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Política

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Machado polêmico


Paula Fontenelle e Juliana de Sordi Gattone
Do Diário do Grande ABC

03/09/2006 | 21:06


Em uma entrevista polêmica, o deputado estadual, candidato à reeleição e vice-presidente nacional do PTB Campos Machado afirma que nem mesmo sob o risco de prejudicar o partido nestas eleições deixa de defender o ex-deputado federal cassado Roberto Jefferson.”Eu ainda assumo a amizade e o respeito a ele”, afirma. Para Machado, nada comprova que o “amigo” tenha recebido dinheiro do mensalão, mesmo tendo sido o denunciante do caso e réu confesso de gastar R$ 4 milhões. “É norma do partido que haja lealdade acima de tudo...”, defende. No entanto, a regra não vale para os petistas acusados e muito menos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De olho no Palácio dos Bandeirantes, Machado revelou que é o candidato natural do partido ao governo em 2010 e que lançará pretendentes às prefeituras de São Bernardo e Santo André em 2008. No entanto, o parlamentar não quis revelar os nomes. “Não será nem Brandão, nem Duílio”, disse referindo à última dobrada de Santo André.

Para Machado, Duílio sequer faz parte do PTB. “Ele escolheu o caminho dele quando optou por apoiar candidatos que não são do partido no momento em que estamos precisando de todos os nossos soldados na luta partidária pela cláusula de barreira.”

DIÁRIO – O sr. já comentou que as pessoas não querem votar. Em relação aos escândalos, o sr. acredita que o partido foi prejudicado?
MACHADO – Não em São Paulo. E eu ainda assumo a amizade e o respeito a Roberto Jefferson.

DIÁRIO – Mesmo ele sendo réu confesso do esquema do mensalão? De ter recebido R$ 4 milhões e não ter dividido com o partido?
MACHADO – Se ele recebeu, foi dinheiro para fazer campanha política. É norma do partido que haja lealdade acima de tudo. Quem não tem lealdade com seus amigos, com seus companheiros, com seus princípios, não tem lealdade a Deus.

DIÁRIO – Esse é o mesmo tratamento dispensado também aos envolvidos do partido no escândalo dos sanguessugas?
MACHADO – Como podemos expulsar deputados sem ter comprovação? A minha formação é de jurista, advogado. Enquanto não tiver decisão definitiva, existe só acusação. Antes de Jefferson, estávamos caminhando para um partido único. O povo tem memória curta e está anistiando antes da hora o Lula. Para mim, Roberto Jefferson é um homem correto. As pessoas se omitem quando se trata de acusações contra companheiros. É mais fácil ficar em cima do muro ou sair com respostas periféricas. Enfrento o problema de frente. Roberto Jefferson merece meu respeito, do PTB e do povo brasileiro. Os acusados de sanguessugas também não foram comprovados. Pré-julgamento é alternativa dos covardes, omissos e frouxos.

DIÁRIO – Nesse caso, o presidente Lula diz também que nada ficou provado quando questionado sobre as punições contra os acusados no mensalão, no valerioduto...Então o sr. concorda com ele?
MACHADO – Nesse caso ele diz que não sabia. Qual brasileiro duvida que houve mensalão? Mas tem gente que tem prova concreta, dinheiro na conta... Mas não do PTB. Dinheiro na conta de deputado do PTB não. Do PT tem dinheiro na conta, sacado no caixa.

DIÁRIO – O sr. acha que as emendas do Orçamento não são provas? Só vale dinheiro na conta?
MACHADO – Se apresenta emenda para uma cidade e ela recebe ambulância, onde está a prova de que o deputado participou e teve algum lucro na ambulância?

DIÁRIO – O sr. acha que o PTB consegue ultrapassar a cláusula de barreira?
MACHADO – A minha previsão é que fique PT, PSDB, PFL, PMDB, PTB, PDT, PSB e o PP. O PTB tem condição de disputar o governo do Estado em 2010, se passarmos pela cláusula de barreira.

DIÁRIO – E o sr. seria o candidato?
MACHADO – Não posso falar que sou eu, mas tudo caminha para ser.

