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Amor proibido em tempo de São João


Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

24/06/2005 | 08:36


Esta sexta é dia de São João, conforme indica o calendário de festividades juninas. Nada mais apropriado, portanto, que lançar no calor da data um filme intitulado Noite de São João, que estréia no HSBC Belas Artes, em São Paulo. O filme de Sérgio Silva, vencedor de quatro Kikito no último Festival de Gramado, é uma ficção, diferentemente de Viva São João!, dirigido por Andrucha Waddington e apresentado pelo ministro da Cultura Gilberto Gil, um road movie documental que percorria o Nordeste na trilha das festas que tinham o santo como razão de existir.

Noite de São João, dono dos Kikito de atriz coadjuvante (Dira Paes), ator (Marcelo Serrado), fotografia e trilha sonora, regride até 24 de junho de 1905, exatamente um século atrás, para narrar uma história de amor abençoada pelo personagem católico. Toda a trama desenrola-se à sombra da fé depositada no ícone religioso.

João (Serrado) é capataz de uma fazenda no interior do Rio Grande do Sul, no mesmo lugar onde trabalha sua noiva, Joana (Dira). Marcam de encontrar-se à noite, durante a festa de São João organizada pelo fazendeiro dono das terras. João chega adiantado. A filha do patrão, Júlia (Fernanda Rodrigues), motivada pelo consumo acima do recomendável de quentão, se engraça com o capataz. Descobrem uma paixão mútua até então desconhecida. De manhã, cai a ficha: amor como esse, no local e no tempo determinados, é impossível.

O diretor Sérgio Silva levou ao cenário dos pampas essa história adaptada da peça Senhorita Júlia, escrita no século XIX por Strindberg, o dramaturgo sueco. A recomposição geográfica objetiva muito mais que uma adequação pura e simples; faz parte de uma dedicação extrema em imprimir a cultura gaúcha – história mais identidade – na tela, semelhante a de um Netto Perde sua Alma, de Beto Souza e Tabajara Ruas.

O diretor Silva, não custa indicar, é o mesmo de Anahy de Las Missiones (1997), síntese da independência cultural atribuída aos gaúchos, com uma história de busca de feminilidade em meio à Revolução Farroupilha.

Um olhar interno do Rio Grande do Sul, com sustentação própria ao falar de um universo conhecido da raiz à folha. Não uma tentativa de reciclagem estético-histórica com muletas dramáticas como as de A Paixão de Jacobina e O Quatrilho, ambos – que curioso! – da lavra de Fábio Barreto.



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Amor proibido em tempo de São João

Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

24/06/2005 | 08:36


Esta sexta é dia de São João, conforme indica o calendário de festividades juninas. Nada mais apropriado, portanto, que lançar no calor da data um filme intitulado Noite de São João, que estréia no HSBC Belas Artes, em São Paulo. O filme de Sérgio Silva, vencedor de quatro Kikito no último Festival de Gramado, é uma ficção, diferentemente de Viva São João!, dirigido por Andrucha Waddington e apresentado pelo ministro da Cultura Gilberto Gil, um road movie documental que percorria o Nordeste na trilha das festas que tinham o santo como razão de existir.

Noite de São João, dono dos Kikito de atriz coadjuvante (Dira Paes), ator (Marcelo Serrado), fotografia e trilha sonora, regride até 24 de junho de 1905, exatamente um século atrás, para narrar uma história de amor abençoada pelo personagem católico. Toda a trama desenrola-se à sombra da fé depositada no ícone religioso.

João (Serrado) é capataz de uma fazenda no interior do Rio Grande do Sul, no mesmo lugar onde trabalha sua noiva, Joana (Dira). Marcam de encontrar-se à noite, durante a festa de São João organizada pelo fazendeiro dono das terras. João chega adiantado. A filha do patrão, Júlia (Fernanda Rodrigues), motivada pelo consumo acima do recomendável de quentão, se engraça com o capataz. Descobrem uma paixão mútua até então desconhecida. De manhã, cai a ficha: amor como esse, no local e no tempo determinados, é impossível.

O diretor Sérgio Silva levou ao cenário dos pampas essa história adaptada da peça Senhorita Júlia, escrita no século XIX por Strindberg, o dramaturgo sueco. A recomposição geográfica objetiva muito mais que uma adequação pura e simples; faz parte de uma dedicação extrema em imprimir a cultura gaúcha – história mais identidade – na tela, semelhante a de um Netto Perde sua Alma, de Beto Souza e Tabajara Ruas.

O diretor Silva, não custa indicar, é o mesmo de Anahy de Las Missiones (1997), síntese da independência cultural atribuída aos gaúchos, com uma história de busca de feminilidade em meio à Revolução Farroupilha.

Um olhar interno do Rio Grande do Sul, com sustentação própria ao falar de um universo conhecido da raiz à folha. Não uma tentativa de reciclagem estético-histórica com muletas dramáticas como as de A Paixão de Jacobina e O Quatrilho, ambos – que curioso! – da lavra de Fábio Barreto.

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