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Entidade ouve testemunhas de chacina


Gabriel Batista
Do Diário do Grande ABC

19/02/2006 | 07:57


O coordenador estadual do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, o advogado Ariel de Castro Alves, vai formar uma comissão especial para fazer uma visita à favela do Jardim Kennedy, em Mauá, que ocorrerá entre esta semana e a outra, para ouvir testemunhas, moradores e parentes de vítimas das chacinas dos dias 23 de julho de 2005 e 9 de janeiro deste ano, nas quais policiais militares são acusados de autoria e envolvimento.

Castro Alves quer colher mais informações e evidências sobre os episódios. Na visita à favela do Jardim Kennedy, segundo ele, estarão presentes integrantes do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana, membros da Comissão dos Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e outras entidades.

"Vamos ouvir pessoas que ainda não tiveram coragem de se manifestar. Queremos que esses moradores possam fazer denúncias", disse o advogado, que não confia no inquérito aberto na quinta-feira passada pela Polícia Militar para apurar os casos. Nesse mesmo dia, quatro policiais militares sob suspeita foram afastados das atividades operacionais após serem reconhecidos por uma testemunha encontrada pela Polícia Civil.

"Não vejo com muito otimismo os futuros resultados desse inquérito", diz Castro Alves. Ele também vai acompanhar os dois inquéritos - da Polícia Civil e da Militar - por meio da Ouvidoria da Polícia.

Para Castro Alves, o coronel Renato Aldarvis, comandante da PM no Grande ABC, assumiu uma postura corporativista no início das denúncias. "Essa atitude é inaceitável. Ele colocou os policiais militares acima de qualquer suspeita. Por isso, o coronel do ABC não tem mais legitimidade e imparcialidade para chefiar as investigações. Defendo um inquérito designado à Corregedoria da PM em São Paulo." O advogado pretende levar o caso ao conhecimento da Secretaria Especial de Direitos Humanos, do governo federal.

A denúncia de execução cometida por policiais militares surgiu no domingo passado, em reportagem do Diário na qual uma testemunha presencial da chacina de 9 de janeiro acusou PMs da Força Tática do 30º Batalhão de Mauá. Durante a semana, a Polícia Civil, que tinha um inquérito aberto sobre as chacinas do Jardim Kennedy, deu outra andamento ao caso. Testemunhas comprovaram a versão veiculada na reportagem. O Ministério Público passou a acompanhar o caso.

Em princípio, o coronel Aldarvis, chefe da PM na região, disse que havia feito uma apuração sem indícios que levantassem suspeitas contra os policiais militares. Na quinta-feira, porém, ele acompanhou o reconhecimento dos acusados feito por uma das testemunhas e abriu inquérito na PM para apurar os fatos.

"Tomamos conhecimento ontem (quinta-feira) de que havia testemunhas. Até então, havíamos feito uma apuração preliminar, na qual não conseguimos informações importantes na favela. Agora, chegamos à conclusão de que há elementos para abrir uma inquérito", disse Aldarvis ao Diário na última sexta-feira. Os policiais militares suspeitos, no entanto, não estão presos. Eles estão passando os dias na sede do 30º Batalhão com o pessoal do expediente, à disposição das investigações. À noite, podem ir para suas casas.



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Entidade ouve testemunhas de chacina

Gabriel Batista
Do Diário do Grande ABC

19/02/2006 | 07:57


O coordenador estadual do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, o advogado Ariel de Castro Alves, vai formar uma comissão especial para fazer uma visita à favela do Jardim Kennedy, em Mauá, que ocorrerá entre esta semana e a outra, para ouvir testemunhas, moradores e parentes de vítimas das chacinas dos dias 23 de julho de 2005 e 9 de janeiro deste ano, nas quais policiais militares são acusados de autoria e envolvimento.

Castro Alves quer colher mais informações e evidências sobre os episódios. Na visita à favela do Jardim Kennedy, segundo ele, estarão presentes integrantes do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana, membros da Comissão dos Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e outras entidades.

"Vamos ouvir pessoas que ainda não tiveram coragem de se manifestar. Queremos que esses moradores possam fazer denúncias", disse o advogado, que não confia no inquérito aberto na quinta-feira passada pela Polícia Militar para apurar os casos. Nesse mesmo dia, quatro policiais militares sob suspeita foram afastados das atividades operacionais após serem reconhecidos por uma testemunha encontrada pela Polícia Civil.

"Não vejo com muito otimismo os futuros resultados desse inquérito", diz Castro Alves. Ele também vai acompanhar os dois inquéritos - da Polícia Civil e da Militar - por meio da Ouvidoria da Polícia.

Para Castro Alves, o coronel Renato Aldarvis, comandante da PM no Grande ABC, assumiu uma postura corporativista no início das denúncias. "Essa atitude é inaceitável. Ele colocou os policiais militares acima de qualquer suspeita. Por isso, o coronel do ABC não tem mais legitimidade e imparcialidade para chefiar as investigações. Defendo um inquérito designado à Corregedoria da PM em São Paulo." O advogado pretende levar o caso ao conhecimento da Secretaria Especial de Direitos Humanos, do governo federal.

A denúncia de execução cometida por policiais militares surgiu no domingo passado, em reportagem do Diário na qual uma testemunha presencial da chacina de 9 de janeiro acusou PMs da Força Tática do 30º Batalhão de Mauá. Durante a semana, a Polícia Civil, que tinha um inquérito aberto sobre as chacinas do Jardim Kennedy, deu outra andamento ao caso. Testemunhas comprovaram a versão veiculada na reportagem. O Ministério Público passou a acompanhar o caso.

Em princípio, o coronel Aldarvis, chefe da PM na região, disse que havia feito uma apuração sem indícios que levantassem suspeitas contra os policiais militares. Na quinta-feira, porém, ele acompanhou o reconhecimento dos acusados feito por uma das testemunhas e abriu inquérito na PM para apurar os fatos.

"Tomamos conhecimento ontem (quinta-feira) de que havia testemunhas. Até então, havíamos feito uma apuração preliminar, na qual não conseguimos informações importantes na favela. Agora, chegamos à conclusão de que há elementos para abrir uma inquérito", disse Aldarvis ao Diário na última sexta-feira. Os policiais militares suspeitos, no entanto, não estão presos. Eles estão passando os dias na sede do 30º Batalhão com o pessoal do expediente, à disposição das investigações. À noite, podem ir para suas casas.

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