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Esboço da UFABC escolhe tecnologia de ponta, mas exclui indústria local


Andrea Catão
Do Diário do Grande ABC

22/05/2005 | 09:30


A futura UFABC (Universidade Federal do Grande ABC) dará prioridade a cursos e ao desenvolvimento de pesquisas com aplicação em alta tecnologia. A instituição pública de ensino superior, portanto, não estará atrelada ao setor produtivo da região. A garantia é do MEC (Ministério da Educação), que espera que a instituição possa atuar em áreas estratégicas para o governo, como biotecnologia, engenharia ambiental e o desenvolvimento de novas matrizes energéticas, dentre elas a nuclear. Impulsionar o desenvolvimento econômico do país é a grande aposta do governo federal a longo prazo. O governo pretende induzir as instituições de ensino superior, a começar pelas federais, a investir pesado no setor.

É comum representantes do MEC, que divulgam pelos quatro cantos do país a reforma universitária, afirmarem que o Brasil jamais teve um Prêmio Nobel e que essa realidade precisa e deve ser alterada. A segunda versão do anteprojeto da reforma deve ser conhecida no dia 30 deste mês e, posteriormente, será encaminhado ao Congresso Nacional para votação. Já o projeto de criação da UFABC foi aprovado pela Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado.

O MEC espera que a criação da UFABC, de outras universidades e a extensão de campus federais venham não só ampliar a oferta por vagas públicas no ensino superior (hoje em 30%), mas promover o crescimento do número de profissionais capacitados a trabalhar com tecnologia, considerado baixo pelo governo. O último censo educacional do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), realizado em 2003, indica que do total de vagas em cursos superiores oferecidos no Brasil, apenas 6% são para áreas de tecnologia, como as Engenharias. Com a criação de novas universidades, é possível aumentar esse percentual de participação no ramo.

A baixa oferta de vagas em cursos de Engenharia e de outras profissões tecnológicas tem relação direta com o alto custo de manutenção para as universidades, de acordo com o diretor do Departamento de Desenvolvimento e Articulação Institucional do MEC, André Lázaro. “Enquanto os cursos de tecnologia representam 6% das vagas, para os cursos de Direito e Administração a participação é de 27,6%. Essa oferta por cursos de humanas está concentrada nas instituições privadas, pois não é preciso investimento em complexos laboratórios, por exemplo. Daí a necessidade de o MEC dar incentivo aos cursos tecnológicos”, afirma.

A UFABC, porém, não terá cursos tradicionais de Engenharia, como Civil, Mecânica ou Química. O MEC entende que a região já tem acúmulo nessas áreas como o trabalho desenvolvido pelo Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano, e a UniFEI, em São Bernardo. A nova instituição pública vai desenvolver alta tecnologia em áreas estratégicas para o país. A universidade não deve se adaptar ao setor produtivo regional, como era esperado no ano passado, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a criação de uma instituição federal no Grande ABC.

“Não existe razão para o MEC instalar uma universidade com vocação limitada, que vai atender somente aos interesses da região. A UFABC vai formar profissionais para atuar em qualquer região do país, daí a necessidade de investir em alta tecnologia”, afirma Cleuza Repulho, secretária de Educação de Santo André e membro da comissão nomeada pelo MEC para formatar a UFABC.

O engenheiro e professor Luiz Bevilacqua, que preside o grupo, diz que uma das áreas a ter cursos será a energética. O carro-chefe deve ser o desenvolvimento de pesquisas em energia nuclear. Ele diz que é flagrante o interesse do governo em desenvolver tecnologia para a produção de energia a partir de outras matrizes. “O governo tem mostrado claramente que vai retomar o programa nuclear brasileiro. A maior parte da energia produzida no país é por hidrelétricas, mas é preciso explorar fontes limpas de energia, o que demanda o desenvolvimento de tecnologia para isso.”

O diretor da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC e prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior, foi procurado pela reportagem desde quarta-feira, mas não deu retorno.

Mágica – André Lázaro, do Departamento de Desenvolvimento e Articulação Institucional do MEC, diz que é preciso oferecer instrumentos que permitam às universidades atender a demanda estratégica do governo, embora admita que não exista solução mágica para isso. “Só podemos fazer esse tipo de orientação às universidades públicas, mas sem passar por cima da autonomia da instituição. O governo, não apenas o MEC, terá papel indutivo. E a política indutiva é fazer acordos com estatais, com o Ministério das Minas e Energia e com o Ministério da Ciência e Tecnologia. À medida que é anunciado o investimento a determinado setor, sinalizamos que haverá mercado que não será sazonal, mas permanente. Temos de mostrar que investir em determinado setor é interesse estratégico para o país.”

Portanto, com a reforma universitária, o governo pretende investir pesado na produção tecnológica e fazer com que o ensino superior esteja atrelado a essa política. “O Brasil é um país forte em capacidade de produção científica, mas tem baixa produção tecnológica. Por isso, há necessidade em inovar com a educação superior. Não é o mercado atual que vai ditar o que deve ser investido na educação. É o governo que vai ditar as novas tecnologias”, afirma André Lázaro.



