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André di Mauro: muito mais que vilão

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Gabriela Germano
Da TV Press

09/12/2008 | 07:00


O ator André di Mauro nunca deu tanto o que falar. Aos 44 anos, dos quais 28 de carreira, ele já tinha feito novelas como Rainha da Sucata, na Globo, e mais recentemente Bicho do Mato, na Record. Seus personagens, no entanto, tinham pouco peso. Foi só agora, ao interpretar o pedófilo Lipe de Chamas da Vida, que ele virou o centro das atenções. Tem recebido elogios, ganhou mais reconhecimento na emissora e não esconde a satisfação ao ser assediado pelo público e pela mídia. "Até a audiência da novela aumentou quando a trama do Lipe ganhou força. É um trabalho muito recompensador", lisonjeia-se André. O ator começou no teatro aos 16 anos e tem experiência também como autor e diretor. "Já fiz tanta coisa alternativa na minha carreira e sempre consegui sobreviver. De início o Lipe também era um personagem pequeno. Mas estourou. É bacana ver isso acontecer", afirma.

O seu personagem Lipe, de Chamas da Vida, era um coadjuvante na novela, mas há um tempo está no centro das atenções. A repercussão lhe rendeu até um contrato longo com a Record. Você se surpreende com esse destaque?

ANDRÉ DI MAURO - Já imaginava que o Lipe fosse criar polêmica por causa da questão da pedofilia, mas não nego que tamanha repercussão me surpreende. Esse trabalho repercute de todas as formas. A mídia se interessou pelo personagem e pela questão, o público me aborda para falar da novela. Eu tinha contrato por obra com a Record e agora assinei um contrato de três anos. Sem contar que as pessoas resolveram denunciar mais casos de abuso sexual por causa dessa história. Esse é o personagem mais importante da minha carreira. E também o mais difícil.

Quais são as dificuldades em interpretá-lo?

DI MAURO - O mais complicado foi no início da história. O jeito de falar do interior de São Paulo, já que sou carioca. O andar, o riso, a maneira de se movimentar. A lógica emocional dele é completamente diferente, porque o Lipe é um cara doente, que tem um problema. Quando a gente faz um personagem que exige muita composição assim, porque é totalmente distante da nossa realidade, o risco de parecer falso é muito grande. Mas agora estou mais tranqüilo.

Antes desse papel, sua carreira era marcada por personagens de pouco peso em novelas, apesar de já trabalhar há 28 anos como ator. Você acha que demorou para chamar a atenção na TV?

DI MAURO - Sempre consegui levar a minha vida com meus projetos alternativos. Fiz muito teatro, tenho uma produtora chamada Di Mauro Cultura e Arte, escrevi, dirigi. Acho que não estar preso à televisão me fez experimentar um monte de coisas. Não tenho do que reclamar. Participei de uma empreitada de quatro anos na TV Búzios - um projeto local da cidade - e fui de âncora de telejornal a ator de uma novelinha que produzimos. Não tenho nenhum tipo de rancor em relação às novelas. Hoje, no entanto, é uma delícia ver o público falando do meu trabalho.

O que você tem ouvido das pessoas?

DI MAURO - Alguns dão aquela bronca: ‘não faça isso com a Vivi'. As senhoras às vezes recriminam. E aconteceu de um menininho de uns três anos se assustar quando me viu. Mas isso é um caso isolado. Não enfrentei situações desagradáveis por interpretar um pedófilo. A maioria das pessoas me pára para falar da seriedade do tema mesmo. É legal a novela alertar sobre um assunto e as pessoas entrarem nessa discussão. Eu ouço, inclusive, desabafos das pessoas.

Como assim?

DI MAURO - Estes dias recebi o e-mail de uma garota que sofreu abuso e não tinha para quem contar. Não respondi essa mensagem ainda porque não sei qual é a melhor maneira de fazer isso. Eu e a Letícia Colin também participamos de um programa na Record de São Paulo e, na saída, duas garotas vieram dizer que sabiam que havia esse tipo de problemas na casa dos vizinhos mas não sabiam com quem falar. Infelizmente, a pedofilia é mais comum do que a gente imagina.

