Fechar
Publicidade

Domingo, 26 de Janeiro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Setecidades

setecidades@dgabc.com.br | 4435-8319

Comer carne piora Mal de Parkinson


Valéria Cabrera
Do Diário do Grande ABC

17/05/2003 | 18:22


Os sintomas causados pelo Mal de Parkinson estão regredindo com uma mudança simples na dieta alimentar dos pacientes: a ingestão de altas doses de vitamina B2 e a exclusão da carne vermelha. Esse é o resultado preliminar do estudo que está sendo realizado com 31 pacientes em tratamento no Hospital do Servidor Público Municipal pelo médico neurologista Cícero Galli Coimbra, professor livre-docente de Neurologia Experimental da Unifesp (Universidade Estadual de São Paulo). Os dados da pesquisa foram apresentados, em abril, no 6º Congresso Internacional de Alzheimer e Parkinson, em Sevilha, na Espanha.

De acordo com Coimbra, em apenas três meses de tratamento e dieta, a recuperação média da função motora dos pacientes passou de 44% para 70%, o que significa uma melhora de 60%. A doença de Parkinson é uma alteração do sistema nervoso central que afeta principalmente a motricidade, provocando tremores, rigidez muscular e alterações posturais.

O neurologista explicou que a regressão dos sintomas foi mais acentuada em pacientes que estavam em estágios iniciais da doença – o Mal de Parkinson é classificado em cinco fases, de acordo com as funções motoras (veja tabela nessa página). “Alguns pacientes até já abandonaram a medicação que tomavam para diminuir os sintomas da doença.”

Segundo Coimbra, a medicação existente hoje melhora a função motora enquanto o paciente está sob o seu efeito. Quando passa, os problemas voltam e o remédio tem de ser novamente administrado. “Com a dieta, os sintomas praticamente desaparecem e os pacientes até esquecem de tomar o remédio”, explicou.

Mas não foram somente os pacientes nos estágios iniciais que sentiram melhorias. Coimbra descreveu o caso de uma senhora com o Mal de Parkinson há dez anos, que estava no estágio 4, e que seguiu a dieta estabelecida pelo estudo. “Ela já voltou a dirigir e andar pelas ruas sem medo de cair. Antes, precisava de auxílio para se levantar da cama ou da cadeira.”

Descoberta – De acordo com Coimbra, tudo começou com um estudo para verificar se existia um padrão quanto à deficiência de vitaminas entre os pacientes com Alzheimer e Parkinson. “Verificamos que todos os portadores do Mal de Parkinson estavam com baixas taxas de vitamina B2 no organismo.”

Mas, apesar da deficiência da vitamina, foi verificada que a alimentação dos pacientes era adequada para suprir suas necessidades – a vitamina é encontrada principalmente no leite. Nessa fase do estudo, o neurocirurgião descobriu outra coisa em comum entre os pacientes: todos comiam muita carne vermelha. “Fui procurar na literatura médica e descobri que a cidade campeã em casos de Parkinson é Buenos Aires, cidade onde o consumo de carne vermelha á altíssimo.”

A partir das primeiras conclusões começou os estudos com os 31 pacientes que estavam em tratamento na época no Hospital do Servidor Público. “Apesar de preliminares, os resultados do estudo são animadores, já que até o momento não existia nenhum tipo de tratamento que possibilitava a regressão da doença.”

Prevenção – O neurologista afirmou que as pessoas que têm dificuldade em absorver vitamina B2 – cerca de 15% da população – devem evitar comer carne vermelha para prevenir a doença no futuro. A deficiência pode ser descoberta por meio de um exame de dosagem da quantidade da vitamina no organismo.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.

Comer carne piora Mal de Parkinson

Valéria Cabrera
Do Diário do Grande ABC

17/05/2003 | 18:22


Os sintomas causados pelo Mal de Parkinson estão regredindo com uma mudança simples na dieta alimentar dos pacientes: a ingestão de altas doses de vitamina B2 e a exclusão da carne vermelha. Esse é o resultado preliminar do estudo que está sendo realizado com 31 pacientes em tratamento no Hospital do Servidor Público Municipal pelo médico neurologista Cícero Galli Coimbra, professor livre-docente de Neurologia Experimental da Unifesp (Universidade Estadual de São Paulo). Os dados da pesquisa foram apresentados, em abril, no 6º Congresso Internacional de Alzheimer e Parkinson, em Sevilha, na Espanha.

De acordo com Coimbra, em apenas três meses de tratamento e dieta, a recuperação média da função motora dos pacientes passou de 44% para 70%, o que significa uma melhora de 60%. A doença de Parkinson é uma alteração do sistema nervoso central que afeta principalmente a motricidade, provocando tremores, rigidez muscular e alterações posturais.

O neurologista explicou que a regressão dos sintomas foi mais acentuada em pacientes que estavam em estágios iniciais da doença – o Mal de Parkinson é classificado em cinco fases, de acordo com as funções motoras (veja tabela nessa página). “Alguns pacientes até já abandonaram a medicação que tomavam para diminuir os sintomas da doença.”

Segundo Coimbra, a medicação existente hoje melhora a função motora enquanto o paciente está sob o seu efeito. Quando passa, os problemas voltam e o remédio tem de ser novamente administrado. “Com a dieta, os sintomas praticamente desaparecem e os pacientes até esquecem de tomar o remédio”, explicou.

Mas não foram somente os pacientes nos estágios iniciais que sentiram melhorias. Coimbra descreveu o caso de uma senhora com o Mal de Parkinson há dez anos, que estava no estágio 4, e que seguiu a dieta estabelecida pelo estudo. “Ela já voltou a dirigir e andar pelas ruas sem medo de cair. Antes, precisava de auxílio para se levantar da cama ou da cadeira.”

Descoberta – De acordo com Coimbra, tudo começou com um estudo para verificar se existia um padrão quanto à deficiência de vitaminas entre os pacientes com Alzheimer e Parkinson. “Verificamos que todos os portadores do Mal de Parkinson estavam com baixas taxas de vitamina B2 no organismo.”

Mas, apesar da deficiência da vitamina, foi verificada que a alimentação dos pacientes era adequada para suprir suas necessidades – a vitamina é encontrada principalmente no leite. Nessa fase do estudo, o neurocirurgião descobriu outra coisa em comum entre os pacientes: todos comiam muita carne vermelha. “Fui procurar na literatura médica e descobri que a cidade campeã em casos de Parkinson é Buenos Aires, cidade onde o consumo de carne vermelha á altíssimo.”

A partir das primeiras conclusões começou os estudos com os 31 pacientes que estavam em tratamento na época no Hospital do Servidor Público. “Apesar de preliminares, os resultados do estudo são animadores, já que até o momento não existia nenhum tipo de tratamento que possibilitava a regressão da doença.”

Prevenção – O neurologista afirmou que as pessoas que têm dificuldade em absorver vitamina B2 – cerca de 15% da população – devem evitar comer carne vermelha para prevenir a doença no futuro. A deficiência pode ser descoberta por meio de um exame de dosagem da quantidade da vitamina no organismo.

Ao acessar você concorda com a nossa Política de Privacidade.


Para continuar, faça o seu login:


  • Aceito receber novidades e ofertas do Diário do Grande ABC e parceiros por
    correio eletrônico, mala direta, SMS ou outros meios de comunicação.


Ou acesse todo o conteúdo de forma ilimitada:

Veja como ter acesso a todo o conteúdo de forma ilimitada:

Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;