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Esboço da UFABC escolhe tecnologia de ponta, mas exclui indústria local

Andrea Catão
Do Diário do Grande ABC

22/05/2005 | 09:30


A futura UFABC (Universidade Federal do Grande ABC) dará prioridade a cursos e ao desenvolvimento de pesquisas com aplicação em alta tecnologia. A instituição pública de ensino superior, portanto, não estará atrelada ao setor produtivo da região. A garantia é do MEC (Ministério da Educação), que espera que a instituição possa atuar em áreas estratégicas para o governo, como biotecnologia, engenharia ambiental e o desenvolvimento de novas matrizes energéticas, dentre elas a nuclear. Impulsionar o desenvolvimento econômico do país é a grande aposta do governo federal a longo prazo. O governo pretende induzir as instituições de ensino superior, a começar pelas federais, a investir pesado no setor.

É comum representantes do MEC, que divulgam pelos quatro cantos do país a reforma universitária, afirmarem que o Brasil jamais teve um Prêmio Nobel e que essa realidade precisa e deve ser alterada. A segunda versão do anteprojeto da reforma deve ser conhecida no dia 30 deste mês e, posteriormente, será encaminhado ao Congresso Nacional para votação. Já o projeto de criação da UFABC foi aprovado pela Câmara dos Deputados e aguarda votação no Senado.

O MEC espera que a criação da UFABC, de outras universidades e a extensão de campus federais venham não só ampliar a oferta por vagas públicas no ensino superior (hoje em 30%), mas promover o crescimento do número de profissionais capacitados a trabalhar com tecnologia, considerado baixo pelo governo. O último censo educacional do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), realizado em 2003, indica que do total de vagas em cursos superiores oferecidos no Brasil, apenas 6% são para áreas de tecnologia, como as Engenharias. Com a criação de novas universidades, é possível aumentar esse percentual de participação no ramo.

A baixa oferta de vagas em cursos de Engenharia e de outras profissões tecnológicas tem relação direta com o alto custo de manutenção para as universidades, de acordo com o diretor do Departamento de Desenvolvimento e Articulação Institucional do MEC, André Lázaro. “Enquanto os cursos de tecnologia representam 6% das vagas, para os cursos de Direito e Administração a participação é de 27,6%. Essa oferta por cursos de humanas está concentrada nas instituições privadas, pois não é preciso investimento em complexos laboratórios, por exemplo. Daí a necessidade de o MEC dar incentivo aos cursos tecnológicos”, afirma.

A UFABC, porém, não terá cursos tradicionais de Engenharia, como Civil, Mecânica ou Química. O MEC entende que a região já tem acúmulo nessas áreas como o trabalho desenvolvido pelo Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano, e a UniFEI, em São Bernardo. A nova instituição pública vai desenvolver alta tecnologia em áreas estratégicas para o país. A universidade não deve se adaptar ao setor produtivo regional, como era esperado no ano passado, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a criação de uma instituição federal no Grande ABC.

“Não existe razão para o MEC instalar uma universidade com vocação limitada, que vai atender somente aos interesses da região. A UFABC vai formar profissionais para atuar em qualquer região do país, daí a necessidade de investir em alta tecnologia”, afirma Cleuza Repulho, secretária de Educação de Santo André e membro da comissão nomeada pelo MEC para formatar a UFABC.

O engenheiro e professor Luiz Bevilacqua, que preside o grupo, diz que uma das áreas a ter cursos será a energética. O carro-chefe deve ser o desenvolvimento de pesquisas em energia nuclear. Ele diz que é flagrante o interesse do governo em desenvolver tecnologia para a produção de energia a partir de outras matrizes. “O governo tem mostrado claramente que vai retomar o programa nuclear brasileiro. A maior parte da energia produzida no país é por hidrelétricas, mas é preciso explorar fontes limpas de energia, o que demanda o desenvolvimento de tecnologia para isso.”

O diretor da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC e prefeito de São Caetano, José Auricchio Júnior, foi procurado pela reportagem desde quarta-feira, mas não deu retorno.

Mágica – André Lázaro, do Departamento de Desenvolvimento e Articulação Institucional do MEC, diz que é preciso oferecer instrumentos que permitam às universidades atender a demanda estratégica do governo, embora admita que não exista solução mágica para isso. “Só podemos fazer esse tipo de orientação às universidades públicas, mas sem passar por cima da autonomia da instituição. O governo, não apenas o MEC, terá papel indutivo. E a política indutiva é fazer acordos com estatais, com o Ministério das Minas e Energia e com o Ministério da Ciência e Tecnologia. À medida que é anunciado o investimento a determinado setor, sinalizamos que haverá mercado que não será sazonal, mas permanente. Temos de mostrar que investir em determinado setor é interesse estratégico para o país.”

Portanto, com a reforma universitária, o governo pretende investir pesado na produção tecnológica e fazer com que o ensino superior esteja atrelado a essa política. “O Brasil é um país forte em capacidade de produção científica, mas tem baixa produção tecnológica. Por isso, há necessidade em inovar com a educação superior. Não é o mercado atual que vai ditar o que deve ser investido na educação. É o governo que vai ditar as novas tecnologias”, afirma André Lázaro.

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