Fechar
Publicidade

Quarta-Feira, 20 de Janeiro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

|

Ano da Misericórdia


Dom Pedro Carlos Cipollini*

25/01/2016 | 07:00


O papa Francisco convocou a Igreja para viver o Ano Santo da Misericórdia. O referido ano iniciou-se no dia 8 de dezembro de 2015 (data de conclusão do Concílio Vaticano 2, ocorrido há 50 anos, onde se desejou utilizar mais a ‘medicina da misericórdia’, e não a da condenação); e se encerrará em 20 de novembro de 2016, festa de Jesus Cristo Rei.


O lema deste ano santo é A Exortação de Jesus: “Sede misericordiosos como vosso Pai do Céu é misericordioso.” (Lc 6,36) Se o maior mandamento deixado por Jesus é o mandamento do amor, Jesus deixa claro que a misericórdia é a expressão máxima do amor.


A misericórdia divina revelada em Jesus Cristo antecede toda realidade, sendo o fundamento tanto da criação como da salvação. Deus não precisava criar, mas ele quis comunicar-se e por isso nos criou: por misericórdia.


A experiência da misericórdia divina não é um consolo barato, mas é a experiência daqueles que se encontram com Cristo e passam a ver o mundo com os olhos da fé e do amor. A misericórdia de Deus se faz sentir não só diante da miséria natural, fruto da injustiça, mas também diante da miséria do afastamento de Deus.


A mensagem da misericórdia quer dizer que Deus toma a seu cargo a nossa pobreza original e fundamental e, por isso, Ele é nosso amigo, Ele caminha conosco. Jesus satisfaz com a mensagem da misericórdia o clamor universal pelo perdão e a reconciliação que existe em todas as religiões do mundo. A vinculação da violência à religião é um mal entendido e uma degradação de sentido da verdadeira religião. “Só a compaixão-misericórdia permite que o indivíduo estabeleça uma relação social positiva com outra pessoa.” (cf. J.J.Rousseau in Emílio)


A pergunta que se coloca a partir dessa reflexão pode se manifestar do seguinte modo: seria a misericórdia contrária à justiça? Não, a misericórdia não contradiz a justiça, ela a transcende. A misericórdia ultrapassa a justiça. A misericórdia é o remédio que Deus usa para superar e por fim ao mal, quebrando assim suas cadeias. A misericórdia de Deus é o poder divino que conserva, protege, fomenta, recria e fundamenta a vida. Ela ultrapassa a lógica da justiça humana, que se resume ao castigo e à morte do faltoso, do pecador.


Como vivenciar bem este ano da misericórdia? Todos somos convidados a, em primeiro lugar, abrir o coração ao perdão, à compreensão e à fraternidade antes de tudo. Em seguida podemos ouvir a palavra de Deus, como propõe o papa Francisco. Em terceiro, vivenciando as obras de misericórdia, tanto corporais como espirituais. E, por fim, sugere-se a peregrinação a um dos locais indicados, onde se pode orar e passar pela ‘porta santa’. No Grande ABC este locais são: Catedral do Carmo, Santuário Nosso Senhor do Bonfim, ambos em Santo André; Basílica N.S. da Boa Viagem, Santuário da Milícia da Imaculada – Riacho Grande e Santuário N.S. Aparecida – Pauliceia, os três últimos em São Bernardo.


Fica o convite para apostarmos mais na bondade e na misericórdia que na força e na brutalidade. Foi isso que Jesus ensinou e deseja que aprendamos.


* Dom Pedro Carlos Cipollini é bispo diocesano de Santo André.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Ano da Misericórdia

Dom Pedro Carlos Cipollini*

25/01/2016 | 07:00


O papa Francisco convocou a Igreja para viver o Ano Santo da Misericórdia. O referido ano iniciou-se no dia 8 de dezembro de 2015 (data de conclusão do Concílio Vaticano 2, ocorrido há 50 anos, onde se desejou utilizar mais a ‘medicina da misericórdia’, e não a da condenação); e se encerrará em 20 de novembro de 2016, festa de Jesus Cristo Rei.


O lema deste ano santo é A Exortação de Jesus: “Sede misericordiosos como vosso Pai do Céu é misericordioso.” (Lc 6,36) Se o maior mandamento deixado por Jesus é o mandamento do amor, Jesus deixa claro que a misericórdia é a expressão máxima do amor.


A misericórdia divina revelada em Jesus Cristo antecede toda realidade, sendo o fundamento tanto da criação como da salvação. Deus não precisava criar, mas ele quis comunicar-se e por isso nos criou: por misericórdia.


A experiência da misericórdia divina não é um consolo barato, mas é a experiência daqueles que se encontram com Cristo e passam a ver o mundo com os olhos da fé e do amor. A misericórdia de Deus se faz sentir não só diante da miséria natural, fruto da injustiça, mas também diante da miséria do afastamento de Deus.


A mensagem da misericórdia quer dizer que Deus toma a seu cargo a nossa pobreza original e fundamental e, por isso, Ele é nosso amigo, Ele caminha conosco. Jesus satisfaz com a mensagem da misericórdia o clamor universal pelo perdão e a reconciliação que existe em todas as religiões do mundo. A vinculação da violência à religião é um mal entendido e uma degradação de sentido da verdadeira religião. “Só a compaixão-misericórdia permite que o indivíduo estabeleça uma relação social positiva com outra pessoa.” (cf. J.J.Rousseau in Emílio)


A pergunta que se coloca a partir dessa reflexão pode se manifestar do seguinte modo: seria a misericórdia contrária à justiça? Não, a misericórdia não contradiz a justiça, ela a transcende. A misericórdia ultrapassa a justiça. A misericórdia é o remédio que Deus usa para superar e por fim ao mal, quebrando assim suas cadeias. A misericórdia de Deus é o poder divino que conserva, protege, fomenta, recria e fundamenta a vida. Ela ultrapassa a lógica da justiça humana, que se resume ao castigo e à morte do faltoso, do pecador.


Como vivenciar bem este ano da misericórdia? Todos somos convidados a, em primeiro lugar, abrir o coração ao perdão, à compreensão e à fraternidade antes de tudo. Em seguida podemos ouvir a palavra de Deus, como propõe o papa Francisco. Em terceiro, vivenciando as obras de misericórdia, tanto corporais como espirituais. E, por fim, sugere-se a peregrinação a um dos locais indicados, onde se pode orar e passar pela ‘porta santa’. No Grande ABC este locais são: Catedral do Carmo, Santuário Nosso Senhor do Bonfim, ambos em Santo André; Basílica N.S. da Boa Viagem, Santuário da Milícia da Imaculada – Riacho Grande e Santuário N.S. Aparecida – Pauliceia, os três últimos em São Bernardo.


Fica o convite para apostarmos mais na bondade e na misericórdia que na força e na brutalidade. Foi isso que Jesus ensinou e deseja que aprendamos.


* Dom Pedro Carlos Cipollini é bispo diocesano de Santo André.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;