DIÁRIO – Qual seria o grande novo projeto do partido?
MACHADO – Vamos fazer um arrastão social com essas entidades. Temos no Grande ABC um grande líder regional, que é o prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior. Nós também estamos restabelecendo o partido em São Bernardo.

DIÁRIO – E lá tem um petebista tradicional de Santo André, Duílio Pisaneschi, que assumiu a frente do maior projeto da cidade. O que o partido acha da presença dele na administração São Bernardo?
MACHADO – Ele é meu amigo, mas acho que ele está se afastando do partido. Ele está apoiando candidatos que não pertencem ao PTB. Para mim, ele está se desligando do partido de maneira automática. Acho que não cabe mais conversa política com meu irmão, amigo, Duílio Pisaneschi. Ele escolheu o caminho dele quando optou por apoiar candidatos que não são do partido no momento em que estamos precisando de todos os nossos soldados na luta partidária pela cláusula de barreira. Eu conheço Duílio. Se ele tomou esse caminho, é sinal que ele está se afastando do partido. Não há necessidade de expulsão.

DIÁRIO – Mas ele está usando a sigla para promover outros candidatos.
MACHADO – Você acha que eu posso concordar que o ex-deputado apóie candidatos de outros partidos? Não precisa desligar porque ele está saindo.  A minha ligação com Duílio, hoje, é de amigos, não mais política. Para mim, ele não pertence e não fala mais em nome do PTB. Aliás, nós estamos preparando um nome para ser candidato à Prefeitura de São Bernardo.

DIÁRIO – Quem é?
MACHADO – Isso eu não vou dizer. Também tem um nome para Santo André. Não é nem Brandão e nem Duílio.

DIÁRIO – O que o sr. acha dessa campanha presidencial?
MACHADO – Acredito que Geraldo Alckmin pode e deve virar esse jogo, contra todas as previsões. Não é possível que mais próximo das eleições o povo não acorde. Ainda que Geraldo tenha como grandes adversários os próprios companheiros de coligação. Tem muita gente no PSDB e no PFL que trabalha contra a candidatura dele. O pior apoio é aquele que é falado e não é dado. Ninguém está acreditando. Quero que me cobrem no dia 2 de outubro se teremos ou não segundo turno.



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Machado polêmico

Paula Fontenelle e Juliana de Sordi Gattone
Do Diário do Grande ABC

03/09/2006 | 21:06


Em uma entrevista polêmica, o deputado estadual, candidato à reeleição e vice-presidente nacional do PTB Campos Machado afirma que nem mesmo sob o risco de prejudicar o partido nestas eleições deixa de defender o ex-deputado federal cassado Roberto Jefferson.”Eu ainda assumo a amizade e o respeito a ele”, afirma. Para Machado, nada comprova que o “amigo” tenha recebido dinheiro do mensalão, mesmo tendo sido o denunciante do caso e réu confesso de gastar R$ 4 milhões. “É norma do partido que haja lealdade acima de tudo...”, defende. No entanto, a regra não vale para os petistas acusados e muito menos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De olho no Palácio dos Bandeirantes, Machado revelou que é o candidato natural do partido ao governo em 2010 e que lançará pretendentes às prefeituras de São Bernardo e Santo André em 2008. No entanto, o parlamentar não quis revelar os nomes. “Não será nem Brandão, nem Duílio”, disse referindo à última dobrada de Santo André.

Para Machado, Duílio sequer faz parte do PTB. “Ele escolheu o caminho dele quando optou por apoiar candidatos que não são do partido no momento em que estamos precisando de todos os nossos soldados na luta partidária pela cláusula de barreira.”

DIÁRIO – O sr. já comentou que as pessoas não querem votar. Em relação aos escândalos, o sr. acredita que o partido foi prejudicado?
MACHADO – Não em São Paulo. E eu ainda assumo a amizade e o respeito a Roberto Jefferson.

DIÁRIO – Mesmo ele sendo réu confesso do esquema do mensalão? De ter recebido R$ 4 milhões e não ter dividido com o partido?
MACHADO – Se ele recebeu, foi dinheiro para fazer campanha política. É norma do partido que haja lealdade acima de tudo. Quem não tem lealdade com seus amigos, com seus companheiros, com seus princípios, não tem lealdade a Deus.

