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Estudantes de Sto.André têm dia de deficiente


Sucena Shkrada Resk
Do Diário do Grande ABC

01/04/2005 | 15:06


Suor e um misto de expressões de dor muscular e medo. A reação estava estampada nos rostos de cerca de 20 alunos da 6ªsérie do ensino fundamental ao ensino médio do Colégio Ideal, de Santo André, ao vivenciar quinta-feira as dificuldades de locomoção enfrentadas por portadores de deficiência nas ruas da cidade. No município, eles são 71.555, de acordo com o último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2000. O que representa 11% da população.

Sobre cadeiras de rodas e com olhos vendados, estudantes percorreram calçadas esburacadas e com desníveis do bairro Bangu para sentir todas as dificuldades que os deficientes sentem no dia-a-dia. As impressões estarão relacionadas em um manual do portador, que o colégio distribuirá à comunidade no mês que vem. A experiência ainda servirá de base para a participação de alguns alunos no Campeonato Internacional de Robótica, em abril, nos Estados Unidos.

Gabriela de Oliveira, 14 anos, confessou que a sensação de vulnerabilidade foi grande. “É muito complicado e doloroso, porque a gente se sente impotente e precisa de ajuda. A Prefeitura poderia disponibilizar guardas para ajudar principalmente as pessoas que utilizam cadeiras de rodas a andar nas calçadas.” A colega Lays Camargo de Tafarelo, 12 anos, andou com uma venda nos olhos. “Estou me sentindo estranha, com receio de cair, bater a cabeça ou ser mordida por um cachorro.”

Antes de participarem da prova de fogo, as garotas contam que se sensibilizaram ao ouvir narrativas dos portadores de deficiência. O advogado Luís Carlos Kassab, 26 anos, da Comissão de Defesa das Pessoas com Deficiência da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo, que é um cadeirante, destacou que a juventude tem de abrir os olhos para a realidade. “Existem cerca de 24 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência no país. Apesar de ter melhorado a acessibilidade, após a Constituição de 1988, ainda falta inclusão.” Ele acredita que só por meio da educação os jovens terão mais sensibilidade para lutar pelo respeito à pessoa com deficiência.

O poder público também tem muito a fazer, segundo Alan Cortez de Lucena, 36 anos, coordenador do Núcleo de Políticas Públicas de Gênero, Raça e Geração e Pessoa com Deficiência da Secretaria do Governo de Santo André. Segundo ele, a partir de uma portaria federal de dezembro de 2004, as prefeituras podem atuar de maneira uniforme. “Começamos a desenvolver um plano de mobilidade urbana para pessoas com deficiência na região central e em nossas escolas para seguirmos a outros bairros.” As calçadas, por determinação legal, são de responsabilidade do dono do imóvel. “Constatamos que ainda existe ausência de manutenção. É necessário que haja sensibilização dos próprios munícipes” , diz Lucena.

As adequações em prédios públicos e privados vigoram desde setembro de 2000, de acordo com Nelson Ota, assistente da Diretoria de Controle Urbano de Santo André. “Só que não valem para construções anteriores à lei, com exceção de casos quando há pedidos de reformas.” O coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos e conselheiro do Diário, Ariel de Castro Alves, afirma que é necessário que cada vez mais os representantes das pessoas com deficiência procurem o Ministério Público. “O poder público só tem tomado atitude, muitas vezes, após decisões judiciais. É preciso ter vontade política para cumprir a lei.”


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Estudantes de Sto.André têm dia de deficiente

Sucena Shkrada Resk
Do Diário do Grande ABC

01/04/2005 | 15:06


Suor e um misto de expressões de dor muscular e medo. A reação estava estampada nos rostos de cerca de 20 alunos da 6ªsérie do ensino fundamental ao ensino médio do Colégio Ideal, de Santo André, ao vivenciar quinta-feira as dificuldades de locomoção enfrentadas por portadores de deficiência nas ruas da cidade. No município, eles são 71.555, de acordo com o último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2000. O que representa 11% da população.

Sobre cadeiras de rodas e com olhos vendados, estudantes percorreram calçadas esburacadas e com desníveis do bairro Bangu para sentir todas as dificuldades que os deficientes sentem no dia-a-dia. As impressões estarão relacionadas em um manual do portador, que o colégio distribuirá à comunidade no mês que vem. A experiência ainda servirá de base para a participação de alguns alunos no Campeonato Internacional de Robótica, em abril, nos Estados Unidos.

Gabriela de Oliveira, 14 anos, confessou que a sensação de vulnerabilidade foi grande. “É muito complicado e doloroso, porque a gente se sente impotente e precisa de ajuda. A Prefeitura poderia disponibilizar guardas para ajudar principalmente as pessoas que utilizam cadeiras de rodas a andar nas calçadas.” A colega Lays Camargo de Tafarelo, 12 anos, andou com uma venda nos olhos. “Estou me sentindo estranha, com receio de cair, bater a cabeça ou ser mordida por um cachorro.”

Antes de participarem da prova de fogo, as garotas contam que se sensibilizaram ao ouvir narrativas dos portadores de deficiência. O advogado Luís Carlos Kassab, 26 anos, da Comissão de Defesa das Pessoas com Deficiência da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo, que é um cadeirante, destacou que a juventude tem de abrir os olhos para a realidade. “Existem cerca de 24 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência no país. Apesar de ter melhorado a acessibilidade, após a Constituição de 1988, ainda falta inclusão.” Ele acredita que só por meio da educação os jovens terão mais sensibilidade para lutar pelo respeito à pessoa com deficiência.

O poder público também tem muito a fazer, segundo Alan Cortez de Lucena, 36 anos, coordenador do Núcleo de Políticas Públicas de Gênero, Raça e Geração e Pessoa com Deficiência da Secretaria do Governo de Santo André. Segundo ele, a partir de uma portaria federal de dezembro de 2004, as prefeituras podem atuar de maneira uniforme. “Começamos a desenvolver um plano de mobilidade urbana para pessoas com deficiência na região central e em nossas escolas para seguirmos a outros bairros.” As calçadas, por determinação legal, são de responsabilidade do dono do imóvel. “Constatamos que ainda existe ausência de manutenção. É necessário que haja sensibilização dos próprios munícipes” , diz Lucena.

As adequações em prédios públicos e privados vigoram desde setembro de 2000, de acordo com Nelson Ota, assistente da Diretoria de Controle Urbano de Santo André. “Só que não valem para construções anteriores à lei, com exceção de casos quando há pedidos de reformas.” O coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos e conselheiro do Diário, Ariel de Castro Alves, afirma que é necessário que cada vez mais os representantes das pessoas com deficiência procurem o Ministério Público. “O poder público só tem tomado atitude, muitas vezes, após decisões judiciais. É preciso ter vontade política para cumprir a lei.”

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