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Ex-vereador petista troca política por netos


Milena S. Buosi
Especial para o Diário

15/01/2006 | 09:09


Cuidar dos netos é hoje uma das ocupações do ex-vereador de Diadema João Paulo de Oliveira. Longe da Câmara há nove anos, o sociólogo e metalúrgico aposentado aproveita o tempo livre para ficar em casa com a família, mas conta que não deixou a política totalmente de lado. "Costumo viajar para fazer discussões e pesquisas de caráter político e dou alguns cursos para militantes partidários." Apesar disso, ele não pretende ocupar nenhum cargo no Legislativo e garante que só seria candidato novamente sob uma condição: "Só voltaria a ser vereador se a função deixasse de ser remunerada". E justifica: "Política não deve ser profissão, mas sim opção. Uma opção na perspectiva de você ajudar alguém. Mas o que vemos, infelizmente, são pessoas que procuram ser candidatos somente por causa dos salários".

Como membro do Partido dos Trabalhadores desde a sua fundação, Oliveira se elegeu para dois mandatos consecutivos na Câmara de Diadema, de 1989 a 1996. Nos dois últimos anos, foi presidente da Casa. Ele conta que desde o início do mandato defendeu a idéia de uma "renovação permanente dos quadros", o que significa trocar freqüentemente os legisladores e impedir que um vereador fique muito tempo no poder. Para João, isso evitaria a corrupção. "Se você tem o limite de oito anos fica mais difícil corromper e ser corrompido." Com esse ideal, depois de dois mandatos, João saiu do cargo e não se candidatou mais.

Sem mordomia - O principal projeto do sociólogo enquanto esteve na Câmara revela que ele não concorda com mordomias no Legislativo. João conseguiu aprovar uma lei para acabar com a aposentadoria precoce dos vereadores. "Entrei com esta proposta porque achava a lei imoral. Qualquer pessoa precisava de pelo menos 30 anos de trabalho para se aposentar enquanto os vereadores precisavam de apenas dois mandatos." João buscou parcerias com outros municípios e a lei passou a valer em todo o Estado de São Paulo.

João nasceu em Visconde de Rio Branco, interior de Minas Gerais, e chegou em Diadema aos 16 anos. Foi metalúrgico e segundo secretário do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Na década de 70, a sindicância lhe rendeu a repressão da ditadura militar. Foi perseguido, cassado e anistiado. "Minha casa no centro de Diadema ficava 24 horas por dia cercada por policiais. Minha família sofria muito," lembrou. "Mas acho que valeu a pena. Faria tudo de novo."

Para as eleições deste ano, João diz que está estudando os possíveis candidatos antes de fazer suas escolhas. Por enquanto, só definiu que Lula terá seu voto para a presidência da República. Sabe que a disputa será difícil, mas acredita que a vitória é possível. "Precisamos mostrar para a população o que ele fez de bom. Aqui em Diadema, por exemplo, o Quarteirão da Saúde só foi possível pela ajuda do governo federal", disse.

Voto em Lula - João acha que a política econômica adotada pela equipe de Lula se distancia do que o partido sempre pregou. Para ele, o governo federal deveria se preocupar mais com o povo brasileiro e menos com a dívida externa. "Eles deveriam investir no país. Por que o superávit não foi investido em educação, saúde e habitação? O FMI (Fundo Monetário Internacional) que espere", disse João Oliveira.
  Para o ex-vereador, o escândalo que envolveu o PT em 2005 foi uma grande decepção, mas não o fez pensar em deixar o partido. "Estou muito magoado, mas vou continuar. Não concordo com as pessoas que saíram do PT quando ele mais precisava. Acho que devo tentar contribuir para que esses erros não sejam novamente cometidos", defende.

Oliveira acredita também que os escândalos de 2005 tiveram grande alcance principalmente por envolver nomes importantes dentro do PT. "Foram algumas pessoas que se diziam estrelas do partido que fizeram essa porcaria toda. Se fosse um mero militante, como um João Paulo de Diadema, não teria dado toda essa repercussão."