DIÁRIO – Esse é o mesmo tratamento dispensado também aos envolvidos do partido no escândalo dos sanguessugas?
MACHADO – Como podemos expulsar deputados sem ter comprovação? A minha formação é de jurista, advogado. Enquanto não tiver decisão definitiva, existe só acusação. Antes de Jefferson, estávamos caminhando para um partido único. O povo tem memória curta e está anistiando antes da hora o Lula. Para mim, Roberto Jefferson é um homem correto. As pessoas se omitem quando se trata de acusações contra companheiros. É mais fácil ficar em cima do muro ou sair com respostas periféricas. Enfrento o problema de frente. Roberto Jefferson merece meu respeito, do PTB e do povo brasileiro. Os acusados de sanguessugas também não foram comprovados. Pré-julgamento é alternativa dos covardes, omissos e frouxos.

DIÁRIO – Nesse caso, o presidente Lula diz também que nada ficou provado quando questionado sobre as punições contra os acusados no mensalão, no valerioduto...Então o sr. concorda com ele?
MACHADO – Nesse caso ele diz que não sabia. Qual brasileiro duvida que houve mensalão? Mas tem gente que tem prova concreta, dinheiro na conta... Mas não do PTB. Dinheiro na conta de deputado do PTB não. Do PT tem dinheiro na conta, sacado no caixa.

DIÁRIO – O sr. acha que as emendas do Orçamento não são provas? Só vale dinheiro na conta?
MACHADO – Se apresenta emenda para uma cidade e ela recebe ambulância, onde está a prova de que o deputado participou e teve algum lucro na ambulância?

DIÁRIO – O sr. acha que o PTB consegue ultrapassar a cláusula de barreira?
MACHADO – A minha previsão é que fique PT, PSDB, PFL, PMDB, PTB, PDT, PSB e o PP. O PTB tem condição de disputar o governo do Estado em 2010, se passarmos pela cláusula de barreira.

DIÁRIO – E o sr. seria o candidato?
MACHADO – Não posso falar que sou eu, mas tudo caminha para ser.

DIÁRIO – Qual seria o grande novo projeto do partido?
MACHADO – Vamos fazer um arrastão social com essas entidades. Temos no Grande ABC um grande líder regional, que é o prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior. Nós também estamos restabelecendo o partido em São Bernardo.

DIÁRIO – E lá tem um petebista tradicional de Santo André, Duílio Pisaneschi, que assumiu a frente do maior projeto da cidade. O que o partido acha da presença dele na administração São Bernardo?
MACHADO – Ele é meu amigo, mas acho que ele está se afastando do partido. Ele está apoiando candidatos que não pertencem ao PTB. Para mim, ele está se desligando do partido de maneira automática. Acho que não cabe mais conversa política com meu irmão, amigo, Duílio Pisaneschi. Ele escolheu o caminho dele quando optou por apoiar candidatos que não são do partido no momento em que estamos precisando de todos os nossos soldados na luta partidária pela cláusula de barreira. Eu conheço Duílio. Se ele tomou esse caminho, é sinal que ele está se afastando do partido. Não há necessidade de expulsão.

DIÁRIO – Mas ele está usando a sigla para promover outros candidatos.
MACHADO – Você acha que eu posso concordar que o ex-deputado apóie candidatos de outros partidos? Não precisa desligar porque ele está saindo.  A minha ligação com Duílio, hoje, é de amigos, não mais política. Para mim, ele não pertence e não fala mais em nome do PTB. Aliás, nós estamos preparando um nome para ser candidato à Prefeitura de São Bernardo.

DIÁRIO – Quem é?
MACHADO – Isso eu não vou dizer. Também tem um nome para Santo André. Não é nem Brandão e nem Duílio.

DIÁRIO – O que o sr. acha dessa campanha presidencial?
MACHADO – Acredito que Geraldo Alckmin pode e deve virar esse jogo, contra todas as previsões. Não é possível que mais próximo das eleições o povo não acorde. Ainda que Geraldo tenha como grandes adversários os próprios companheiros de coligação. Tem muita gente no PSDB e no PFL que trabalha contra a candidatura dele. O pior apoio é aquele que é falado e não é dado. Ninguém está acreditando. Quero que me cobrem no dia 2 de outubro se teremos ou não segundo turno.

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