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Região é reprovada
no índice da Educação

Resultado do Idesp mostra que desempenho das escolas
estaduais do Grande ABC está piorando desde 2009


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

09/04/2012 | 07:00


Piorou a qualidade de ensino nas escolas estaduais do Grande ABC. É o que revela o resultado do Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo), divulgado pela Secretaria da Educação do Estado.

O indicador atribui conceito de zero a 10 às unidades de ensino, e se baseia em critérios como as notas obtidas pelos alunos no Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar) - que mede conhecimentos em Português e Matemática - e aspectos como frequência e evasão.

 

As médias dos sete municípios vêm caindo desde 2009. As maiores variações no período de três anos foram as do no Ensino Fundamental de Santo André, com queda de 15,5%, e no Ensino Médio de São Bernardo - baixa de 16,6%. Algumas cidades registraram discreta melhora entre 2010 e 2011, mas, ainda assim, a maioria está abaixo da média estadual.

 

No Estado, as escolas de 9º ano do Ensino Fundamental tiveram leve melhora no ano passado em relação a 2010. As notas médias passaram de 2,52 para 2,57. Na região, apenas três cidades, São Bernardo, São Caetano e Ribeirão Pires, superaram esses índices.

 

No Ensino Médio, houve recuo da média estadual, de 1,81 para 1,78. Mais uma vez, três municípios obtiveram resultados melhores: Santo André, São Caetano e Ribeirão Pires.

 

Divulgado desde 2007, além de servir como termômetro da Educação e nortear políticas que possam alavancar o desempenho, o Idesp também estabelece metas para cada escola, em cada ano, até 2030. A ideia é que, de maneira gradativa, as unidades formem alunos cada vez mais preparados. Na pratica, não é o que acontece.

 

Em média, 70% das escolas do Grande ABC registraram desempenho abaixo da meta traçada pela avaliação para 2011. Para especialistas, os números refletem os problemas como desvalorização dos professores, falta de investimento em capacitação e infraestrutura inadequada.

 

Na região, foram avaliadas 236 escolas no ensino Fundamental e 214 no Médio. No primeiro grupo, 69% das unidades não alcançaram a meta traçada para 2011; no segundo, 72%.


JUSTIFICATIVA - Questionado sobre a piora da qualidade da Educação, o Estado diz que não houve tempo hábil para fazer análise completa dos dados. A equipe do Diário obteve os dados no site oficial da Secretaria de Educação.

 

Em nota, o Estado apontou ainda que "o avanço dos dados globais do Idesp mostra que a Educação está no caminho da melhoria da qualidade, visto que o ciclo 2 do Ensino Fundamental já começa a refletir a tendência dos resultados positivos."

 

Para o professor livre-docente do Departamento de Educação da Unip (Universidade Estadual Paulista), Carlos da Fonseca Brandão, os números apresentados pelo Idesp não revelam novidade, tendo em vista os problemas observados na rede ao longo dos anos. A desvalorização do professor, com baixo salário, e o não cumprimento da lei que determina um terço da jornada para planejamento de aulas, por exemplo, reflete na má qualidade do ensino.

 

Na visão da especialista em Educação da UFABC (Universidade Federal do ABC) Maisa Helena Altarugio, a gestão escolar também tem influência sobre o resultado. "Percebo que em escolas onde professores e funcionários são comprometidos com o trabalho há reflexo na motivação dos profissionais e na qualidade do ensino", diz.

 

Santo André tem a 2ª pior escola do Estado

 

Considerado bairro nobre de Santo André, o Campestre abriga a segunda pior escola do Estado, segundo o Idesp. A EE Marechal Juarez Távora obteve índice 0,38 na avaliação do terceiro ano do Ensino Médio e ficou à frente apenas da EE Vereador José Barbosa de Araujo, de Itaquaquecetuba, cujo ensino médio obteve índice 0,33 no ranking.

 

Para os alunos, a nota não causa espanto. Eles apontam o desinteresse dos estudantes, somado à falta de apoio da diretoria, como justificativas para o péssimo resultado. "É uma vergonha, mas a gente já esperava", comenta a uma aluna de 17 anos.

 

Além da bagunça em sala de aula e a depredação do espaço, a infraestrutura também deixa a desejar. "A gente não pode usar teatro, data show", completa a estudante. Os alunos ouvidos pela equipe do Diário elogiaram a atuação os professores. Docentes e integrantes da diretoria da escola não quiseram comentar o Idesp.

 

A pior escola do Ensino Fundamental também está em Santo André. A EE Engenheiro Prefeito Celso Augusto Daniel alcançou nota 0,98 no Idesp.

 

MELHOR - A melhor escola da região no Ensino Médio está em São Caetano: EE Professora Maria da Conceição Moura Branco, com índice 3,42. No Fundamental, a melhor foi a Professora Neusa Figueiredo Marçal, de São Bernardo (nota 4,6).

 

No Estado, a primeira do ranking do Ensino Médio é a Doutor Samuel de Castro Neves, de Piracicaba, que obteve índice 5,98. Já no Fundamental, a melhor colocada foi a escola Doutor Francisco de Paula Abreu Sodré, de Ubirajara, com nota 6,27.



