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Idosas vivem trancadas em casa por medo


Willian Novaes
Do Diário do Grande ABC

07/03/2010 | 07:00


A vida de duas irmãs de 67 e 70 anos que moram em Santo André mudou drasticamente em 2000. As confusões com vizinhos renderam inúmeras chamadas da Polícia Militar, audiências no Fórum e boletins de ocorrências nas delegacias da Mulher e agora na do Idoso.

As aposentadas - que pediram para não ter o nome divulgado por medo de represálias - evitam sair de casa e uma delas consegue dormir somente a base de calmantes. Têm medo de que bombas sejam jogadas no quintal e de chutes no portão da casa simples de mais de 50 anos. As idosas ficam sentadas no sofá da sala e a todo minuto olham pela janela da pequena sala.

Elas são o retrato da violência contra idosos no Grande ABC. Segundo as mulheres, parte dos vizinhos não testemunha a favor delas por medo. Os outros são os possíveis agressores.

O Diário conversou com as duas idosas e presenciou o pânico que sentem quando qualquer movimentação ocorre na frente da residência. As mãos começam a tremer e os olhos aflitos são direcionados imediatamente para a janela da sala.

"Ficamos presas em casa. Somos xingadas de tudo por esses jovens que a gente pegou no colo. E os pais não fazem nada. Alguém na minha idade não pode passar por isso. Qualquer hora vou morrer, mas não precisava ser assim", diz chorando a aposentada de 70 anos.

O último boletim de ocorrência foi registrado há duas semanas como maus-tratos e ofensas. "Esperamos que agora a polícia resolva a situação, se não for eles, não temos ninguém para nos defender. Cada uma recebe um salário mínimo e não temos condições de pagar um advogado", comenta a mais velha.

Segundo elas, as brigas e confusões acontecem porque elas reclamam do som alto e das festas que são realizadas na casa em frente. "Podem fazer festa quando quiserem, mas não podem jogar lata de cerveja no meu quintal e ainda me xingar", comenta a idosa de 67 anos.

Falta de políticas públicas contribui para a violência

O aumento das agressões a pessoas com mais de 60 anos é motivado por duas situações: a falta de políticas públicas das prefeituras e o aumento do envelhecimento da população, segundo Adilson Alves, professor e pesquisador da Fundação Santo André.

Levantamento realizado por Alves indica que a população de idosos no Grande ABC vai triplicar em 2040. "Precisamos criar saídas, caso isso não aconteça poderá complicar ainda as condições de vida dessas pessoas. É a faixa da população que mais cresce. Atualmente o idoso é considerado descarte", conta.

Entre as violências está a de falta de planejamento dos municípios com o transporte público adaptado, as filas que ainda continuam nos bancos, falta de serviço social exclusivo para eles e atendimento específico de saúde.

"Essa é uma violência que não aparece, mas que fere os sentimentos dessas pessoas", comenta Alves.

Sobre os Institutos de Longa Permanência (os antigos asilos), o pesquisador revela que muitas vezes a agressão ou maus-tratos podem ser cometidos dentro deles. "Há várias ocorrências em que o idoso perde a autonomia de indicar onde quer ir e o que quer fazer."

Delegacia de Sto.André registra maior número de queixas

A Delegacia do Idoso de Santo André foi a que mais registrou boletins de ocorrência em 2009 entre as especializadas neste tipo de atendimento na região. Foram 264 casos. A unidade conta com profissionais com muitos anos de experiência para tentar atender esse público de maneira diferenciada. "Buscamos deixar o idoso mais confortável. É também uma atividade mais social da polícia ", diz o delegado João Batista Lemos.

Segundo levantamento do policial, 90% dos agressores são de dentro de casa e a maioria das vítimas, mulheres. "O velho é indefeso e muitas vezes não tem o que fazer. Mas os nossos números de atendimentos têm aumentado. Isso mostra que a população está mais atenda e quando não é a própria vítima que vem dar queixa, os vizinhos também participam. Precisamos desse envolvimento", comenta Lemos.

Também existe o golpe do empréstimo consignado e familiares que sequestram o cartão para sacar a aposentadoria. "Temos registrado muitos casos deste tipo. No ano passado conseguimos prender uma estelionatária que aplicava golpes em idosas orientais. Uma maneira para evitar esses golpes é checar todos os meses o extrato bancário", aconselha Ydenir Machado, chefe dos escrivães. 



