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Número de mortes por mês em 2021 já supera o registrado em 2020

Celso Luiz/ DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Região caminha para bater o recorde de óbitos do ano passado, que foi o mais letal da história; janeiro a julho já tem mais perdas do que 2019 inteiro


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

30/08/2021 | 00:01


A pandemia de Covid deve fazer com que o Grande ABC – e o Brasil – supere um triste recorde alcançado no ano passado. A média mensal de mortes em 2021 é 43,5% maior do que a registrada em 2020, que, por enquanto, ostenta o triste título de ano mais letal da história da região, desde quando a Arpen-SP (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais de São Paulo) passou a tabular os dados, em 2003. De acordo com informações do Portal da Transparência da associação, em 2020 foram 20.138 mortes por causas diversas, média de 1.678 ao mês. Em 2021, de janeiro a julho, já foram 16.860 perdas, média de 2.409 ao mês. Além disso, em números absolutos, 2021 já tem mais perdas do que 2019 inteiro, que registrou 16.569. 

Especialistas consultados pelo Diário apontam possíveis consequências a curto, médio e longo prazos desse grande número de óbitos. Coordenadora do curso de economia da Universidade Metodista, Silvia Cristina da Silva Okabayashi destaca que, além do aumento dos óbitos, o número de nascimentos está baixo – o Diário mostrou em julho que os nascimentos caíram 8,6% no primeiro semestre de 2021 na comparação com 2020 – e que esses fenômenos, combinados, impactam na redução da expectativa de vida em geral.

Silvia ressalta também que haverá impacto em questões como educação e formação, uma vez que existe um grande contingente de crianças e adolescentes que ficou órfão. Um estudo publicado na revista Lancet estimou em 130 mil o número de órfãos no Brasil. “O País vinha em um período de aumento de expectativa de vida, com a melhora de alguns indicadores sociais. E com a pandemia temos um corte nessa expectativa”, pontua a especialista.

Professor do curso de planejamento territorial da UFABC (Universidade Federal do ABC), Leonardo Freire de Mello lembra que, para além do óbito individual que cada morte causa nas famílias, é preciso fazer análise detalhada sobre as faixas etárias mais afetadas, a fim de se identificar o impacto na força de trabalho e de consumo do País, que se concentra entre pessoas de 15 a 64 anos. “Com a realização do censo em 2022 poderemos ter esses dados. Até lá, são suposições”, afirma.

Para Silvia, é preciso investir em políticas públicas de seguridade social, a fim de dar condições para as pessoas saírem da situação de vulnerabilidade – lembrando que os mais pobres foram os mais afetados pela pandemia – e garantir um ambiente político capaz de atrair investimentos que propiciem a retomada da economia. “Um projeto de estado, políticas de governos a médio e longo prazo, capazes de gerar emprego e renda.”

A coordenadora aponta que sem essas iniciativas, sem políticas econômicas e sociais capazes de resgatar essa população vulnerável e inseri-las efetivamente no nosso modelo econômico, baseado na produção, emprego, renda e consumo, as desigualdades tendem a se acentuar. “Enquanto não houver medidas mais efetivas e estruturais, que promovam a empregabilidade ou formas dessa população ter renda novamente, o consumo fica afetado e essa desigualdade de renda vai aumentando no médio e longo prazo, a depender do que for adotado como política econômica”, conclui. 



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