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Ex-vereador petista troca política por netos

Milena S. Buosi
Especial para o Diário

15/01/2006 | 09:09


Cuidar dos netos é hoje uma das ocupações do ex-vereador de Diadema João Paulo de Oliveira. Longe da Câmara há nove anos, o sociólogo e metalúrgico aposentado aproveita o tempo livre para ficar em casa com a família, mas conta que não deixou a política totalmente de lado. "Costumo viajar para fazer discussões e pesquisas de caráter político e dou alguns cursos para militantes partidários." Apesar disso, ele não pretende ocupar nenhum cargo no Legislativo e garante que só seria candidato novamente sob uma condição: "Só voltaria a ser vereador se a função deixasse de ser remunerada". E justifica: "Política não deve ser profissão, mas sim opção. Uma opção na perspectiva de você ajudar alguém. Mas o que vemos, infelizmente, são pessoas que procuram ser candidatos somente por causa dos salários".

Como membro do Partido dos Trabalhadores desde a sua fundação, Oliveira se elegeu para dois mandatos consecutivos na Câmara de Diadema, de 1989 a 1996. Nos dois últimos anos, foi presidente da Casa. Ele conta que desde o início do mandato defendeu a idéia de uma "renovação permanente dos quadros", o que significa trocar freqüentemente os legisladores e impedir que um vereador fique muito tempo no poder. Para João, isso evitaria a corrupção. "Se você tem o limite de oito anos fica mais difícil corromper e ser corrompido." Com esse ideal, depois de dois mandatos, João saiu do cargo e não se candidatou mais.

Sem mordomia - O principal projeto do sociólogo enquanto esteve na Câmara revela que ele não concorda com mordomias no Legislativo. João conseguiu aprovar uma lei para acabar com a aposentadoria precoce dos vereadores. "Entrei com esta proposta porque achava a lei imoral. Qualquer pessoa precisava de pelo menos 30 anos de trabalho para se aposentar enquanto os vereadores precisavam de apenas dois mandatos." João buscou parcerias com outros municípios e a lei passou a valer em todo o Estado de São Paulo.

João nasceu em Visconde de Rio Branco, interior de Minas Gerais, e chegou em Diadema aos 16 anos. Foi metalúrgico e segundo secretário do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Na década de 70, a sindicância lhe rendeu a repressão da ditadura militar. Foi perseguido, cassado e anistiado. "Minha casa no centro de Diadema ficava 24 horas por dia cercada por policiais. Minha família sofria muito," lembrou. "Mas acho que valeu a pena. Faria tudo de novo."

Para as eleições deste ano, João diz que está estudando os possíveis candidatos antes de fazer suas escolhas. Por enquanto, só definiu que Lula terá seu voto para a presidência da República. Sabe que a disputa será difícil, mas acredita que a vitória é possível. "Precisamos mostrar para a população o que ele fez de bom. Aqui em Diadema, por exemplo, o Quarteirão da Saúde só foi possível pela ajuda do governo federal", disse.

Voto em Lula - João acha que a política econômica adotada pela equipe de Lula se distancia do que o partido sempre pregou. Para ele, o governo federal deveria se preocupar mais com o povo brasileiro e menos com a dívida externa. "Eles deveriam investir no país. Por que o superávit não foi investido em educação, saúde e habitação? O FMI (Fundo Monetário Internacional) que espere", disse João Oliveira.
  Para o ex-vereador, o escândalo que envolveu o PT em 2005 foi uma grande decepção, mas não o fez pensar em deixar o partido. "Estou muito magoado, mas vou continuar. Não concordo com as pessoas que saíram do PT quando ele mais precisava. Acho que devo tentar contribuir para que esses erros não sejam novamente cometidos", defende.

Oliveira acredita também que os escândalos de 2005 tiveram grande alcance principalmente por envolver nomes importantes dentro do PT. "Foram algumas pessoas que se diziam estrelas do partido que fizeram essa porcaria toda. Se fosse um mero militante, como um João Paulo de Diadema, não teria dado toda essa repercussão."

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