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Moradores do Macuco colocam
segurança nas mãos de Deus

Área onde cinco pessoas morreram no início do ano após
deslizamento de terra ainda está ocupada e oferece riscos


Maíra Sanches
Do Diário do Grande ABC

29/12/2011 | 07:00


O morro do Macuco, na região do Jardim Zaíra, em Mauá, nunca mais foi o mesmo depois do último verão, quando cinco pessoas morreram vítimas de desabamento de terra. Famílias prejudicadas permanecem em áreas de risco e não acreditam nas propostas oferecidas pela administração municipal.

A equipe do Diário esteve ontem no local e constatou que pouco foi feito para evitar novas tragédias. Centenas de barracos ainda se espremem nas alturas e ameaçam outros situados na parte de baixo. De acordo com moradores, o que dificulta a remoção de famílias da área é a falta de confiança na Prefeitura, que oferece auxílio-aluguel de R$ 300 - mas, segundo a maioria, não arca com o pagamento regular das mensalidades.

"Tem muita gente tirando do próprio bolso para bancar. Eles pagam alguns meses, param e voltam. Voltei à minha casa antes que demolissem", disse o auxiliar de produção Edvaldo Santos, 32 anos. Ele morou entre fevereiro e março fora da área de risco com ajuda do poder municipal, mas retornou à antiga casa quando o pagamento foi interrompido. "Agora contamos com Deus para nos guardar."

Enquanto os temporais de janeiro castigavam famílias e causavam mortes, Neide da Silva, 54, servia refeições e reunia doações de mantimentos, roupas e fraldas. Onze meses depois, ainda sonha em deixar o local para livrar-se dos desabamentos. "Queria sair de uma vez, mas não para pagar aluguel. Não adianta fazer acordo com a Prefeitura e não receber (o dinheiro). Vivo em risco, mas não tenho para onde ir", lamenta. A dona de casa viu cerca de 30 famílias deixarem o Macuco durante o ano.

Segundo moradores, o baixo valor do auxílio-aluguel também emperra a mudança. Com medo de ter prejuízos, proprietários têm deixado de aceitar inquilinos subsidiados pela Prefeitura.

ALÍVIO

Por volta das 15h o catador de ferro-velho Ermenegildo Pereira Amaral, 65, deixava sua casa no morro - depois de oito anos - na companhia da mulher. Ele está entre a minoria que saiu das áreas consideradas de risco e conseguiu alugar outro imóvel poucos metros longe do perigo. Sua antiga casa estava rachada e interditada pela Defesa Civil desde o início do ano. "Já perdi colchão, roupa e comida com tantas enchentes. Não vou esperar perder tudo para depois mudar daqui", disse.

Em janeiro, aproximadamente 1.200 pessoas foram prejudicadas pelas chuvas. Cerca de 200 demolições foram realizadas pela Prefeitura para conter novas ocupações. O loteamento Chafik, que abriga o morro do Macuco, é ocupação irregular com cerca de um quilômetro quadrado.



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Moradores do Macuco colocam
segurança nas mãos de Deus

Área onde cinco pessoas morreram no início do ano após
deslizamento de terra ainda está ocupada e oferece riscos

Maíra Sanches
Do Diário do Grande ABC

29/12/2011 | 07:00


O morro do Macuco, na região do Jardim Zaíra, em Mauá, nunca mais foi o mesmo depois do último verão, quando cinco pessoas morreram vítimas de desabamento de terra. Famílias prejudicadas permanecem em áreas de risco e não acreditam nas propostas oferecidas pela administração municipal.

A equipe do Diário esteve ontem no local e constatou que pouco foi feito para evitar novas tragédias. Centenas de barracos ainda se espremem nas alturas e ameaçam outros situados na parte de baixo. De acordo com moradores, o que dificulta a remoção de famílias da área é a falta de confiança na Prefeitura, que oferece auxílio-aluguel de R$ 300 - mas, segundo a maioria, não arca com o pagamento regular das mensalidades.

"Tem muita gente tirando do próprio bolso para bancar. Eles pagam alguns meses, param e voltam. Voltei à minha casa antes que demolissem", disse o auxiliar de produção Edvaldo Santos, 32 anos. Ele morou entre fevereiro e março fora da área de risco com ajuda do poder municipal, mas retornou à antiga casa quando o pagamento foi interrompido. "Agora contamos com Deus para nos guardar."

Enquanto os temporais de janeiro castigavam famílias e causavam mortes, Neide da Silva, 54, servia refeições e reunia doações de mantimentos, roupas e fraldas. Onze meses depois, ainda sonha em deixar o local para livrar-se dos desabamentos. "Queria sair de uma vez, mas não para pagar aluguel. Não adianta fazer acordo com a Prefeitura e não receber (o dinheiro). Vivo em risco, mas não tenho para onde ir", lamenta. A dona de casa viu cerca de 30 famílias deixarem o Macuco durante o ano.

Segundo moradores, o baixo valor do auxílio-aluguel também emperra a mudança. Com medo de ter prejuízos, proprietários têm deixado de aceitar inquilinos subsidiados pela Prefeitura.

ALÍVIO

Por volta das 15h o catador de ferro-velho Ermenegildo Pereira Amaral, 65, deixava sua casa no morro - depois de oito anos - na companhia da mulher. Ele está entre a minoria que saiu das áreas consideradas de risco e conseguiu alugar outro imóvel poucos metros longe do perigo. Sua antiga casa estava rachada e interditada pela Defesa Civil desde o início do ano. "Já perdi colchão, roupa e comida com tantas enchentes. Não vou esperar perder tudo para depois mudar daqui", disse.

Em janeiro, aproximadamente 1.200 pessoas foram prejudicadas pelas chuvas. Cerca de 200 demolições foram realizadas pela Prefeitura para conter novas ocupações. O loteamento Chafik, que abriga o morro do Macuco, é ocupação irregular com cerca de um quilômetro quadrado.

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