 

 



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André di Mauro: muito mais que vilão

Gabriela Germano
Da TV Press

09/12/2008 | 07:00


O ator André di Mauro nunca deu tanto o que falar. Aos 44 anos, dos quais 28 de carreira, ele já tinha feito novelas como Rainha da Sucata, na Globo, e mais recentemente Bicho do Mato, na Record. Seus personagens, no entanto, tinham pouco peso. Foi só agora, ao interpretar o pedófilo Lipe de Chamas da Vida, que ele virou o centro das atenções. Tem recebido elogios, ganhou mais reconhecimento na emissora e não esconde a satisfação ao ser assediado pelo público e pela mídia. "Até a audiência da novela aumentou quando a trama do Lipe ganhou força. É um trabalho muito recompensador", lisonjeia-se André. O ator começou no teatro aos 16 anos e tem experiência também como autor e diretor. "Já fiz tanta coisa alternativa na minha carreira e sempre consegui sobreviver. De início o Lipe também era um personagem pequeno. Mas estourou. É bacana ver isso acontecer", afirma.

O seu personagem Lipe, de Chamas da Vida, era um coadjuvante na novela, mas há um tempo está no centro das atenções. A repercussão lhe rendeu até um contrato longo com a Record. Você se surpreende com esse destaque?

ANDRÉ DI MAURO - Já imaginava que o Lipe fosse criar polêmica por causa da questão da pedofilia, mas não nego que tamanha repercussão me surpreende. Esse trabalho repercute de todas as formas. A mídia se interessou pelo personagem e pela questão, o público me aborda para falar da novela. Eu tinha contrato por obra com a Record e agora assinei um contrato de três anos. Sem contar que as pessoas resolveram denunciar mais casos de abuso sexual por causa dessa história. Esse é o personagem mais importante da minha carreira. E também o mais difícil.

Quais são as dificuldades em interpretá-lo?

DI MAURO - O mais complicado foi no início da história. O jeito de falar do interior de São Paulo, já que sou carioca. O andar, o riso, a maneira de se movimentar. A lógica emocional dele é completamente diferente, porque o Lipe é um cara doente, que tem um problema. Quando a gente faz um personagem que exige muita composição assim, porque é totalmente distante da nossa realidade, o risco de parecer falso é muito grande. Mas agora estou mais tranqüilo.

Antes desse papel, sua carreira era marcada por personagens de pouco peso em novelas, apesar de já trabalhar há 28 anos como ator. Você acha que demorou para chamar a atenção na TV?

DI MAURO - Sempre consegui levar a minha vida com meus projetos alternativos. Fiz muito teatro, tenho uma produtora chamada Di Mauro Cultura e Arte, escrevi, dirigi. Acho que não estar preso à televisão me fez experimentar um monte de coisas. Não tenho do que reclamar. Participei de uma empreitada de quatro anos na TV Búzios - um projeto local da cidade - e fui de âncora de telejornal a ator de uma novelinha que produzimos. Não tenho nenhum tipo de rancor em relação às novelas. Hoje, no entanto, é uma delícia ver o público falando do meu trabalho.

O que você tem ouvido das pessoas?

DI MAURO - Alguns dão aquela bronca: ‘não faça isso com a Vivi'. As senhoras às vezes recriminam. E aconteceu de um menininho de uns três anos se assustar quando me viu. Mas isso é um caso isolado. Não enfrentei situações desagradáveis por interpretar um pedófilo. A maioria das pessoas me pára para falar da seriedade do tema mesmo. É legal a novela alertar sobre um assunto e as pessoas entrarem nessa discussão. Eu ouço, inclusive, desabafos das pessoas.

Como assim?

DI MAURO - Estes dias recebi o e-mail de uma garota que sofreu abuso e não tinha para quem contar. Não respondi essa mensagem ainda porque não sei qual é a melhor maneira de fazer isso. Eu e a Letícia Colin também participamos de um programa na Record de São Paulo e, na saída, duas garotas vieram dizer que sabiam que havia esse tipo de problemas na casa dos vizinhos mas não sabiam com quem falar. Infelizmente, a pedofilia é mais comum do que a gente imagina.

 

 

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