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Carolina Ferraz saúda a maturidade


Márcio Maio
da TV Press

02/03/2008 | 07:11


O requinte de Carolina Ferraz costuma limitá-la na escalação de alguns personagens. Mas a Norma de Beleza Pura aproveita para, dentro desse perfil, experimentar outras linhas. “Fazer uma pessoa tão má assim é novidade. Isso já me motiva”, afirma. Carolina já foi vilã em História de Amor (1995), mas, segundo ela, não conta. “A Paula não era capaz de um décimo das coisas que a Norma vai fazer”, adianta. Para a atriz, a idade pode favorecer a carreira daqui para frente. Aos 40 anos, Carolina crê que a experiência e as transformações físicas da maturidade a tornam apta a papéis que até então não eram possíveis. “É por isso que a gente tem de envelhecer com dignidade. Se você sabe aproveitar esse peso a seu favor, pode ser muito proveitoso”, filosofa.

Você interpreta a primeira grande vilã em Beleza Pura. Como foi compor a Norma?
CAROLINA FERRAZ – Já fiz personagens más, mas nunca tinha encarnado uma vilã mesmo. Isso já ajuda na hora de desenhar as características dela, porque é algo novo e não preciso me preocupar em deixá-la diferente de papéis anteriores. Mas a primeira reação foi pegar todos os filmes possíveis e imagináveis com personagens muito más e tentar encontrar em alguma delas inspiração para a Norma. Via desde infantis, como Branca de Neve e os Sete Anões a filmes com a Bette Davis. Depois percebi que estava no caminho errado e resolvi usar apenas o texto como base. Ela está brotando conforme recebo as informações das cenas.

Por que você desistiu de buscar inspiração no cinema?
CAROLINA – Não conseguia enxergar a Norma em nenhuma delas. Existem vilãs incríveis, mas estava atrapalhando mais do que ajudando. A Norma movimenta uma série de coisas na história e sabe administrar as conseqüências de seus atos. Ela tem essa frieza. E são esses atos que geram diversos conflitos da trama. Mas como o que faz com que ela tenha essa maldade é o amor não correspondido, acho que posso encontrar a emoção certa com técnica e o texto da Andréa Maltarolli.

Na história, Norma é engenheira aeronáutica. Você fez laboratório específico?
CAROLINA – É engraçado porque, por incrível que pareça, já sabia bastante sobre o cotidiano de um engenheiro aeronáutico. Sou afilhada de um e convivi no meio. Quando era pequena, minha família costumava viajar para São José dos Campos, interior de São Paulo, onde fica a sede da Embraer. Meu padrinho me levava para voar e eu acompanhava os testes de aviões. Sempre fui uma criança aventureira. Também participei de laboratório preparado pela própria emissora, com palestras sobre o assunto, mas nada demais. Não vai demorar muito para ela se distanciar desse mundo e entrar na área da estética, que é o assunto que ficará mais evidente na história a partir de determinado ponto.

Você acha que envelhecer favoreceu sua carreira?
CAROLINA – Percebi que conforme amadurecia, recebia respostas diferentes. Desde notoriedade, que são as primeiras coisas que aparecem, até prestígio, que não vem para todos. Uma atriz trabalha para isso. Pode parecer que não, mas a nossa vida é muito sofrida. Tem muita atriz excelente e da minha faixa etária que não está trabalhando e isso é péssimo. Me sinto honrada por me sustentar da minha profissão e, é claro, valorizo quando alguém aposta em mim com uma oportunidade que eu não esperava.

Como quando Carlos Lombardi escolheu você para interpretar a Rubi, em Kubanacan?
CAROLINA – Sim. Várias pessoas devem tê-lo chamado de louco na época porque era completamente inusitado ver uma mulher como eu, que sempre aparecia com personagens chiques, na pele de uma mulher que se disfarçava de homem e tinha comportamento de soldado. Ela não tinha a menor vaidade. Acho que por isso mesmo, independentemente de horário, audiência ou qualquer outra coisa, Kubanacan foi um divisor de águas. O Lombardi me colocou na comédia para valer. Apesar de tudo, foi um grande prazer.

Por que “apesar de tudo”?
CAROLINA – Nada demais, é que todo mundo sabe que era uma novela que não tinha frente. Por conta disso, trabalhávamos muito e em cima da hora. Lembro que a gente gravava de segunda a segunda muitas vezes sem folga. O elenco se uniu e entendeu que ou a gente se apoiava ou teria problemas por isso. No final deu tudo certo e me fez trabalhar com a Nair Bello, uma oportunidade que nunca mais eu vou ter. Foi uma das épocas mais divertidas da minha vida.

Boa parte das suas cenas são gravadas com a comediante Maria Clara Gueiros. E a novela é exibida em horário leve. Pretende dar tom cômico à personagem?
CAROLINA – Você tocou em um ponto que para mim está sendo delicado. Adoro fazer comédia, aprendi que consigo me sair bem. Por isso mesmo fica muito difícil controlar a vontade de deixar a Norma mais solta. Fora que eu acho o texto da Maria Clara engraçado. As cenas ficam divertidas, mas tenho que dar aquela segurada para não cair nesse lado. Mas a novela acabou de começar, ainda tem muito pela frente. De repente a Norma toma rumos em direção a um tom mais cômico, ninguém pode prever o que vai acontecer nos próximos oito meses.

Você ficou dois anos sem fazer novelas. Foi uma pausa premeditada?
CAROLINA – Resolvi tirar meu período sabático também. Emendei Belíssima com Começar de Novo, que já tinha emendado com Kubanacan. Conversei com a direção da emissora e eles me deram um descanso. Acho que todo mundo precisa parar para poder se reciclar. É bom porque além de voltar com mais ânimo, você descansa a imagem, fundamental para quem trabalha em novelas.

Você aparece atualmente em comercial ao lado de Richard Gere. Como o público tem reagido à propaganda?
CAROLINA – É muito engraçado porque todos pensam que é montagem. Mas gravei em Nova York, junto com ele, na semana do Natal. As pessoas sempre brincam e se lembram de Uma Linda Mulher e da Julia Roberts. Mas, sinceramente, não acho que fosse a intenção relacionar tanto assim com o longa. A música foi escolhida mais porque ele fez sucesso como o galã que salva a prostituta. O filme e a canção fizeram muito sucesso no Brasil. Todo mundo fica me perguntando como é ser a ‘linda mulher’ do Richard Gere, mas não passei de uma colega de trabalho. Acho que o mais compensador dessa experiência foi ele se mostrar muito mais simples e companheiro do que vários atores que já contracenaram comigo aqui no Brasil.


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