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Região é reprovada
no índice da Educação

Resultado do Idesp mostra que desempenho das escolas
estaduais do Grande ABC está piorando desde 2009

Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

09/04/2012 | 07:00


Piorou a qualidade de ensino nas escolas estaduais do Grande ABC. É o que revela o resultado do Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo), divulgado pela Secretaria da Educação do Estado.

O indicador atribui conceito de zero a 10 às unidades de ensino, e se baseia em critérios como as notas obtidas pelos alunos no Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar) - que mede conhecimentos em Português e Matemática - e aspectos como frequência e evasão.

 

As médias dos sete municípios vêm caindo desde 2009. As maiores variações no período de três anos foram as do no Ensino Fundamental de Santo André, com queda de 15,5%, e no Ensino Médio de São Bernardo - baixa de 16,6%. Algumas cidades registraram discreta melhora entre 2010 e 2011, mas, ainda assim, a maioria está abaixo da média estadual.

 

No Estado, as escolas de 9º ano do Ensino Fundamental tiveram leve melhora no ano passado em relação a 2010. As notas médias passaram de 2,52 para 2,57. Na região, apenas três cidades, São Bernardo, São Caetano e Ribeirão Pires, superaram esses índices.

 

No Ensino Médio, houve recuo da média estadual, de 1,81 para 1,78. Mais uma vez, três municípios obtiveram resultados melhores: Santo André, São Caetano e Ribeirão Pires.

 

Divulgado desde 2007, além de servir como termômetro da Educação e nortear políticas que possam alavancar o desempenho, o Idesp também estabelece metas para cada escola, em cada ano, até 2030. A ideia é que, de maneira gradativa, as unidades formem alunos cada vez mais preparados. Na pratica, não é o que acontece.

 

Em média, 70% das escolas do Grande ABC registraram desempenho abaixo da meta traçada pela avaliação para 2011. Para especialistas, os números refletem os problemas como desvalorização dos professores, falta de investimento em capacitação e infraestrutura inadequada.

 

Na região, foram avaliadas 236 escolas no ensino Fundamental e 214 no Médio. No primeiro grupo, 69% das unidades não alcançaram a meta traçada para 2011; no segundo, 72%.


JUSTIFICATIVA - Questionado sobre a piora da qualidade da Educação, o Estado diz que não houve tempo hábil para fazer análise completa dos dados. A equipe do Diário obteve os dados no site oficial da Secretaria de Educação.

 

Em nota, o Estado apontou ainda que "o avanço dos dados globais do Idesp mostra que a Educação está no caminho da melhoria da qualidade, visto que o ciclo 2 do Ensino Fundamental já começa a refletir a tendência dos resultados positivos."

 

Para o professor livre-docente do Departamento de Educação da Unip (Universidade Estadual Paulista), Carlos da Fonseca Brandão, os números apresentados pelo Idesp não revelam novidade, tendo em vista os problemas observados na rede ao longo dos anos. A desvalorização do professor, com baixo salário, e o não cumprimento da lei que determina um terço da jornada para planejamento de aulas, por exemplo, reflete na má qualidade do ensino.

 

Na visão da especialista em Educação da UFABC (Universidade Federal do ABC) Maisa Helena Altarugio, a gestão escolar também tem influência sobre o resultado. "Percebo que em escolas onde professores e funcionários são comprometidos com o trabalho há reflexo na motivação dos profissionais e na qualidade do ensino", diz.

 

Santo André tem a 2ª pior escola do Estado

 

Considerado bairro nobre de Santo André, o Campestre abriga a segunda pior escola do Estado, segundo o Idesp. A EE Marechal Juarez Távora obteve índice 0,38 na avaliação do terceiro ano do Ensino Médio e ficou à frente apenas da EE Vereador José Barbosa de Araujo, de Itaquaquecetuba, cujo ensino médio obteve índice 0,33 no ranking.

 

Para os alunos, a nota não causa espanto. Eles apontam o desinteresse dos estudantes, somado à falta de apoio da diretoria, como justificativas para o péssimo resultado. "É uma vergonha, mas a gente já esperava", comenta a uma aluna de 17 anos.

 

Além da bagunça em sala de aula e a depredação do espaço, a infraestrutura também deixa a desejar. "A gente não pode usar teatro, data show", completa a estudante. Os alunos ouvidos pela equipe do Diário elogiaram a atuação os professores. Docentes e integrantes da diretoria da escola não quiseram comentar o Idesp.

 

A pior escola do Ensino Fundamental também está em Santo André. A EE Engenheiro Prefeito Celso Augusto Daniel alcançou nota 0,98 no Idesp.

 

MELHOR - A melhor escola da região no Ensino Médio está em São Caetano: EE Professora Maria da Conceição Moura Branco, com índice 3,42. No Fundamental, a melhor foi a Professora Neusa Figueiredo Marçal, de São Bernardo (nota 4,6).

 

No Estado, a primeira do ranking do Ensino Médio é a Doutor Samuel de Castro Neves, de Piracicaba, que obteve índice 5,98. Já no Fundamental, a melhor colocada foi a escola Doutor Francisco de Paula Abreu Sodré, de Ubirajara, com nota 6,27.

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