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Cineastas do Brasil se preparam para Internet


Do Diário do Grande ABC

25/03/2000 | 15:00


Agora é definitivo: o cinema, tal e qual ficou conhecido nos últimos 105 anos, está com os dias contados. E, mais surpreendente, o substituto, por enquanto, parece um produto da época da invençao do cinematógrafo. Sao os filmes.com. Produzidos especialmente para difusao na internet, captados por câmeras digitais, eles sao curtos, têm imagem com pouca definiçao e movimentos tao acelerados que matariam os irmaos Lumière de inveja.

Mas é uma falsa impressao. É como se o cinema estivesse adotando as táticas revolucionárias do bolchevismo: um passo atrás para dar dois (mil) à frente. O primeiro já foi dado. O segundo - e definitivo - virá com a difusao da WebTV (internet via cabo), que democratizará ainda mais o acesso e melhorará a qualidade da imagem. Nos Estados Unidos, diretores consagrados como Spielberg (pop.com) e Coppola (Zoetrop.com) estao enfiando suas reputaçoes (e milhoes de dólares) no sucesso do negócio.

No Brasil - onde a novidade ainda é embrionária - até Luiz Carlos Barreto, eterno produtor do cinema nacional, já pensa em mudar seu cartao de visitas: "Agora eu me apresento como produtor de conteúdo audiovisual".

Barreto está vendo longe. Em meio à ebuliçao do mercado da internet, em que novos sites e portais surgem a cada minuto, o entretenimento (leia-se conteúdo audiovisual) nao fica de fora. É uma tendência universal. Nos Estados Unidos, uma câmera digital e um computador de última geraçao podem fabricar um milionário da noite para o dia. A idéia genial do cartunista Tom Winkler, por exemplo, foi produzir um filmete diário (Doodie.com) de dez segundos para difusao na rede. O filme? Um homem defecando em uma privada. Faz um muito sucesso.

A página é visitada mensalmente por 9,5 milhoes de pessoas. É mais do que os que visitam a página de entretenimento da Warner, por exemplo. Há 18 meses, filas de diretores e produtores de Hollywood se formam na na porta da casa de Winkler, todos interessados em explorar seu personagem.

O caminho trilhado por Winkler é a senha para milhares de jovens artistas dispostos a difundir sua arte: faça você mesmo. Até mesmo porque a Internet é barata (ou grátis), universal e, principalmente, democrática. No site de Spielberg, por exemplo, estao abertas as inscriçoes para o PopFest, festival de filmes independentes de até 30 minutos de duraçao. No Brasil, já há um site (digitalfilms.com.br) à disposiçao de quem queira investir na idéia.

Bem-vindo ao website da Digital films, ainda em fase de elaboraçao. Aqui você vai assistir cinema na Internet. E seu filme poderá ser visto em todo o mundo diz a carta de apresentaçao. O responsável pelo site é Luiz Carlos Saldanha, veterano do cinema nacional. Ele diz que ainda é cedo para rivalizar com o sites mais conhecidos do ramo, como o americano www.Ifilm, que recebe milhares de visitas diariamente, mas quer estar na dianteira do negócio quando ele finalmente vingar por aqui.

É um negócio da China. Para se ter uma idéia, The sadness of sex, filme estrelado por Peta Wilson (da série Nikita) e disponível no Ifilms, já recebeu 6031 visitas em apenas dois dias. Um número ainda distante da realidade brasileira. Mas Saldanha acredita que, mesmo por aqui, o futuro das artes visuais está na tela dos computadores. "Ainda há muitas dificuldades mas o caminho está apontado. O principal problema do cinema, a distribuiçao/exibiçao, fica superado. O que ainda precisa ser enfrentado é a qualidade da resoluçao e da transmissao".

Esses problemas atualmente se espremem no fino diâmetro dos fios telefônicos. Trocando em miúdos: há necessidade de uma alta velocidade de transmissao, incompatível com a tecnologia dos fios. Ou, trocando ainda mais em miúdos: se quiser baixar um filme de 10 minutos pela internet, além dos indispensáveis programas quick time ou real time, o usuário terá que ter paciência. A transmissao demora pelo menos 30 minutos.

"A linha telefônica tem suas limitaçoes, mas hoje há técnicas de compressao de imagens (de 30 frames para 10 frames) que possibilitam uma melhoria na imagem. A banda larga, a ser introduzida pela internet por cabo, vai acabar com esses problemas", diz o documentarista Alberto Flaksman. Flaksman - que tem no currículo a produçao de A grande arte, primeiro filme de Walter Salles - é contratado do portal iG para pensar mecanismos de acesso à entretenimento. A expectativa é que a WebTV entre de vez no mercado brasileiro num prazo de três anos.

Já tem gente se mexendo para isso. Especula-se no mercado que o iG está desenvolvendo, em parceria com o Editora Abril, um projeto para WebTV no Brasil. Nao está só. A TV Globo também estaria tocando projeto semelhante. A WebTV proporciona ao usuário, através do cabo, ligar seu computador na TV. Os problemas de resoluçao e transmissao estariam solucionados e um equipamento completo para isso, nos Estados Unidos, custa hoje, em média, US$ 300 a mais no custo da TV comum.

É mais uma pedra no sapato do cinema que já encarou - e venceu - a forte concorrência da própria TV e do vídeo caseiro. Há até mesmo a discussao sobre se isso (imagens gravadas em digital que dispensam laboratório e salas de exibiçao) seria mesmo cinema. De qualquer forma, a batalha é dura. Considerando-se que um filme nacional de sucesso nao alcança 2 milhoes de espectadores no cinema, a perspectiva é das melhores: sao 38 milhoes de domicílios com aparelhos de TV espalhados no Brasil. Melhor: sem atravessadores. Nada de distribuidor ou exibidor. E a tendência é falar direto com o público.

Os Xeretas, produçao infanto-juvenil que começa a ser rodada no Paraná, oferece ao usuário acompanhar as filmagens em tempo real. Basta acessar www.osxeretas.com.br. É uma espécie de cinema interativo. Uma das produtoras de cinema que mais cresce no Brasil, a Conspiraçao Filmes, também está erguendo seu portal.

Segundo Leonardo Monteiro de Barros, sócio da produtora, a idéia é investir no carro-chefe da casa (o cinema) sem perder a perspectiva do futuro: "Vai se dar melhor quem tem catálogo. Nós estamos fazendo o nosso. E nao descartamos pesquisas para disponibilizar mais facilmente nossos produtos", diz Léo, que coordena a finalizaçao de Eu Tu Eles, de Andrucha Waddington (Gêmeas), que será lançado em fins de maio. Por enquanto, será um lançamento normal: nas boas casas do ramo. No futuro, a tendência é lançar os filmes em todas as casas. Qualquer que seja o ramo.



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