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Na ponta do lápis


Anderson Fattori
Do Diário do Grande ABC

09/06/2016 | 07:00


O torcedor do Santo André recebeu banho de água fria ao saber que o clube desistiu da Copa Paulista, que começa dia 2. Depois do acesso e do título da Série A-2, a expectativa era a de que o Ramalhão buscasse vaga na Série D do Brasileiro, direito assegurado ao campeão do torneio. Mas a diretoria fez as contas e decidiu não jogar por entender que seria inviável financeiramente.

Vamos aos fatos. A Copa Paulista não paga nenhum tipo de cota aos clubes. Para entrar na competição, o Santo André teria de contratar ao menos 17 jogadores para se juntar aos 11 garotos que estiveram na Série A-2 e mantêm contratos longos com o clube, casos dos laterais Jean e Paulo, do zagueiro Héliton, dos volantes Dudu Vieira, Wellington e Murilo Paccola, dos meias Guilherme Garré, Lucas Gomes e Lucas Pires, além dos atacantes Anderson Ligeiro e Vinícius Cabelo.

Não sei o salário de cada um, mas tendo como base que são promessas e os vencimentos têm de ser proporcional ao valor da multa rescisória, creio que a média seja R$ 5.000. Além deles, precisaria contratar mais 17 atletas, com salário também em torno de R$ 5.000. Desta forma, mensalmente teriam de ser desembolsados R$ 140 mil. Acrescente na conta comissão técnica, diretores e funcionários de retaguarda (cozinheiros, motoristas, administrativo...). Enfim, o custo mensal para manter um time, por mais básico que possa ser, passaria facilmente dos R$ 150 mil, isso apenas em salários, sem contar alimentação, moradia, isotônicos, despesas médicas, ou seja, uma série de outros custos inevitáveis no futebol profissional.

Como a previsão é a de que a Copa Paulista termine em novembro, é preciso projetar gastos por seis meses, sendo um de preparação e cinco de competição, ou seja, R$ 900 mil. Fora isso, ainda tem os custos das viagens e hospedagens, em torno de R$ 10 mil por partida como visitante. Resumindo: é preciso orçamento superior a R$ 1 milhão para ir até a final da Copa Paulista.

As receitas do Ramalhão se resumem ao patrocínio da camisa e bilheteria, que certamente não cobrem 30% deste valor.

Muitos sugerem usar o time sub-20 na competição. De fato, a folha salarial seria um pouco menor, mas a competitividade também. Além disso, o clube teria de abrir mão do Paulista da categoria, pulando etapa importante na formação do atleta.

Fora isso, o Santo André não poderia usar o Bruno Daniel, já que o estádio foi cedido pela Prefeitura ao COB (Comitê Olímpico do Brasil) para ser centro de treinamento das seleções de futebol que jogarão na Arena Corinthians, em São Paulo, na Olimpíada.

Diante de tudo isso, caros leitores, me parece que a decisão da diretoria, por mais dolorida que seja, foi acertada. Qualquer gestor responsável tomaria a mesma atitude.

Sem jogos, o clube emprestou Guilherme Garré ao São Bento e o mesmo deve ocorrer com os outros atletas que mantêm contrato com o Ramalhão. A diretoria promete usar o tempo para planejar o elenco para o Paulistão, conseguir patrocinadores e intensificar o trabalho no marketing com a venda de carnê para sócio-torcedor, entre outras ações. Agora é esperar e cobrar. 



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