. "Nós nos sentimos traídos. Vivi na casa da Amália quando era pequeno e ela não era assim", diz.

A família nega a tentativa de suicídio e a má relação com a mãe (no filme, parece que a mãe não a suportava). O diretor contesta: "Lemos muitas entrevistas da Amália, vimos quase todos os documentários e programas de TV de que participou. A partir daí, é minha liberdade criativa. Estrela Carvas conviveu com ela e confirma que ela pretendia se matar em Nova York." Na estréia, o filme já havia sido vendido para 22 países da Europa e da Ásia. Distribuidoras brasileiras mostram interesse, mas não fecharam negócio.

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