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Feras à solta em Santo André


Gislaine Gutierre
Do Diário do Grande ABC

25/04/2005 | 14:05


A partir de terça-feira, Santo André será invadida por feras. São “monstros sagrados” que atendem por nomes como Hermeto Pascoal, Zimbo Trio, Bocato, Nelson Ayres, Arthur Maia e François de Lima e que participam da 2ª Mostra de Música Instrumental Brasileira de Santo André. Ao todo são 14 atrações, com shows realizados até domingo em quatro locais diferentes, com entrada franca.

A atração inaugural é simplesmente imperdível: Hermeto Pascoal e banda, composta por Itiberê Zwarg (baixo), André Marques (piano), Vinícius Dorin (sax, flauta e flautim), Márcio Bahia (bateria e percussão) e Fábio Pascoal (percussão). O Bruxo aporta na cidade pronto para mostrar sua música carregada de improvisos e de arranjos inusitados, muitas vezes executada com o uso de objetos não-convencionais, como chaleira.

Outro veterano da música instrumental na programação é o maestro, pianista e compositor Nelson Ayres. Ele vem com seu trio, formado por Rogério Botter Maio (baixo) e Bob Wyatt (bateria) e faz, ainda, um workshop sobre a carreira de músico. Conhecimentos não lhe faltam para discorrer sobre o tema. Ayres foi um dos primeiros brasileiros a estudar no Berklee College of Music, em Boston, Estados Unidos. Naquele país, tocou com Astrud Gilberto, no auge de sua carreira, Ron Carter e outros. Trouxe conhecimentos de big band para o Brasil e ainda aumentou seu currículo com shows ao lado de Benny Carter, Dizzy Gillespie e Toots Thielemans. Teve um disco solo antológico, Mantiqueira, de 1981, e fez um trabalho inesquecível com o grupo Pau Brasil.

Entre suas inúmeras experiências, está a passagem pela Fundação das Artes de São Caetano (Fundarte), onde foi professor. É curioso que, nessa seleção de feras, muita gente tenha um pézinho no Grande ABC. Nada que se sobreponha ao talento deles, obviamente.

Pratas da casa – O trombonista Bocato, por exemplo, é de São Bernardo. Integrou a famosa banda Metalurgia, nos anos 80, e tocou com gente do calibre de Elis Regina, Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção. É referência no instrumento e um dos nomes mais festejados entre trombonistas. Recentemente, lançou o ótimo disco Cacique Cantareira, segundo da trilogia que começou com o impecável Acid Samba.

Contemporâneo seu e também trombonista, François de Lima começou na música como integrante da banda mirim de Rudge Ramos, em São Bernardo. Hoje, divide-se entre a Banda Mantiqueira e a carreira solo. No show de domingo, receberá outro artista da região: o pianista, compositor e arranjador João Cristal.

Há mais talentos do Grande ABC no evento. O trompetista Junior Galante, de São Bernardo, é um deles. Como Bocato, teve a banda mirim do Baeta Neves como berço musical. Mas já foi aluno de Ayres, tocou com astros como Lionel Hampton e Billy Eckstine e integrou o grupo KC and the Sunshine Band. Na mostra andreense, ele comparece como componte do SoundScape.

Entre as Choronas, há a andreense Gabriela Machado, que toca flauta transversal. E no grupo Madeira de Vento – que faz um repertório eclético, com ênfase na música brasileira – há o clarinetista Otinilo Pacheco, da Orquestra Sinfônica de Santo André. Carrega o nome do Grande ABC, ainda, o sexteto Mente Clara, cujos fundadores são dois amigos de São Bernardo que migraram para Tatuí: o baterista Rodrigo Braz e o guitarrista Fábio Leal. Ainda de São Bernardo, há o contrabaixista Marcos Klis, que deixa um pouco de lado a Prado Blues Band para se apresentar com Edu Moreno (sax soprano, sax tenor, flautas) no grupo 4porquatro.

Essa turma toda promete fazer bonito, assim como as demais atrações desta muito bem selecionada mostra. E que ninguém cometa o pecado de perder o show do Zimbo Trio. Com 48 discos gravados e passagens por 41 países em cerca de quatro décadas de existência, Amilton Godoy (piano), Rubinho Barsotti (bateria) e o mais recente integrante, Itamar Collaço (baixo), levam ao palco toda a tradição e criatividade que consagrou o trio.

Famoso por dividir palco com gente como Pat Metheny, Carlos Santana, George Benson e Gilberto Gil, o baixista Arthur Maia aparece como um dos destaques do evento. Ele vem disposto a mostrar mais de seu trabalho solo, o disco Planeta Música.

Outra boa atração é o Trio Curupira. Embora relativamente novo, já conquistou a admiração de Hermeto Pascoal e foi aplaudido de pé no show do paulistano Free Jazz Festival, em 2001. A mostra termina reunindo no palco uma orquestra inteira, a Jazz Sinfônica. É uma verdadeira celebração ao gênero contemplado na mostra.