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Idosas vivem trancadas em casa por medo

Willian Novaes
Do Diário do Grande ABC

07/03/2010 | 07:00


A vida de duas irmãs de 67 e 70 anos que moram em Santo André mudou drasticamente em 2000. As confusões com vizinhos renderam inúmeras chamadas da Polícia Militar, audiências no Fórum e boletins de ocorrências nas delegacias da Mulher e agora na do Idoso.

As aposentadas - que pediram para não ter o nome divulgado por medo de represálias - evitam sair de casa e uma delas consegue dormir somente a base de calmantes. Têm medo de que bombas sejam jogadas no quintal e de chutes no portão da casa simples de mais de 50 anos. As idosas ficam sentadas no sofá da sala e a todo minuto olham pela janela da pequena sala.

Elas são o retrato da violência contra idosos no Grande ABC. Segundo as mulheres, parte dos vizinhos não testemunha a favor delas por medo. Os outros são os possíveis agressores.

O Diário conversou com as duas idosas e presenciou o pânico que sentem quando qualquer movimentação ocorre na frente da residência. As mãos começam a tremer e os olhos aflitos são direcionados imediatamente para a janela da sala.

"Ficamos presas em casa. Somos xingadas de tudo por esses jovens que a gente pegou no colo. E os pais não fazem nada. Alguém na minha idade não pode passar por isso. Qualquer hora vou morrer, mas não precisava ser assim", diz chorando a aposentada de 70 anos.

O último boletim de ocorrência foi registrado há duas semanas como maus-tratos e ofensas. "Esperamos que agora a polícia resolva a situação, se não for eles, não temos ninguém para nos defender. Cada uma recebe um salário mínimo e não temos condições de pagar um advogado", comenta a mais velha.

Segundo elas, as brigas e confusões acontecem porque elas reclamam do som alto e das festas que são realizadas na casa em frente. "Podem fazer festa quando quiserem, mas não podem jogar lata de cerveja no meu quintal e ainda me xingar", comenta a idosa de 67 anos.

Falta de políticas públicas contribui para a violência

O aumento das agressões a pessoas com mais de 60 anos é motivado por duas situações: a falta de políticas públicas das prefeituras e o aumento do envelhecimento da população, segundo Adilson Alves, professor e pesquisador da Fundação Santo André.

Levantamento realizado por Alves indica que a população de idosos no Grande ABC vai triplicar em 2040. "Precisamos criar saídas, caso isso não aconteça poderá complicar ainda as condições de vida dessas pessoas. É a faixa da população que mais cresce. Atualmente o idoso é considerado descarte", conta.

Entre as violências está a de falta de planejamento dos municípios com o transporte público adaptado, as filas que ainda continuam nos bancos, falta de serviço social exclusivo para eles e atendimento específico de saúde.

"Essa é uma violência que não aparece, mas que fere os sentimentos dessas pessoas", comenta Alves.

Sobre os Institutos de Longa Permanência (os antigos asilos), o pesquisador revela que muitas vezes a agressão ou maus-tratos podem ser cometidos dentro deles. "Há várias ocorrências em que o idoso perde a autonomia de indicar onde quer ir e o que quer fazer."

Delegacia de Sto.André registra maior número de queixas

A Delegacia do Idoso de Santo André foi a que mais registrou boletins de ocorrência em 2009 entre as especializadas neste tipo de atendimento na região. Foram 264 casos. A unidade conta com profissionais com muitos anos de experiência para tentar atender esse público de maneira diferenciada. "Buscamos deixar o idoso mais confortável. É também uma atividade mais social da polícia ", diz o delegado João Batista Lemos.

Segundo levantamento do policial, 90% dos agressores são de dentro de casa e a maioria das vítimas, mulheres. "O velho é indefeso e muitas vezes não tem o que fazer. Mas os nossos números de atendimentos têm aumentado. Isso mostra que a população está mais atenda e quando não é a própria vítima que vem dar queixa, os vizinhos também participam. Precisamos desse envolvimento", comenta Lemos.

Também existe o golpe do empréstimo consignado e familiares que sequestram o cartão para sacar a aposentadoria. "Temos registrado muitos casos deste tipo. No ano passado conseguimos prender uma estelionatária que aplicava golpes em idosas orientais. Uma maneira para evitar esses golpes é checar todos os meses o extrato bancário", aconselha Ydenir Machado, chefe dos escrivães. 

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