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Feras à solta em Santo André

Gislaine Gutierre
Do Diário do Grande ABC

25/04/2005 | 14:05


A partir de terça-feira, Santo André será invadida por feras. São “monstros sagrados” que atendem por nomes como Hermeto Pascoal, Zimbo Trio, Bocato, Nelson Ayres, Arthur Maia e François de Lima e que participam da 2ª Mostra de Música Instrumental Brasileira de Santo André. Ao todo são 14 atrações, com shows realizados até domingo em quatro locais diferentes, com entrada franca.

A atração inaugural é simplesmente imperdível: Hermeto Pascoal e banda, composta por Itiberê Zwarg (baixo), André Marques (piano), Vinícius Dorin (sax, flauta e flautim), Márcio Bahia (bateria e percussão) e Fábio Pascoal (percussão). O Bruxo aporta na cidade pronto para mostrar sua música carregada de improvisos e de arranjos inusitados, muitas vezes executada com o uso de objetos não-convencionais, como chaleira.

Outro veterano da música instrumental na programação é o maestro, pianista e compositor Nelson Ayres. Ele vem com seu trio, formado por Rogério Botter Maio (baixo) e Bob Wyatt (bateria) e faz, ainda, um workshop sobre a carreira de músico. Conhecimentos não lhe faltam para discorrer sobre o tema. Ayres foi um dos primeiros brasileiros a estudar no Berklee College of Music, em Boston, Estados Unidos. Naquele país, tocou com Astrud Gilberto, no auge de sua carreira, Ron Carter e outros. Trouxe conhecimentos de big band para o Brasil e ainda aumentou seu currículo com shows ao lado de Benny Carter, Dizzy Gillespie e Toots Thielemans. Teve um disco solo antológico, Mantiqueira, de 1981, e fez um trabalho inesquecível com o grupo Pau Brasil.

Entre suas inúmeras experiências, está a passagem pela Fundação das Artes de São Caetano (Fundarte), onde foi professor. É curioso que, nessa seleção de feras, muita gente tenha um pézinho no Grande ABC. Nada que se sobreponha ao talento deles, obviamente.

Pratas da casa – O trombonista Bocato, por exemplo, é de São Bernardo. Integrou a famosa banda Metalurgia, nos anos 80, e tocou com gente do calibre de Elis Regina, Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção. É referência no instrumento e um dos nomes mais festejados entre trombonistas. Recentemente, lançou o ótimo disco Cacique Cantareira, segundo da trilogia que começou com o impecável Acid Samba.

Contemporâneo seu e também trombonista, François de Lima começou na música como integrante da banda mirim de Rudge Ramos, em São Bernardo. Hoje, divide-se entre a Banda Mantiqueira e a carreira solo. No show de domingo, receberá outro artista da região: o pianista, compositor e arranjador João Cristal.

Há mais talentos do Grande ABC no evento. O trompetista Junior Galante, de São Bernardo, é um deles. Como Bocato, teve a banda mirim do Baeta Neves como berço musical. Mas já foi aluno de Ayres, tocou com astros como Lionel Hampton e Billy Eckstine e integrou o grupo KC and the Sunshine Band. Na mostra andreense, ele comparece como componte do SoundScape.

Entre as Choronas, há a andreense Gabriela Machado, que toca flauta transversal. E no grupo Madeira de Vento – que faz um repertório eclético, com ênfase na música brasileira – há o clarinetista Otinilo Pacheco, da Orquestra Sinfônica de Santo André. Carrega o nome do Grande ABC, ainda, o sexteto Mente Clara, cujos fundadores são dois amigos de São Bernardo que migraram para Tatuí: o baterista Rodrigo Braz e o guitarrista Fábio Leal. Ainda de São Bernardo, há o contrabaixista Marcos Klis, que deixa um pouco de lado a Prado Blues Band para se apresentar com Edu Moreno (sax soprano, sax tenor, flautas) no grupo 4porquatro.

Essa turma toda promete fazer bonito, assim como as demais atrações desta muito bem selecionada mostra. E que ninguém cometa o pecado de perder o show do Zimbo Trio. Com 48 discos gravados e passagens por 41 países em cerca de quatro décadas de existência, Amilton Godoy (piano), Rubinho Barsotti (bateria) e o mais recente integrante, Itamar Collaço (baixo), levam ao palco toda a tradição e criatividade que consagrou o trio.

Famoso por dividir palco com gente como Pat Metheny, Carlos Santana, George Benson e Gilberto Gil, o baixista Arthur Maia aparece como um dos destaques do evento. Ele vem disposto a mostrar mais de seu trabalho solo, o disco Planeta Música.

Outra boa atração é o Trio Curupira. Embora relativamente novo, já conquistou a admiração de Hermeto Pascoal e foi aplaudido de pé no show do paulistano Free Jazz Festival, em 2001. A mostra termina reunindo no palco uma orquestra inteira, a Jazz Sinfônica. É uma verdadeira celebração ao gênero contemplado na mostra.

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